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quarta-feira, 28 de março de 2018

PRA TE ENSINAR!

Esse texto nasceu do que seria um relato curto no Facebook, mas foi tomando uma proporção tão grande que eu decidi entrar em contato novamente com esse momento/sentimento pra tentar me libertar ao menos de mais um fantasma que sussurra ao meu ouvidos memórias que eu não gostaria de saber ou lembrar, mas lembro. 


Pois bem, já que estamos aqui, aqui estamos e tome-lhe verbo! Tudo começou quando eu soube que no dia 26/03 era a data de lançamento do primeiro álbum do Gorillaz, que teve sua estreia há 17 anos atrás e me veio umas memórias fortes pois esse álbum é tão importante pra mim, que não foi possível não repensar em tudo que eu estava vivendo quando ganhei esse CD de minha ex professora Nallyne num amigo secreto na escola em meados de 2002. O desenrolar dessa história se deu na época do Ensino Médio, eu devia ter uns 16 anos mais ou menos e eu vou te contar como foi pra mim um dos piores momentos de minha vida sendo um adolescente se descobrindo homossexual e vivendo numa cidade de 10 mil habitantes no meio da caatinga do interior da Bahia.

Era 2002, mesmo sem referência nenhum do que era "ser gay" eu começa a despertar esses sentimentos em mim. Não conhecia outros gays na cidade e apesar de nunca ter beijado um menino na época eu já sentia uma curiosidade pelo gênero masculino, então imagine que meu estado emocional constante naquele momento era dúvida e todas as maiores e piores paranoias possíveis por causa da minha sexualidade; era uma batalha constante e ninguém sabia! Exceto talvez pelas pessoas mais maliciosas que já detectavam sinais de feminilidade que automaticamente eram associados a homossexualidade em mim. As pessoas (inclusive os que diziam ser amigos) usavam isso contra mim na rua e na escola não era diferente… aquelas “brincadeiras” especulativas sobre seu ser gay já aconteciam há um tempo, porém nesse período o bullying psicológico emocional era mais taxativo. Pensando a respeito hoje minha sensação é de que as pessoas queriam a qualquer custo confirmar se Jarbas era viado mesmo, sabe!? O ser humano Jarbas não era considerado como existente e/ou possuidor de sentimentos, o que importava era confirmar se era bicha ou não, independente de qualquer coisa.

Na escola foi organizado um amigo secreto só com a turma da sala que eu estudava, a ideia começou ótima (não estou sendo irônico, eu acho mesmo a ideia boa). A brincadeira teria o adicional de uma "caixa de surpresas" que ficaria na sala dos professores onde durante a semana as pessoas de livre e espontânea vontade poderiam deixar bilhetes para o colega que tinha sorteado, no dia aula da professora que organizou a brincadeira seriam distribuídos os bilhetes ali depositados; como dizer que essa não é uma ideia ótima!? É certo que nem todos mandava bilhetes, mas os que abraçaram a brincadeira fizeram manifestações bem legais de carinho, pistas e quem poderia ser, tinha gente que deixava balas, pirulitos e outros doces pra pessoa eu sorteou… a dinâmica da brincadeira era interessante demais! A caixa duraria até e a semana da revelação do amigo secreto e num desses dias tinha uma carta pra mim. Eu que não tinha recebido nada até então, fiquei todo empolgado, fiz aquela aquela festa na sala pra mostrar que meu "amigo" secreto também se importava se lembrou de mim.

Com o envelope nas mãos e a curiosidade quase me matando por dentro, abri o volume que parecia ser o de um livro pequeno, mas para minha surpresa maior, quando o conteúdo do envelope foi revelado percebi que dentro tinha uma revista pornô, sim, era uma revista de sexo explícito heterossexual, tipo aquelas antigas revista de fotonovela, só que nesse caso a fotonovela era mostrando cenas de sexo explicito entre um homem e uma mulher, com direito a foco na penetração etc… logo na primeira página da revista tinha um bilhete, escrito num papel de guardanapo daqueles de bar que parece seda pra cigarro, com letra propositalmente borrada lia-se a frase: “PRA TE ENSINAR”. Eu congelei na hora!! Parecia que alguém tinha descoberto meu pior segredo da vida! Acho que foi a primeira vez que eu me senti extremamente exposto e ridicularizado. Eu passei a ter aversão extrema a situações de vulnerabilidade depois desse momento, eu fui invadido por uma sensação tão ruim de solidão naquele dia que eu não saberia explicar o quão só eu me senti. Foi ali que eu tive a clareza mental espontaneamente forçada de que a coisa não iria ser nada fácil se eu quisesse ser quem eu verdadeiramente era. Acho que percebi também que não seria naquela cidade muito menos ao redor daquelas pessoas que eu poderia me expressar livremente. Não me lembro exatamente o que houve depois, não sei se foi eu que levei o caso pra diretoria ou foram minhas amigas, ou talvez a professora que organizou o amigo secreto, sei que fui parar na direção; a diretora não sabia o que fazer, os professores Nallyne e Theo (meu primeiro, talvez único, professor gay) meio que tomaram as dores por mim, tentamos descobrir quem tinha enviado a revista revista pornô, mas nada; a diretora foi na sala “falar sobre a situação” e deu textão na turma toda, o que me fez sentir ainda mais exposto e mais ridicularizado, no fim das contas ninguém foi punido. 

Como "prêmio de consolação" fizeram outro sorteio, cancelaram a caixa das cartinhas surpresa, a prof. Nallyne sorteou meu nome (até hoje acho que não foi por acaso e agradeço por isso; e se foi, melhor ainda porque certifica  mais que minha espiritualidade cuida de mim antes mesmo de eu saber que Ela em mim habitava (EPAHEY!). Se eu não estiver errado, penso que o dia da revelação do sorteio foi antecipado e foi nesse dia que Nallyne me deu o CD do Gorillaz e uma agenda/diário (tenho ambos até hoje); a prof. Nallyne, que felizmente se tornou minha amiga e um dos seres humanos que eu mais respeito e admiro no mundo, me salvou ali, talvez até sem saber que estava fazendo. Eu ouvia o CD do Gorillaz repetidas vezes, enumeras vezes pra falar a verdade… fui atrás da tradução das músicas (tomei gosto pelo idiota Inglês, fiz curso e hoje sou fluente na língua). Eu ouvia o CD todos os dias por que eram os pouquíssimos momentos que eu não estava num estado de tensão, auto rejeição e alerta constante, era ouvindo o Gorillaz que eu encontrava o minimo de consolo; até por que de um lado tinha a religião [eu era membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia na época] que me dizia que ser gay era uma abominação, um pecado punível de morte eterna, minha família não me apoiava em praticamente nada e obviamente que ser homossexual não receberia apoio (até hoje ainda não tenho esse apoio de vários deles), meus amigos (salve pouquíssimos) também não foram os melhores amigos na época… então, me restavam poucas opções além do pensamento constante de ou me matar ou fugir de onde eu estava, mas era lá na música do Gorillaz que eu ouvia alguém dizer que a vida, minha vida não precisava ser apenas aquilo.

A confusão mental/emocional foi tão enorme que mesmo cerca de 17 anos depois, eu ainda acho difícil descrever o momento e admitir que eu pensei em tirar minha própria vida algumas (muitas) vezes. Eu queria sumir, desaparecer da cidade, mas não fiz por que também tinha no aparelho de som uma música que não era religiosa muito menos motivacional, mas que dizia profundamente para mim que existia um mundo além daquele e essa fagulha de esperança me manteve firme, por isso eu sumi de lá sem olhar pra trás na primeira oportunidade que tive e não me arrependendo nem um pouco. Na verdade, acho que ter saído da cidade foi um dos fatores determinantes para eu ter conseguido ser quem eu sou hoje; talvez, eu não seja grandes coisas, mas sou melhor do que aquele Jarbas com 16 anos de idade, que não ria em foto, só usava preto, bebia bebidas alcoólicas praticamente todos os dias e que detestava estar ao redor de gente, que se trancava dentro do quarto lendo todos os livros que minha prima Ana Maria me emprestava.

