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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A tal "atitude Paulo Gustavo"

Antes de qualquer coisa deixa eu dizer que esse texto não é um ataque pessoal ao humorista Paulo Gustavo, mas é uma critica, sim, a "atitude de Paulo Gustavo", só calhou de ser PG, mas poderia ser qualquer outra pessoa; então fãs, não queiram me matar (se algum fã estiver lendo). É sobre algo muito maior que Paulo Gustavo que escrevo. #PAS!


Então, vamos falar sobre a tal "atitude Paulo Gustavo", que infelizmente não é exclusiva dele, tá?
Recentemente li a noticia que o humorista Paulo Gustavo e seu marido Thales Bretas receberam ataques homofóbicos numa de suas fotos nas Ilhas Maldivas (très chic!); indignado Gustavo foi para o Stories do app Instagram e fez uma sequência de videos, no qual ele declara sua aversão aos ataques homofóbicos e finaliza a fala com:


"Para vocês que são preconceituosos e estão aí me seguindo: eu ainda vou fazer muita viagem esse ano, vou postar muitas fotos com o Thales, porque eu vou ser viado até o último dia da minha vida e vocês vão ter que respeitar"


Então, até aqui tudo bem. Certo?! Não tem nada certo.

Esse é o mesmo Paulo Gustavo, que meses atrás estava dando entrevista dizendo que achava "chato levantar algum tipo de bandeira LGBTQ+", como se ele fosse uma outra classificação de gay; aquela que não se mistura; intocável; a dona; inventora da militância silenciosa; "existir é minha resistência". Vá pra plantar batata no asfalto, né?! Mas é compreensível que essa linha de pensamento vindo de pessoas-paulo-gustavo ou melhor, pessoas que estão dentro do mesmo sistema de privilégios que Paulo Gustavo está inserido. Por ser ator, pessoa publica, branco, rico etc. é impossível negar que o nível de aceitação da homossexualidade de Paulo é maior, a homofobia que ele passa (se é que passa por tanta homofobia assim) é completamente diferente se caso ele não tivesse dentro do sistema singular o qual pertence (e não tem nada de errado em pertencer). Porém, não é aceitável que essas pessoas-paulo-gustavo não entendam que nem tod@s @s pessoas LGBTQ+ não estão vivendo o mesmo grupo beneficiado. Não é concebível que essas pessoas não percebam e reconheçam o quão grande é o alcance da voz delas e/ou quanto elas podem contribuir positivamente para toda uma comunidade, que está sendo massacrada diariamente. Em quanto Paulo Gustavo se enraivece por receber comentário homofóbico em rede social, mas não solta um peito pra ajudar na causa dos Direitos Civis LGBTQ+, ou realmente contra a homofobia tem uma pessoa morrendo a cada 25 horas por ser LGBTQ+.

Quantos heterossexuais conhecemos que foram assassinados por serem heterossexuais? NENHUM! 

Por isso é muito indignante perceber que alguém externo teve que explodir a bolha de privilegio de Paulo Gustavo, para que ele percebesse que existe sim uma violência contra o homossexual no Brasil; ou talvez, nem tenha percebido nada. Repito que não podemos esquecer que a cada 25 horas morre uma pessoa por homofobia neste país, não podemos fechar os olhos para a barbárie que acontece com as transsexuais e travestis ao redor dos estados brasileiros; lembremos de Dandara que foi assassinada brutalmente a pedradas e pauladas no Ceará. E teve gente que filmou!! Gente que ao ver um outro ser humano sendo espancado até a morte e a decisão daquela pessoa foi filmar um assassinato brutal ao invés de ajudar. Vocês conseguem imaginar que existem pessoas que consideram legitimo o ato de matar alguém por causa de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero!? Eu não.

Então, vá para puta que pariu a "atitude Paulo Gustavo"!! Por que em quanto ninguém tinha mexido no conto de fadas das férias nas Ilhas Maldivas, era chato levantar bandeira. No entanto quando alguém perturbou a paz das águas cristalinas do Oceano Indico a indignação veio forte e a militância vai ser aguentarmos mais viagens e fotos de um casal homossexual padrão, cis, branco, rico e privilegiado ao redor do mundo; e pensar que poderiam fazer mais, muito mais.

sábado, 12 de maio de 2007

[história 010: Homofobia já era!]