Eu sei quem foram as pessoas que me mandaram aquela revista — eu nunca vou esquecer. Eles estão ótimos de vida, aparentemente. Três dos que encabeçaram a "surpresa" estão casados, os três formaram família com direito a filhos, almoço e missa de domingo e foto bonita no Facebook. São eles a perpetuação da dita família tradicional brasileira, os covardes e maliciosos "homens de bem", os "de família". Para algumas pessoas da cidade sei que eu ainda sou apenas e nada somente além do que o viado, porém a bicha aqui hoje é orgulhosa de ser bicha, o viado não precisou "aprender" nada numa revista pornô com cenas de sexo entre homens e mulheres. O gay aqui se recusou a encaixar-se e não foi adestrado dentro do modelo de vida que eles acreditavam ser o melhor. Não conseguiram em "ensinar" nada com a revista pornô, por que eu era gay no dia 04 de agosto de 1986, tanto quando eu era gay lá em 2002 e mais ainda homossexual em 2018 e com certeza muitíssimo mais viado em 2080. Eles mexeram com o meu emocional, mas eles não venceram.

Ao escrever, reler e finalizar esse texto/desabafo não parei de pensar em quantos outros Jarbas não devem existir nesse mundo a fora; não parei de pensar em quantos outros foram tão machucados, maltratados, incompreendidos e tiveram suas vidas arruinadas como eu fui.… meu caso felizmente foi de privilegio e terminou bem (até certo ponto), mas pense quantos outros não aguentam tamanha violência e se matam. Compartilho essa história hoje com o maior desejo, não de ser um exemplo, mas de que ninguém passe por uma situação dessas.

Pra te ensinar, hoje, só o amor e a tolerância. É isso.




Principais músicas:
• Tomorrow Comes Today
• Clint Eastwood (feat. Del tha Funkee Homosapien)
• Sound Check (Gravity)
• Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?) - (feat. Ibrahim Ferrer)
• Starshine
• Slow Country
• Dracula
• Left Hand Suzuki Method
• 19-2000 (Soulchild Remix)

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A tal "atitude Paulo Gustavo"

Antes de qualquer coisa deixa eu dizer que esse texto não é um ataque pessoal ao humorista Paulo Gustavo, mas é uma critica, sim, a "atitude de Paulo Gustavo", só calhou de ser PG, mas poderia ser qualquer outra pessoa; então fãs, não queiram me matar (se algum fã estiver lendo). É sobre algo muito maior que Paulo Gustavo que escrevo. #PAS!


Então, vamos falar sobre a tal "atitude Paulo Gustavo", que infelizmente não é exclusiva dele, tá?
Recentemente li a noticia que o humorista Paulo Gustavo e seu marido Thales Bretas receberam ataques homofóbicos numa de suas fotos nas Ilhas Maldivas (très chic!); indignado Gustavo foi para o Stories do app Instagram e fez uma sequência de videos, no qual ele declara sua aversão aos ataques homofóbicos e finaliza a fala com:


"Para vocês que são preconceituosos e estão aí me seguindo: eu ainda vou fazer muita viagem esse ano, vou postar muitas fotos com o Thales, porque eu vou ser viado até o último dia da minha vida e vocês vão ter que respeitar"


Então, até aqui tudo bem. Certo?! Não tem nada certo.

Esse é o mesmo Paulo Gustavo, que meses atrás estava dando entrevista dizendo que achava "chato levantar algum tipo de bandeira LGBTQ+", como se ele fosse uma outra classificação de gay; aquela que não se mistura; intocável; a dona; inventora da militância silenciosa; "existir é minha resistência". Vá pra plantar batata no asfalto, né?! Mas é compreensível que essa linha de pensamento vindo de pessoas-paulo-gustavo ou melhor, pessoas que estão dentro do mesmo sistema de privilégios que Paulo Gustavo está inserido. Por ser ator, pessoa publica, branco, rico etc. é impossível negar que o nível de aceitação da homossexualidade de Paulo é maior, a homofobia que ele passa (se é que passa por tanta homofobia assim) é completamente diferente se caso ele não tivesse dentro do sistema singular o qual pertence (e não tem nada de errado em pertencer). Porém, não é aceitável que essas pessoas-paulo-gustavo não entendam que nem tod@s @s pessoas LGBTQ+ não estão vivendo o mesmo grupo beneficiado. Não é concebível que essas pessoas não percebam e reconheçam o quão grande é o alcance da voz delas e/ou quanto elas podem contribuir positivamente para toda uma comunidade, que está sendo massacrada diariamente. Em quanto Paulo Gustavo se enraivece por receber comentário homofóbico em rede social, mas não solta um peito pra ajudar na causa dos Direitos Civis LGBTQ+, ou realmente contra a homofobia tem uma pessoa morrendo a cada 25 horas por ser LGBTQ+.

Quantos heterossexuais conhecemos que foram assassinados por serem heterossexuais? NENHUM! 

Por isso é muito indignante perceber que alguém externo teve que explodir a bolha de privilegio de Paulo Gustavo, para que ele percebesse que existe sim uma violência contra o homossexual no Brasil; ou talvez, nem tenha percebido nada. Repito que não podemos esquecer que a cada 25 horas morre uma pessoa por homofobia neste país, não podemos fechar os olhos para a barbárie que acontece com as transsexuais e travestis ao redor dos estados brasileiros; lembremos de Dandara que foi assassinada brutalmente a pedradas e pauladas no Ceará. E teve gente que filmou!! Gente que ao ver um outro ser humano sendo espancado até a morte e a decisão daquela pessoa foi filmar um assassinato brutal ao invés de ajudar. Vocês conseguem imaginar que existem pessoas que consideram legitimo o ato de matar alguém por causa de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero!? Eu não.

Então, vá para puta que pariu a "atitude Paulo Gustavo"!! Por que em quanto ninguém tinha mexido no conto de fadas das férias nas Ilhas Maldivas, era chato levantar bandeira. No entanto quando alguém perturbou a paz das águas cristalinas do Oceano Indico a indignação veio forte e a militância vai ser aguentarmos mais viagens e fotos de um casal homossexual padrão, cis, branco, rico e privilegiado ao redor do mundo; e pensar que poderiam fazer mais, muito mais.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Caçadores de Relacionamento

"Jarbas, você precisa achar um namorado!", me dizem.

Não gente, preciso não!

"Gay Couple: Love and relationship" painting - Raphael Perez, 2004

Seria bem prazeroso se acontecesse um namoro, claro. Não nego que, às vezes, uma companhia me faz falta, mas não aceito que me imponham esse status (que eu nem estou tentando atingir) de "caçador de namorados", aquele desesperado carente que vê em qualquer night-out uma oportunidade para se casar ali mesmo na festa; não faz meu perfil e provavelmente se me encontrarem numa festa, estarei mais preocupado em dançar e ficar bêbado — não necessariamente nessa ordem — do que caçando macho.

Admito que essa ideia de relacionamento como forma de salvação social, uma especie de moleta emocional que nos fazem acreditar que é necessária, me é bastante desconfortável. Observo relacionamentos (independe do gênero e condição sexual) que são abusivos, as pessoas se machucando, se minimizam diante do outrem e tudo em nome de uma pseudo idealização de amor. Amor pra mim é outra coisa; e mesmo sofrendo as pessoas se mantém ali, firmes em nome de um posição social: O CASAL. Sei lá, acredito que amor é brisa, não tempestade.

Como disse a incrível Fernanda Young no livro "O Pau": "[…] bosta de carência básica infantil, que nos torna para sempre patéticos, jamais capazes de vencer essa necessidade de alcançar o amor. O amor, o amor, o amor. Vá para a puta que o pariu o amor."

Não, amor, não vá a puta que o pariu, mas dá um tempo né?! E deixa a gente focar em outras coisas que são importantes também OU melhor, seja mais descente porque estamos cansados de canalhas. Obrigado.

No mais, só queria dizer que nunca vou aceitar a imposição social de que só seremos considerados bem sucedidos se estivermos dentro de um relacionamento (mesmo que seja um relacionamento abusivo).

Quero um relacionamento? Sim!
Apenas decidi que não vou sofrer para ter um homem ao meu lado (só pra dizer que tenho um homem), afinal de contas: vai um, vem dezoito.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

8 Dicas de Como Respeitar e Não Ofender um Homossexual

O Século XXI já está entre nós e com ele veio a pós modernidade, a diversidade de pensamentos, ideologias e crenças. É certo que sempre houveram homossexuais desde que existe humanos na Terra e a cada dia que passa é mais comum ter contato com um homosexual na família, no trabalho, no médico, no mercado, na vizinhança, faculdade etc. Porém, o que deveria ser tratado como algo comum, na verdade, tornou-se motivo de tabus, controvérsias e de opiniões ignorantes por falta de informação.

O crescimento da homossexualidade não vai ser alterado, se você é heterossexual e está lendo esse texto saiba logo que, o simples fato de você ser uma menina e gostar de menino (e vice-versa) te coloca numa posição de privilegio, que nós homossexuais não temos, por isso, é sempre bom medir as palavras quando se dirigir a um homossexual (masculino ou feminino), pois mesmo não querendo, talvez, você pode estar discriminando e ofendendo aquele seu amigo da comunidade LGBTQ+ porém achando que tá tudo legal, mas não está.

Pensando nisso decidi escrever um guia simples com dicas do que acho mais importante para começar a não insultar e/ou ferir os sentimentos dos homossexuais com o qual você tem contato.

1. Homossexualidade não é doença.

"Ah, mas a Bíblia e meu pastor diz que..." PARA!
Por mais que as religiões de matriz cristã defendam a ideia de que a homossexualidade é uma doença psicológica/emocional e por conta disso se acha no direito de discriminar e incentivar o ódio os gays e lésbicas, a ciência já comprovou que a homossexualidade é apenas a orientação sexual da pessoa, o que não quer dizer nada sobre o caractere do mesmo. Inclusive há +26 anos a OMS (Organização Mundial de Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como uma doença psico-emocional. Sendo assim, podemos aceitar que por não ser uma patologia a homossexualidade não tem cura. Pra que você insiste?
Ah, lembrando também que existem heteros bons e ruins, mas não é a heterossexualidade que define isso, logo por que seria a homossexualidade o fator decisivo para alguém ser desqualificado como ruim e o heterossexualidade não? Controverso. Pense nisso.


2. Homossexualidade não é uma escolha.

Usar o termo "opção sexual" é errado, ofensivo e não precisamos alongar o papo nesta discussão. Ninguém escolhe ser homossexual, tanto quanto ninguém escolhe ser heterossexual. Já parou pra pensar quando foi que você menino decidiu gostar de garotas e vocês meninas, quando foi que vocês decidiram que era dos meninos que você gostava? Pois é, não houve esse momento; para nós gays e lésbicas também não.
A homossexualidade não é uma opção numa ficha cadastral, que a gente pode ir lá e marcar um 'X' na hora quer e cá entre nós, diante de tanta homofobia, ou seja, a violência contra homossexuais, quem seria louco de decidir ser algo perigoso? Quem em sã consciência decidiria passar por desavenças na família e outros meios sociais? Acredito que ninguém. Se você não escolheu ser hetero, entenda que gays e lésbicas também não escolherem ser o que são, mas somos, logo o melhor a fazer é aceitar e tentarmos conviver da melhor maneira possível.


3. Homossexualidade não significa inferioridade.

É, se seu coleguinha é gay ou lésbica, não quer dizer que ele seja inferior a você (muito menos superior). A orientação sexual das pessoas não é o fator dominante que determina suas capacidades físicas ou intelectuais, ou seja, o fato de alguém ser gay (ou não), não quer dizer que ele é mais ou menos capacitada de executar funções, nossa sexualidade não está ligada às nossas aptidões.



4. Piadas ofendem (e muito).

Piadas sobre gays podem ser engraçadas, sim, mas quando o cunho é de chacota e discriminativo perde-se toda a graça. Se você utiliza o humor pra estimular o preconceito e os esteriótipos, você não está sendo nada engraçado, mas bastante ofensivo.
Sabe essa ideia de quem todo gay é afeminado e que toda lésbica é masculinizada? Ou toda loira é burra? Todo gordo é desajeitado? Então, não é assim, abandone essas ideias estereotipadas por que se você ainda acha esse tipo de humor legal, tá passando vergonha (e muita).
Pode até parecer estranho, mas existem homossexuais em todas as areas do conhecimento e não acho tão difícil assim imaginar um pedreiro que carrega 100 sacos de cimento por dia ser gay ou invés da imagem do homossexual afeminado etc. nem todos nós seguimos esse padrão TV Globo/Hollywood do que é ser gay/lésbica.
Inclusive, já parou para pensar porque você nunca ouviu uma piada sobre heterossexualidade? Então...

5. Homossexualidade não é promiscuidade.

Para falar sobre esse tópico, preciso te dar uma informação séria: para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a pessoa (independente da orientação sexual) considerada promiscua é toda aquela que teve mais de dois parceiros sexuais dentro do período de seis meses. Ou seja, se você transou, beijou mais do que duas pessoas em 6 meses, sinto lhe informar, você é promiscuo (segundo a OMS); saber disso deixa a gente meio tonto né? Então...
As praticas sexuais heterossexuais e homossexuais são bem parecidas; existem, sim, vários gays que vivem uma vida com maior nível de liberdade sexual, tanto quanto existem vários heterossexuais que praticam livremente e intensamente sua sexualidade, porém sem levar o rotulo de promiscuo. Eis outra coisa que não é tão difícil de imaginar, mas existem muitos de nós (homossexuais) que querem casar, ter filhos, construir família etc e tal; inclusive, eu sou um desses gays que sonha em casar e ter uma família. Portanto, melhor não decidir rotular todo um grupo de pessoas de promíscuos por que você provavelmente desconhece a realidade individual de cada uma dessas pessoas e pode ofender bastante.
Inclusive, nem tudo que os homossexuais fazem tem cunho sexual, tá? Então tá.


6. Homossexualidade não é "um estilo de vida" que pode ser abandonado ou transformado.

Você que é heterossexual,já imaginou como séria chato ter durante muitos anos um homossexual que é seu amigo te dizendo o tempo todo que você precisa de uma experiência homo-afetiva para você ter uma vida melhor ou ter certeza de que é isso mesmo que você quer? Imagina você que é um homem convicto que gosta de mulheres e uma mulher certa que gosta de homens tendo que ouvir que seu "estilo de vida" está incorreto, que você precisa mudar sua situação sexual/social, que Deus vai te ajudar a mudar essa sua vida. Chato pra caralho, hein!? Não só chato, mas uma grande demonstração de desrespeito e discriminação, mas é exatamente isso que acontece com os homossexuais. É muito importante aceitar que você não pode transformar um homossexual em hetero (e vice-versa). Se aquela pessoa não decidiu ter uma experiência com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto, apenas respeite e cale-se, pois não é seu lugar de voz.



7. Homossexuais não são bichos de estimação.

"Toda mulher precisa de um amigo gay!", obviamente que não, né?! Se você tem um amigo gay e super se dá bem com ele, parabéns para vocês, mas existe, sim a possibilidade de um homem hetero ser amigo de uma mulher também heterossexual. Inclusive, imaginar que amizade entre homens e mulheres hetero não existe é a melhor forma de admitir os heterossexuais são um bando de promíscuos que só pensa em sexo, mas julgar não é meu papel (só dizendo).
Não trate os gays como se fossem um animalzinho de estimação, não reforce a ideia estereotipada de que ter um amigo gay é possuir um personal stylist, um cabeleireiro de plantão ou até mesmo um psicologo de balada que vai te animar o tempo todo.
Lembre-se que nem todos os homossexuais são iguais e tem vários por ai que não sabem nem para onde vai uma escova de cabelo (eu, por exemplo), tem milhares de gays que não se importam com combinações de roupas e muitos de nós não são 100% animados e dispostos a estarem em baladas com vocês. Ah, e essa história de que todo gay é sincero é mentira, tá várias FALÇAS entre nós.