Quando é necessário, nós temos que parar [infelizmente] com as piadas e histórias engraçadas e falar serio. Prestem atenção no que me aconteceu dia 31/03/2007 sábado passado.

Antes de ir para o curso de inglês encontrei um grande amigo que mora lá em Vitória da Conquista, sabe aquela pessoa que você gosta de graça, que ocupa seu coração e não paga um centavo de aluguel, que quando vocês se encontram tem que parar pra conversar e quando está conversando dá vontade de nunca mais sair de perto?! Pois é assim que eu me sinto quando eu encontro esse amigo.
Fomos para um praça perto do meu curso, sentamos num dos bancos dessa praça e começamos a conversar, papo muito animado, mil resenhas, mil bafonds, mil fofocas [claro, ninguém é de ferro] conversamos por muito tempo, fomos importunados por um doidinho que passava, muito engraçado, nada serio.
De repente surgiram do quinto dos infernos três rapazes. Nada de extraordinário você deve estar pensando, mil pessoas passam numa praça e nada acontece, mas você esta correto centenas de pessoas realmente passam pela praça e nem olham na sua cara, mas voltemos aos garotos, quando ele passaram por nós, um deles apontou em nossa direção e disse: - Olha dois viados!
Por extinto eu olhei para eles, o outro gritou: - É mesmo, duas bichas!
Caramba eu não quis acreditar no que tava acontecendo conosco, eu bem achando que tinha acabado, eles pararam mais à frente o terceiro falou: - É dois viados mesmo, duas bichonas.

[onde estava minha bazuca?!]

Ele falou num tom desafiador, ficou lá parado com um ar de superioridade, um olhar desafiador, talvez ele imaginou que nós iríamos nos rebaixar a levantar do banco e brigar com eles ali no meio da rua. Nessas horas o melhor remédio é ignorar e foi exatamente o que nós fizemos, eles seguiram o caminho deles, quem parou pensando que ia ver barraco frustrou-se foi embora e nós continuamos conversando como se nada tivesse acontecendo.

Agora eu pergunto: Cadê a tolerância desse mundo? Por quê as pessoas não cuidam de suas próprias vidas? Estar sentando no banco de uma praça, conversando com um amigo, desde quando deixa explicito que ele ou você são gays? Ser gay prejudica alguém? Ser gay ter algum tipo de doença?

As pessoas têm que parar para olhar para seus próprios umbigos tem que deixar de tentar encontrar grãos de areia nos olhos dos outros enquanto nos seus próprios olhos existe uma praia inteira. Nós temos que deixar de perder tempo com coisas tão pequenas e nos preocuparmos com problemas reais que explodem diante nossas caras a todo hora.
Existem heterossexuais terrivelmente ruins e gays também, como existem gays ma.ra.vi.lho.sos e heteros tão bom quanto.
A orientação sexual da pessoa não faz dela boa ou má, não desvirtua o caráter de ninguém, porque quem tem tendência para ser ruim, É, sendo gay ou não.
Gays não são diferentes de ninguém, são iguais a você, seus pais, seus parentes e amigos, eles tem família, amigos, inimigos, pagam contas, tem suas casas, empregos, amam e odeiam assim como você.
Então por que tanto preconceito?
Nós estamos no século 21, na era da informação, da globalização, está na hora de dizer chega para esse tipo de atitude retardada, os gays não passaram a existir de ontem para hoje, os gays existem desde que o mundo é mundo, desde sempre, mas agora que eles estão recuperando o espaço que sempre foi deles, o espaço que sempre mereceram, mas que foi arrancado por mãos de pessoas como esses três rapazes, de quem eu tenho muito pena de verdade.

Eu sonho com um mundo melhor, mais tolerante, livre de preconceitos e pensamentos mesquinhos, se esse mundo não existir para mim, que os Deuses abençoe que existe para meus filhos e neto, minha futura geração não merece passar por isso, na verdade ninguém merece!