8. Nunca arranque alguém do armário.

Num contexto onde você ficou sabendo que fulano é gay, mas outra boa parte do meio social de vocês não sabe, o melhor que você tem a fazer é ficar caladinho; cada pessoa tem seu tempo, cada gay ou lésbica vem de uma realidade diferente e o fato de você saber que aquela pessoa é homossexual não lhe dá o direito de vasculhar a vida intima da pessoa e espalhar aos quatro ventos a situação. Se você acredita que arrancar alguém do armário é a maneira mais adequada para que ela viva uma vida mais plena e feliz, linda, você tá errando feio, tá errando rude. Sem conhecimento prévio da situação da pessoa, acredito que você ajuda muito mais respeitando o tempo do individuo do que espalhando e especulando sobre sua sexualidade.



Para finalizar, queria contar que uma vez uma fã perguntou a J.K. Rowling, autora da série de livros do bruxo Harry Potter, se era verdade mesmo se Dumbledore era gay ou era apenas uma jogada de marketing, segundo a fã, ela não conseguiu ver a homossexualidade do bruxão. A resposta da autora foi muito simples, ela disse ao mais ou menso assim: "Ele é gay. Talvez você não enxergue, porque homossexuais são exatamente iguais a qualquer outra pessoa", eu penso que J. K resumiu muito bem tudo que eu gostaria de explicar. Nós homossexuais somos igual a qualquer outra pessoa, a única diferença é que o mundo (sem generalização) não enxerga dessa maneira.
Se você quiser insistir que sua religião diz isso ou aquilo sugiro também que você deixe o que é de Deus com Deus, não é sua função ser juiz da orientação sexual dos outros, por que está escrito na Bíblia: "Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7:1).

Se faz diferença para você que seu vizinho, parente ou colega trabalho ou faculdade se relaciona com alguém do mesmo sexo, procure ajuda médica (psicologo) você não está bem.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Existe Orgulho no Dia do Orgulho LGBT?

Dia 28 de Junho é o dia que nós da Comunidade LGBT nós abrimos um pouco mais para dizer que temos orgulho do que somos e comemoramos o "Dia do Orgulho LGBT", alguns de nós sabem que a origem dessa 'comemoração' se deu porque no ano de 1969, frequentadores do bar Stonewall Inn (Nova Iorque/EUA), voltado para o público homossexual e transexual, reagia à ação abusiva, violenta  e desumana constante da policia local. Fato que desencadeio mais dois dias de protestos e culmina na marcha ocorrida no dia 1 de julho de 1970, em lembrança ao aniversário do motim, precursora das atuais Paradas do Orgulho LGBTQ. Hoje é dia de lembra do Orgulho de ser quem é, de lembrar do heróis que possivelmente não sabemos os nomes, mas que abriram alas para nós, a nova geração.

Dados históricos à parte, já se passaram 47 anos desde a 'Rebelião de Stonewall'. Nós acreditamos que estamos mais livres em nossas redes sociais para dizer "Feliz Dia do Orgulho LGBT", mas a onda de violência está cada vez mais crescente, o ódio parece não cessar, cada dia surge um novo 'representante' de Deus para dizer que a homossexualidade é errado, porém que seja hoje também o dia de reconhecermos que essa data não significa nada além de RESISTÊNCIA!


Alias, hoje também é dia de CERTIFICAÇÃO e AGRADECIMENTO aos que lutaram por nós no passado. É precisamos reconhecer que não será a heteronormatividade que nos salvará, pois foram as bichas negras, as bichas femininas, as lésbicas masculinizadas, as drags, as trans, os 'estranhos', os menos favorecidos financeiramente, foram todos aqueles que um dia receberam o adjetivo de profanos, abomináveis, os 'não dignos' que abriram espaço para que hoje você e eu tenhamos (o minimo de) voz.


Orgulhe-se de verdade em ser o que você é! Seja você um ato politico vivo. Não tenha medo por que ser LGBT vai além de deitar-se com alguém do mesmo sexo; nós nascemos assim, por isso ser LGBT é ser perseverante.

E que seja hoje a confirmação de que NÓS NUNCA VAMOS FICAR EM SILÊNCIO!

VAI TER VIADAGEM, SIM!






quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mais um Dia dos Namorados…

Eu tenho sempre comentado que a ferramenta "Neste Dia" do Facebook, tem sido um grande aliado (ao menos para mim) na hora de apagar aquele close errado, relembrar aquela foto, aquela festa, aquela bad-trip, aquela indireta para as inimigas, que a gente postou anos atrás e possivelmente nem lembrava que aquelas palavras ou imagens se quer existiam…

E lá vem mais um Dia do Namorados…

Obviamente que o Facebook está mostrando meu processo de digerir essa data ao longo dos anos, que insistimos em chamar de "comercial", mas não deixamos de nos pegar (uma hora ou outra) pensando que seria uma coisa bem legal estar com alguém, trocar presentes e coisinhas românticas etc e tals na porra desse dia! Certo? Então está certo.


Dia 02 de Junho de 2012, eu postei essa foto (acima) de dois rapazes segurando suas mãos com a legenda "…um dia chegará minha vez"; quatro anos se passarem e mais um Dia dos Namorados sozinho. Será que posso dizer que 'minha vez' não chegou?! Será que 'minha vez' vai acontecer um dia?

E quando eu me percebo questionando essas coisas, me lembro de um amigo que um dia me disse que não me via como um ser amável, ou melhor, ele não me via alguém para ser amado; segundo ele, eu sou 'demais', eu falo alto demais, eu tenho opinião demais, eu explico demais, detesto demais, amo demais e isso não iria permitir que alguém estivesse ao meu lado, essas características que fazem eu ser o que sou, na visão dele seriam algo que me impediria de ser amado por alguém. Admito que acreditei muito nessas palavras por bastante tempo, ele nem deve lembrar que me disse (duvido até que lembre o que almoçou hoje) mas até hoje tento me libertar dos efeitos do verbo sob mim, não é fácil.
E meu mecanismo de defesa é o silenciamento, eu digo para as pessoas que elas estão livres (elas estão de fato), mas a verdade é que existe uma voz lá no fundo da minha cabeça dizendo que eu não presto para ser amado por ninguém; Sendo assim não resta muito o que fazer além de deixar as pessoas passarem. O mais interessante dentro desse movimento é perceber que por mais que eu tente me blindar de certas situações, elas tendem a se repetir; Um ciclo. No entanto o ciclo do qual eu preciso me libertar é o meu próprio ciclo.

Será mais um Dia dos Namorados sozinho, mas a verdade é que eu espero que o amor não seja para sempre, para mim, apenas um verbo conjugado no futuro (inatingível) ou no passado (uma memoria nunca vivida).

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pais, Filhos, Gays e uma tal de Alteridade

Como se não bastasse todas as lutas e riscos que nós gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais e transgêneros corremos todos os dias, em tempos de Jair Bolsonaro e Ana Paula Valadão discorrendo todo seu ódio contra a comunidade LGBT, e influenciando milhares de pessoas ao redor de todo o Brasil, levando boa parte do povo brasileiro a acreditar de verdade que a homossexualidade e questões de gênero são algo negativo, desprezível e humilhante; acredito que seja bastante necessário divulgarmos e enaltecermos toda e qualquer ação que seja de repudio a tais atitudes, principalmente se isso acontece dentro das reais famílias brasileiras.

Eu venho compartilhar essa história sem nenhum intenção de autopromoção, mas simplesmente por sentir necessidade de contribuir positivamente com o buzz em relação ao esforço diário de mostrar para a sociedade brasileira que ser homossexual e/ou transsexual não é de maneira nenhuma degrinitório.

Bem, tudo começou quando eu estava no grupo LDRV do Facebook e uma das tour  (post) do grupo era alguém divulgando o fato do Brandon Dias (foto abaixo) ter compartilhado uma imagem de si usando um vestido como forma de debate e critica contra o machismo e os padrões de normatividade impostos socialmente aos homens (homossexuais ou não); lindos, inclusive (o Brandon e o vestido).


Como é sempre de se esperar (infelizmente) sempre tem alguém no meio do rolê para causar aquela contenda… e nesse caso, foi o tio de Brandon, o Sr. Paulo Roberto, que veio cagar na história e resolver comentar no post do sobrinho, seu repudio à atitude fora do padrão que ele não acredita ser o modelo de masculinidade esperado, ele comentou:


A coisa toda tomou um rumo ótimo quando Brandon resolver comentar a foto, numa tentativa de desconstruir o pensamento do tio machista, dizendo que uma peça de roupa (dita) feminina não altera em nada sua masculinidade (nem dele, nem de nenhum outro homem), o que é bem verdade, já que esse conceito de gênero foi agregado à vestimenta pelo cristianismo (após a morte de Jesus Cristo) que transformou em 'pecado' tudo que podia em seu caminho. Brandon disse:


O povo do bem é forte! Logo em seguida veio o comentário de o Sr. Weliton, o pai de Brandon, que desaprovou a critica infundada do tio; ele rebateu:


É neste ponto que eu entro na história; minha realidade social/emocional com meu pai é nenhuma realidade. Em agosto de 2016 eu farei 30 anos de idade e há 16 anos meu pai e eu não temos uma relação de amizade, ou qualquer dialogo minimo; aparentemente o motivo é minha evidente e orgulhosa homossexualidade assumida numa cidade de pouco mais de 18 mil habitantes perdida no do Sudoeste da Bahia.
O comentário de Sr. Weliton ecoou tão fortemente em meu coração e de tantas maneiras positivas por me fazer entender, que mesmo não sendo minha realidade há diversas famílias ao redor do Brasil que dão suporte às decisões de seus filhos, no sentido de assumir sua identidade sem se importar com os padrões estabelecidos socialmente. Eu me emocionei e fiz o seguinte comentário:


Esse foi meu comentário mais sincero. Eu expus minha situação familiar para milhares de pessoas ao redor do Brasil porque preciso me curar emocionalmente, eu preciso continuar acreditando que estou no caminho certo, que há esperança e que se nós, seres humanos, começarmos a aplicar o sentimento de alteridade e entender que a existência o 'eu' de forma induvial, só acontece por meio da conexão com aos outros, que estamos todos ligados e o que acontece com um, reflete em todos tudo pode mudar para melhor. A alteridade implica que cada um indivíduo é capaz (ou deveria ser) de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes, sendo assim, partimos do pressuposto básico de que todo o humano social interage e interdepende do outro (independentemente de parentesco familiar). 

Seja como for, essa história antes de acabar ganhou um capitulo maravilho; mesmo me sem conhecer pessoalmente o Sr. Weliton e sua postura tão de tamanha alteridade, empatia, inteligente, humanidade e dignidade, passei a condoerá-lo, uma especie de herói, um modelo a ser seguido. Pois ele, mesmo sem precisar me enviou uma mensagem privada de solidariedade. Leiam:



Meu sinceros sentimentos de amor e reciprocidade ao Sr. Weliton e a todos os outros pais, mães, avós, tias, tios, primos(as) e amigos que todos os dias quebram paradigmas impostos e questionam imposições religiosas, sociais e não fazem nada além de amar. O mundo precisa de mais pessoas como você. Meu muito obrigado.

Você pode conferir essa história clicando aqui.




P.S: não acredito que esse texto irá mudar minha situação familiar com meu pai, nem cogito a ideia de que ele irá ler essas palavras. Tudo bem, mas que fique registrado que eu sou uma pessoa do bem, independente dele ou de minha condição sexual.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ESCROTO! ou A Babaquice pode Transformar.

Preciso desabafar uma coisa! Posso? Deixa eu contar isso então...

Long story short: 
Ontem eu estava caminhando no calçadão do Farol da Barra conversando com um amigo e vinha esse menino (com a amiga dele) caminhando em nossa direção, eu me distrai com alguma coisa▲e não tinha visto o tal rapaz ainda; meu amigo me cutucou para eu retornar ao planeta Terra e prestar atenção no tal boy, na hora eu me concentrei no cutuque e dediquei um olhar ao rapaz, meu olho foi direto no olho dele e ele olhou para mim em reposta; naqueles segundos seguintes que nos cruzamos pareceu que houve uma conexão (talvez tenha tido) em minha cabeça havia acontecido algo reciproco.

Para ser bem sincero, eu tenho (tinha) esses complexos com aparência; não é sobre ser ou não bonito, mas sobre me sentir bonito ou desejável, por mais que as pessoas digam que tenho uma boa aparência e tals, eu não sinto (sentia) que sou (era) alguém que poderia despertar o desejo de alguém. Por conta disso, eu tenho (tinha) bloqueios automáticos de autossabotagem quando percebo (percebia) que alguém pode demonstrar interesse em mim.

Depois de alguns metros caminhados, me questionei: "não vou fazer nada e vou deixar esse cara passar? Será que eu sou tão ridículo para me permitir a uma situação tão lastimoso de autossabotagem como essa? o que tem de errado comigo? NÃO TEM NADA DE ERRADO COMIGO!"
Não sei o que mudou em mim, só que olhei para trás (eu nunca teria feito isso antes) e ele estava olhando também.
Eu olhei para trás de novo (uma coragem tomou conta de mim, que sensação boa) e ele estava olhando de novo, fato que me deu mais determinação de olhar ele outra vez (plim plim plim estava me sentindo muito vencedor por estar conseguindo olhar para trás, por que de verdade, eu nunca faria isso, nem a primeira vez) e para minha surpresa, ele (e a amiga) estavam olhando mais uma vez.

Eu parei no meio do calçadão! (era com se tivesse ganhando um Oscar). 
Ele parou.

Dei o primeiro passo, parei. Meu amigo atônito, perguntou: "você vai ter coragem de ir?"
Eu disse: "vou!"
Fui. Ele veio ao meu encontro também.

Aquele metros que nos separava nunca pareceram tão distantes, eu me sentia meu estranho, como se meus braços e minhas pernas fossem mais longos do que o normal e eu estava desengonçado.
Eu tremia.
Quando eu cheguei perto dele, sorrimos, a mão estendeu para um cumprimento forte, mãos macias. Olhando um para o outro, um não saber o que dizer.
_Meu nome é F.
_Tudo bem? Sou Jarbas.
_Tudo bem, Jarbas. Vamos trocar número?
_Vamos.

Com os dedos trêmulos, anotei o número dele no celular.

_Me manda mensagem no whatsapp. tá?
_Mando sim.

O coração era uma bateria na Sapucaí.

_Até mais então.
_Até.

Olhos nos olhos. Sorriso e mais um aperto de mão forte. Nos despedimos.
Voltei ao meu amigo e fui comer um acarajé.

Mais tarde, quando cheguei em casa (para não parecer tão desesperado) mandei mensagem para o celular dele. A imagem abaixo ilustra o que houve.

Clique na imagem para ampliar para conseguir ler (e não seja essa pessoa)

Bem, esse foi o desfecho da história com o menino. No fim, ele tinha "ado" (que tipo de gente vulgar chama namorado de "ado"?) era só mais um babaca da vida, disfarçado de um sujeito bacana, que achou divertido paquerar alguém na rua, alimentar uma suposta situação que ele sabia que não iria para frente e diante de tamanha pobreza de espirito, não há muito que explorar da situação. Eu não faria isso que ele fez para alimentar meu ego, e não recomendo que façam porque simplesmente não é legal agir dessa maneira.

Poderia ter mando ele tomar no meio do cu depois disso? Sim! Mas preferi evitar o desgaste. F. não sabe, mas ontem, ele transformou minha vida de uma maneira imaginável e quanto a isso, eu tenho muita gratidão. F. que eu achei bonito, que despertou meu desejo, que me fez sentir conectado e que estimulou a quebrar paradigmas que um dia eu imaginei que nunca conseguiria superar me ajudou muito mais do que qualquer psicologo ou terapia. 

O click foi exatamente esse: eu tenho tudo! Mesmo não sendo capa da Men's Health, eu não tenho nenhuma deformidade no corpo ou um calombo na cara e mesmo que fosse o próprio Quasimodo (e daí?) isso não importaria. Cada pessoa é perfeita à sua maneira!
Eu tenho um trabalho, tenho graduação superior, falo mais de uma língua, sou inteligente, sou bem humorado e divertido, sei me comunicar com as pessoas, sou independente, tenho bom gosto para música e gosto de série de TV, leio mais de cinco livros por ano, sei falar sobre fotografia, cinema, MC Timbu (o das duas bucetas) a Baby Consuelo e Elis Regina, sei quem foi Franz Kafka e já citei Clarice Lispector e ouço Britney Spears... sendo assim, o que me impede de ser feliz além de mim? Se temos tantos predicados, por que fico me boicotando o tempo todo?

Percbi que para mudar qualquer situação é preciso querer, a gente precisa se permitir e se impor; reconhecer que somos merecedores de coisas boas como qualquer outra pessoa do mundo; se conhecer, ter pés no chão, saber onde está e não se deixar levar por pessoas (e pensamentos) levianos. A gente precisa se amar mais! Se fulano ou beltrano não gosta do que eu tenho a oferecer, o problema não esta comigo, o problema (se é que podemos chamar isso de problema) está com a pessoa. É importante ressaltar que nós não temos controle sobre o que os outros pensam, e se eu não tenho controle, não é minha culpa. Dá um alivio entender que não podemos assumir pra gente o que é dos outros.

Miga, de ontem em diante sou outra pessoa!
Ah, uma última dica: NÃO SEJA ESCROTO! Tá? Então tá bom.




▲ Só para você saber que eu me distrai com uma gay que estava de patins que as rodinhas era de neon. bicha, NEON! aquilo brilhava tanto que não teve homem certo para prender minha atenção.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vai procurar uma...

"O inimigo do meu inimigo é meu amigo"
Proverbio (dito) Árabe. 

Vivemos em temos estranhos. De repente surgiu diversos motivos para atacar uns aos outros e disseminar o desconforto de toda essa agressividade nas redes sociais, que intensificaram as tensões no platô de guerra midiático virtual. 

Não é novidade para ninguém a crescente (e já chata) pseudo batalha entre evangélicos e a comunidade LGBTT (e o resto mundo laico e com o mínimo de discernimento para entender que os tempos são outros e que nada é fixo na História, nem mesmo “o Criador” de tudo). Sendo assim as farpas são trocadas todos os dias e o foco principal de um lado que seria divulgar o amor de Jesus Cristo, Nosso Senhor; do outro reivindicar visibilidade e direitos civis legítimos (que é sempre bom salientar que não tem nada haver com a religiosidade de ninguém, já que “dê a César o que é de César e dê a Deus o que é de Deus”) para criar uma eterna contenda entre as partes, causando o maior furor nas redes sociais que no fim não leva a lugar algum, já que essas discussões também não surgem algo realmente tangível ou se quer inteligente.


Estamos acompanhando a recentemente troca de farpas entre o jornalista Ricardo Boechat e o (dito) pastor Silas Malafaia, tudo começou quando o jornalista resolveu responder aos intempéries do pastor quando o mesmo publicou no Twitter que o Boechat estava "falando asneira" quando disse na rádio que "os pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância", o que na minha opinião é uma grande verdade.

Ricardo não deixou barato e em resposta, disparou “Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia e agora vai querer me processar. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”, um tanto deselegante e desnecessariamente violento, eu diria. Bastou isso para a frase “vai procurar um rola” virar o novo meme da internet. Agora é cool mandar alguém procurar uma rola.

Foge, rola! É uma cilada!
Repare que a coisa está tão bagunçada e as pessoas estão tão fartas desse senhor Malafaia que poucos perceberam que Ricardo Boechet, na essência também está sendo homofóbico em sua declaração, “vá procurar uma rola” aqui é posto como algo ruim, um tipo de punição a Malafaia. 
Desde quando rola é algo ruim? Sejamos francos, nós vamos sim, procurar uma rola, não por que é imposto tal comportamento, e todo gay tem que ser ‘caçar’ de rola. Eu digo a vocês, ao senhor Ricardo Boechet, Silas Malfaia (eca!) e a tantos outros que eu vou sim procurar uma rola e não por que é meu castigo, e não me sinto envergonhado, eu vou procurar uma rola por que eu gosto e não vai ser nenhum de vocês que vai me fazer sentir mal por isso. Sabem porquê? Por que ninguém nunca chegou até mim para dizer: “ah, vá procurar uma buceta!” como se fosse algo ruim, muito pelo contrário, a frase já veio aos meus ouvidos como forma de concertar a sexualidade que dizem estar com defeito (mesmo sem estar). Sei que tempos onde tudo está confuso, talvez nós gays estamos com medo de estar sozinhos nessa dita batalha, e por isso qualquer um vira amigo, mas bem sei que nem sempre o inimigo de meu inimigo será meu amigo. 

E cá entre nós, se eu fosse a rola, e fugiria de Silas Malafaia. Vou te contar...

sábado, 17 de janeiro de 2015

põe a cara no sol, mona!
põe a cara no sol, querida!
aceita gay, é pra poucas a cara no sol, mona!
bicha bonita não se esconde, mostra o rosto, a feminilidade.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Sobre essa gente"

E de repente um “amigo” resolve compartilhar aquele vídeo que os meninos heterossexuais cantam o sucesso “Robocop Gay” da extinta banda Mamonas Assassinas para o Pastor Marco Feliciano num avião, como comentário pessoal estava a frase: “Esse vídeo diz tudo sobre essa gente!”.
Dentre a mistura de sentimentos que é ver tal atitude, entre a revolta e incredulidade que alguém que te conhece pessoalmente, sabe de suas capacidades e sua integridade social e humana, alguém em algum momento compartilhou com você uma conversa, um cigarro ou um copo de cerveja, dizer “sobre essa gente”.

Que gente é essa?

Essa gente, meu caro amigo são trabalhadores e pagantes de impostos tanto quanto você, essa gente está em todos os lugares, essa gente participa de sua vida (direta ou indiretamente). Essa gente são pais de família, são mães, essa gente acorda cedo, estuda, se diverte, tem sonhos e muitas vezes não podem vive-los por conta de pastores, como esse senhor Marco Feliciano, que usa da imagem pública para disseminar o ódio e através dele, amigo, causar cada dia mais e mais violência física e psicológica contra essa gente que você diz ser lamentável existir.

O que você talvez não saiba, amigo, é que os rapazes do vídeo não são gays, eles não são “essa gente”, eles são heterossexuais, eles gostam de mulher tanto quanto você gosta, mas diferente de você eles são humanos e acima de tudo compreenderam que apoiar a causa dos Direitos Civis dos homossexuais não quer dizer que eles sejam homossexuais também, mas significa que são conscientes que o Direito é para todos, incluindo nós, essa gente, que não é o padrão que você acredita ser o modelo “normal” para ser seguido. Eles, amigo, perceberam o quão errado está o mundo e tentaram de uma maneira divertida protestar contra as barbáries que esse pastor (e os seus) vem incentivando ao logo dos anos.

Se você acha lamentável o que eles fizeram, eu posso lhe passar uma lista gigantes (que não me orgulha em saber que existe) de centenas de jovens, adolescente e adultos que são todos os dias massacrados nas ruas, escolas, trabalho e pior, dentro de suas próprias casas, com violência física e psicológica. Lamentável, amigo, é ser assassinado por ser gay, lamentável é ser acertado por uma lâmpada na cara por andar de mãos dadas na rua ou ser “convidado” a se retirar de um estabelecimento por estar acompanhado de uma pessoa do mesmo sexo. 

Lamentável é sua atitude.

Você ainda diz que “Infelizmente cada um só vê o que lhe convém!”, neste ponto eu concordo muito com você, porque você está vendo o que lhe convém, você acredita que a música cantada para o tal pastor é um ataque, mas ataques maiores existem e eles destroem a integridade de toda uma comunidade. Mas não pense que gays são vítimas, porque nós não somos e a maior prova disso é ver (e viver) que mesmo diante de tanta coisa errada, tanta coisa ruim, continuamos a colocar nossa cara aí fora no mundo, enchemos o peito de ar e erguemos nossas vozes para gritar ao mundo inteiro o quão orgulhosos somos por seremos gays, viados, bichas, boiolas, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, transgêneros e tudo quanto é coisa que tiver no meio dessa deliciosa festa colorida. Sabe porquê? Por que é muito bom quanto a Coca-Cola é Fanta.

E a você eu, Jarbas Ribeiro Bahia, 28 anos, Designer de Moda, nordestino, homossexual assumido (e orgulhoso disso) peço apenas uma única coisa: me deleta da sua vida (real e virtual), você não tem o privilégio que eu lhe chame de amigo. Obrigado.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

história 208: abre teu olho, japonesa!

Cá estou eu solteiro... e agora com smartphone em mãos e internet 3G disponível, e nessa minha onda de experimentação resolvi entrar num desses Appde relacionamento [leia-se pegação gay]. Depois de uma curta pesquisa entre meus amigos e uns contatos do WhatsApp descobri qual era o mais popular [e que tinha menos gente baixo astral _teoria que vai cair por terra após essa história]. Baixei o tal app, fiz meu cadastro, fotos e tals... Minha gente, tenho que dizer: que mercado de carne, né?! Um uni-duni-tê de peitorais, pernas, bundas e pirocas que só Deus para ter misericórdia _preciso entrar numa academia! E Quanta gente pretensiosa e mal educada! O que mais me impressionou foi a quantidade de exigências, padrões e ultimatos que de maneira nenhuma atrai alguém, mas repele. Mesmo assim resolvi deixar ali o perfil, já que eu não tive coragem de tomar a iniciativa de começar um papo com ninguém.

“Vai que alguém se interessa”, pensei.

Bem, pouco mais de 2 ou 3 dias um tal de Junior veio falar comigo. Sem foto de rosto, papo agradável, bem humorado... a coisa toda evolui, fomos ao WhatsApp... foto para lá, foto para cá, me chamava de ‘meu príncipe’, manda mensagem de bom dia, boa tarde, boa noite... uma atenção jamais esperada e aqui na carência pós termino, comecei a realmente considerar a possibilidade de conhecer esse menino, mas baby Jesus sabe de todas as coisas e no dia que eu poderia encontrar com ele, tive que viajar. Oh pena de mim! Quando voltei a cidade mais complicações não me permitiram encontrar com o boy, até parecia que a vida estava dando um jeito de que não cair em tentação... e falar para a senhoras a piroca do boy era bem bacana, porque sim, ele mandou fotos e vídeos para eu ver. Quem morreu foi Whitney!

Enfim, depois de uma dia de trabalho, um bom banho, cá estava eu olhando as atualizações...

BAM!! Junior coloca foto de rosto no WhatsApp... até então só foto de Charlie Chaplin.

BAM!! Vou para o Facebook e no feed de notícias aparece um Pedro [nome real trocado porque não tô afim de ser processado] que eu nem sabia que estava entre meus contatos, com seu namorado... um casal tão amável e apaixonado, fotos, declarações de amor, poesias, textos, trechos de música... tão emocionante, né?! Seria se o tal Pedro, como vocês já devem estar imaginando, não fosse quem? Quem? Quem? CLARO! O Junior do app de pegação gay. Sim, meu povo brasileiro, Pedro e Junior não eram irmãos gêmeos gays tipo, Miloh e Elijah Peters, mas a mesma pessoa.

Aquele Junior que me chamava de príncipe, que me acordava com mensagem de bom dia, que elogiava meu jeito de se expressar, minha forma de ver o mundo... aquele mesmo dizia que estava louco para poder me ver, me beijar, tocar minha pele e transar comigo feito dois animais selvagens na savana africana, na verdade não existia, porque ele é Pedro. E Pedro ama seu namorado, Pedro cita trechos de músicas românticas, usa o status como “fool in love” [bobo de amor] que eu jurava que era por mim, mas não era. Pedro namora, Pedro fala de cumplicidade, mesmo não sabendo o significado desta palavra e o peso que ela exige para ser usada. Pedro, na verdade é um canalha! E Junior não existe.

Junior é um personagem, um herói inventado e eu não quero um herói, porque não sou vítima e não preciso ser regatado da boca de nenhum dragão, o que eu preciso é de alguém que seja autentico, que tenha suas limitações, seus defeitos e segredos, mas não se esconda atrás de uma máscara, uma camada de falsidade tão espessa quanto asfalto grosso em chão batido. Porque mesmo o asfalto pode ser arrancando com uma chuva forte e não há máscara que um dia não caia, não há mentira que não seja revelada... é nisso que eu acredito. Eu acredito em tudo isso, mesmo se tratando de casualidade, porque mesmo que fosse um sexo casual, não significa que precisa ser banalizado.

E antes que essa história/desabafo termine, queria deixar claro que não estou criticando o uso de apps de relacionamento, nem mesmo as pessoas que estão lá _até porque meu perfil ainda existe_, mas que seja esse um alerta _tanto quanto foi para mim_ que é necessário ter mais conhecimento sobre as pessoas com a qual nos relacionamos para não passar por essas situações constrangedoras e desagradáveis _ou que fique tudo no anonimato, já que a ignorância é uma benção. Não vamos nos deixar levar por um momento de carência e falta de afetividade... nunca se esqueça que nós merecemos ser protagonistas de nossas próprias histórias, e ‘a outra’, como o nome já diz, é apenas ‘a outra’. Não aceite ser coadjuvante, quando você merece um Oscar por ser quem você é. 

E o que mais me entristece é que Junior continua por ai, enganando outros, fingindo ser sensível e atencioso para conseguir sexo. E não há muito o que ser feito, há não ser certificar-me cada vez mais que estou no caminho certo sendo honesto com os outros e principalmente comigo.


E fica apenas uma dica: abre teu olho, japonesa! Vou te contar...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

S é para Simpatizante ou a Heterossexualidade ainda existe

Um amigo heterossexual convicto, que eu poderia dizer para qualquer pessoa que não tem problema nenhum em conviver com gays [sou prova viva disso] veio me relatar que teve problema ao conhecer o meio gay de um outro amigo dele. Esse outro grupo teima em dizer que ele é gay devido a tamanha tranquilidade dele ao redor de gays... Entenderam? Não receber aquele olhar enviesado, não ser observado com descaso ou ser alvo de comentários está incomodando, quando, num mundo normal esse comportamento deveria ser encarado como o padrão, mas não... a tranquilidade de um hetero ao ver dois caras [ou duas meninas] se beijando ou falando de ‘coisas gays’ está incomodando quando deveria ser o contrário.

Dá para entender?!?

Será que ficamos tão acostumados ao preconceito que nos viciamos em ser destratados? Diante de tantos questionamentos que veio em minha cabeça ao ler os relatos de meu amigo, eis que surgiu a pergunta: “Jarbas, gays tem preconceito com pessoas que não tem preconceito com gays?”

Admito que a pergunta me acertou como se fosse um tijolo vindo do nada. Temos? Não temos?

Para meu amigo não tive muito tempo para elaborar uma resposta, mas disse o que realmente acreditava, já que esse assunto tinha passado por minha cabeça antes. Eu creio que neste caso [que não são raros] o que existe, talvez, não seja preconceito, mas um admiração mal focalizada, ou mal interpretada por parte dos gays. Analisemos pela máxima que a maioria dos homossexuais deseja ter ao seu lado aquele "macho" padrão de masculinidade que [quase] todos esperam, o velho “macho VS macho”... Ooh, eu sou homem e gosto de homem jeito de homem. MEO KOO! E esses heterossexuais, que na falta de um adjetivo melhor, poderiam ser chamados de “simpatizantes" [sem ter aqui pouca alcunha sexual] ocupam exatamente o lugar desse sonho, ou seja, eles estão no meio dos gays, não se incomodam com o jeito gay, sabem coisas gays, e acreditem vocês NÃO SÃO GAYS… e não são mesmo. Ser simpatizante não significa que eles estão dispostos a transar com um cara [eles podem até estar, mas isso é outro texto, outro grupo a ser analisado] ser simpatizante significa que eles perceberam que o quão lascado está esse mundo com tanto Bolsanaros e Felicianos e acreditam que esses caras [e pessoas que pensam como eles] tem [muita] merda na cabeça ou um grande trauma sexual a ser analisado urgentemente por não compreendem que garotos podem gostar de garotos, garotas podem gostar de garotas, tanto quanto garotos podem gostar de garotas. E isso não interfere na vida ou na capacidade físico intelectual de ninguém! Amigos gays parece assustador, mas existem homem que não estão interessados no anus de vocês. 

A história não para por ai, meu amigo ainda disse que uma das meninas do grupo, que é lésbica, disse que “não existe heterossexualidade”. Coitada! Será que ela imagina o quão imbecil essa frase soa?! Isso me recorda a frase de alguns amigos gays, que teimam em declarar: “não existe heterossexualidade, existe cantada mal dada” e alguns ainda acrescentam “...ou a quantidade de álcool errada”. Essa é uma ideia que desacredito sumariamente, categoricamente... eu digo mais, quem acredita nesse tipo de ideia torta tem pouco [ou nenhum] conhecimento sobre sua própria história ou a história da humanidade. Sim, queridos, existe heterossexualidade. Essa menina, infeliz em sua declaração, não sabe, mas foi a heterossexualidade que ela nega existir que a trouxe a vida, foi a heterossexualidade que permitiu que ela tivesse mais vaginas e peitos para chupar.

Não desacredito que existam heterossexuais por ai dispostos a ficar com gays, apenas dispenso a ideia de quem todos os heteros podem “cair em tentação”. Sugiro um pouco mais de pesquisa, um pouco mais de leitura e para facilitar a vida de muita gente, sugiro que pesquisem sobre a “Escala Kinsey da Sexualidade”, vocês vão perceber que entre um indivíduo exclusivamente homossexual até um outro exclusivamente heterossexual existem várias nuances. E sendo nós gays aqueles que levantam a bandeira do arco-íris nós deveríamos entender isso melhor do que ninguém, porque entre aquelas cores existes vários tons e entretons. O que nos falta, queridos, é aprender a respeitar as fronteiras.


Quem você é na Escala Kinsey da Sexualidade?

sábado, 27 de julho de 2013

Padronização do sexo gay [?]

[texto publicado originalmente em 20 de maio de 2013]

E de repente você escuta um dos seus amigos (gay) falar que o melhor séria que todos os outros gays fossem assim... Versáteis!

– Oi?

T-O-D-O-S? Não, não né?!

Não concordo e não confirmo a uniformidade do “bando” (ou “comunidade LGBT” X Y Z se preferem ai-ai) que todo mundo fosse desse jeito que eles julgam ser o tal molde perfeitinho de comportamento sexual gay... acho até meio ficção demais essa história de ver todas as bichas dando e comendo numa linda festa de confraternização. Conversa mole, conversa para boi dormir!

Mas a gente sabe que na hora vamô-ver na grande maioria dos casos a química não funciona nem um pouco assim. E aceitando ou não (aceita que dói menos) existem sim os que são passivos e os ativos... e os versáteis! Não estou aqui para supervalorizar nenhum dos grupos, muitos menos menosprezar o outro, mas não aceito senhora ninguém vim me dizer que “só dá para ser feliz se for versátil”. Ao longo da vida através das experiências que permitem a autodescoberta escolhas são feitas e cada um percebe o que me mais agradava no sexo (seja lá o que “agrad
ar” signifique para vocês). Pronto! Só isso e para de complicar.

Você tá doida, querida?! Lá eles com esses conformismos padrões de perfeição disso e daquilo... eii, o avesso às vezes da certo. Aceitar que só se é completo quem dá e come numa relação, séria, a meu ver, acreditar que só os gays que não tem trejeitos (sejam esses trejeitos mais femininos ou mais masculinos) não sejam capazes de se encaixar nesta dita “sociedade homossexual”. até porque os trejeitos vem arreigado de forma básica a essas preferencias sexuais. Padronizar deveria ser pecado! Cá entre nós, tem ai quem nunca levou um Pit Bull pra casa e na cama ele virou Lassie?! (ou ao contrario) chato, chato... sabemos. Mas esses são os percalços que nos permitem ter boas histórias para contar.

dá para ser passivíssima e ser feliz

tem como ser ativíssima e ser feliz

e as versatilíssima não tem do que reclamar (beijos, obrigado).

vamos aquietar com isso! Melhor deixar de besteira e entender que gostar de ser penetrado ou gostar de penetrar (e/ou ambos) não te prejudica em nada e que o importante mesmo é estar satisfeito na relação que você escolheu para si.
Apenas não acho justificável nenhuma tentativa de padronização... não, não... comigo não!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os Que Crescem VS. Os que Aparecem

Quando se trata de sexualidade a dinâmica masculina é bem simples: quase tudo se resume ao pênis. Nem todos vão admitir isso, obviamente, mas a maior preocupação de um cara está na saúde física e psicológica de seu pênis. Psicologia peniana sim, porque a cabeça de baixo muita das vezes pensa mais do que a cabeça de cima... e digo mais, pode até deixar a cabeça de cima bem maluca.


Muito se fala de pênis, seja seu tamanho, sua grossura, sua potência ou sabe-se lá Deus o que mais pode-se associar ao dito cujo. Não entendo o porquê das pessoas ainda insistirem em mentir que “tamanho não é documento”, coisa que eu discordo e digo mais, é documento sim. A maioria de nós homens somos condicionados (principalmente por acreditar que a vida dos filmes pornôs e seus homens-cavalo é uma vida real) a querer um pau gigante.

Algumas (muitas) meninas e meninos querem chupar um pinto grande, foder com um pinto grande, ter um pinto grande para chamar de seu. Porém um “pau de jegue” não garante (em hipótese nenhuma) uma performance sexual satisfatória. Ouço relatos constantes de pessoas que foram “vitimas” de um senhor pau grande que não servia de nada, não por ele ser um pau grande, mas porque o dono achava que apenas o fato de ter tronco de Jacarandá entre as pernas se bastava e não, não basta. .


...e de pau mole quem curte?

Parece que a confusão sobre o cacete acontece mesmo quando o menino tá duro. Porque segundo pesquisas do “The Kinsey Institute for Research in Sex Gender and Reproduction Inc”(Indiana, EUA), notou-se que existem dois tipos de paus flácidos no mundo (SÓ DOIS?!), eles são classificados entre “growers” que eu chamo de “os que crescem” e “shower” que eu titulo de “os que aparecem”. Explico:

- GROWER: também conhecido como “pau magia maravilha”, ele é aquele membro que você olha antes de ficar duro e não dá nem R$1,50 por ele, mas quando o bicho cresce chega a triplicar de tamanho. Sim, moçada o growers são comuns entre os homens e não condizem realmente com o tamanho flácido com o tamanho ereto. Segundo o Instituto Kinsey _que ouviu cerca de 4 mil homens durante a pesquisa_ um pênis mole com cerca de 10 cm pode atingir até de 17 cm _ou mais_ quando estiver duro, ou seja, quase 70% de crescimento... é mais lucrativo que a Bolsa de Valores, gente! Então, sabe aquele boy que você dispensou só porque não tinha um volume melancia na calça?! Pois é, chora porque poderia ser um grower dando sopa para você.




- SHOWER: o pau shower é também (por mim) chamado de “pau pavão” porque ele é de encher os olhos, são exibicionistas por natureza, é tipo de pinto que muito homem gostaria de ter... todo shower é grande (isso não dá para negar), porém só quando está mole *TODAS CHORA* isso mesmo, nem se anime muito com shower porque, ainda segundo a pesquisa do Kinsey, um pênis do tipo shower que mede por volta de 14 a 16 cm quando flácido permanece com o mesmo tamanho ou aumenta cerca 2 cm quando ereto o que, ao meu ver, não é tanta vantagem assim, a não ser visualmente _é obvio.

Bem, bem, bem... essa é aquela hora que a gente analisa em qual dos dois grupos pertence ou se o boy da vez é “grower” ou “shower”... É claro que existe muito anão se fingindo de gigante por ai e vice-versa, mas seja lá qual for a sua classificação, penso que a lição é não julgar antes de todas as coisas estarem em seus devidos lugares. Seja você TEAM QUE CRESCE ou TEAM QUE APARECE o importante é saber usar a ferramenta... por que olha, nada mais deprimente do que ter um brinquedo (seja grande ou pequeno) e não saber usar.



fotos por Erwin Olad para Linda Magazine (via Homotrography).