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quarta-feira, 28 de março de 2018

PRA TE ENSINAR!

Esse texto nasceu do que seria um relato curto no Facebook, mas foi tomando uma proporção tão grande que eu decidi entrar em contato novamente com esse momento/sentimento pra tentar me libertar ao menos de mais um fantasma que sussurra ao meu ouvidos memórias que eu não gostaria de saber ou lembrar, mas lembro. 


Pois bem, já que estamos aqui, aqui estamos e tome-lhe verbo! Tudo começou quando eu soube que no dia 26/03 era a data de lançamento do primeiro álbum do Gorillaz, que teve sua estreia há 17 anos atrás e me veio umas memórias fortes pois esse álbum é tão importante pra mim, que não foi possível não repensar em tudo que eu estava vivendo quando ganhei esse CD de minha ex professora Nallyne num amigo secreto na escola em meados de 2002. O desenrolar dessa história se deu na época do Ensino Médio, eu devia ter uns 16 anos mais ou menos e eu vou te contar como foi pra mim um dos piores momentos de minha vida sendo um adolescente se descobrindo homossexual e vivendo numa cidade de 10 mil habitantes no meio da caatinga do interior da Bahia.

Era 2002, mesmo sem referência nenhum do que era "ser gay" eu começa a despertar esses sentimentos em mim. Não conhecia outros gays na cidade e apesar de nunca ter beijado um menino na época eu já sentia uma curiosidade pelo gênero masculino, então imagine que meu estado emocional constante naquele momento era dúvida e todas as maiores e piores paranoias possíveis por causa da minha sexualidade; era uma batalha constante e ninguém sabia! Exceto talvez pelas pessoas mais maliciosas que já detectavam sinais de feminilidade que automaticamente eram associados a homossexualidade em mim. As pessoas (inclusive os que diziam ser amigos) usavam isso contra mim na rua e na escola não era diferente… aquelas “brincadeiras” especulativas sobre seu ser gay já aconteciam há um tempo, porém nesse período o bullying psicológico emocional era mais taxativo. Pensando a respeito hoje minha sensação é de que as pessoas queriam a qualquer custo confirmar se Jarbas era viado mesmo, sabe!? O ser humano Jarbas não era considerado como existente e/ou possuidor de sentimentos, o que importava era confirmar se era bicha ou não, independente de qualquer coisa.

Na escola foi organizado um amigo secreto só com a turma da sala que eu estudava, a ideia começou ótima (não estou sendo irônico, eu acho mesmo a ideia boa). A brincadeira teria o adicional de uma "caixa de surpresas" que ficaria na sala dos professores onde durante a semana as pessoas de livre e espontânea vontade poderiam deixar bilhetes para o colega que tinha sorteado, no dia aula da professora que organizou a brincadeira seriam distribuídos os bilhetes ali depositados; como dizer que essa não é uma ideia ótima!? É certo que nem todos mandava bilhetes, mas os que abraçaram a brincadeira fizeram manifestações bem legais de carinho, pistas e quem poderia ser, tinha gente que deixava balas, pirulitos e outros doces pra pessoa eu sorteou… a dinâmica da brincadeira era interessante demais! A caixa duraria até e a semana da revelação do amigo secreto e num desses dias tinha uma carta pra mim. Eu que não tinha recebido nada até então, fiquei todo empolgado, fiz aquela aquela festa na sala pra mostrar que meu "amigo" secreto também se importava se lembrou de mim.

Com o envelope nas mãos e a curiosidade quase me matando por dentro, abri o volume que parecia ser o de um livro pequeno, mas para minha surpresa maior, quando o conteúdo do envelope foi revelado percebi que dentro tinha uma revista pornô, sim, era uma revista de sexo explícito heterossexual, tipo aquelas antigas revista de fotonovela, só que nesse caso a fotonovela era mostrando cenas de sexo explicito entre um homem e uma mulher, com direito a foco na penetração etc… logo na primeira página da revista tinha um bilhete, escrito num papel de guardanapo daqueles de bar que parece seda pra cigarro, com letra propositalmente borrada lia-se a frase: “PRA TE ENSINAR”. Eu congelei na hora!! Parecia que alguém tinha descoberto meu pior segredo da vida! Acho que foi a primeira vez que eu me senti extremamente exposto e ridicularizado. Eu passei a ter aversão extrema a situações de vulnerabilidade depois desse momento, eu fui invadido por uma sensação tão ruim de solidão naquele dia que eu não saberia explicar o quão só eu me senti. Foi ali que eu tive a clareza mental espontaneamente forçada de que a coisa não iria ser nada fácil se eu quisesse ser quem eu verdadeiramente era. Acho que percebi também que não seria naquela cidade muito menos ao redor daquelas pessoas que eu poderia me expressar livremente. Não me lembro exatamente o que houve depois, não sei se foi eu que levei o caso pra diretoria ou foram minhas amigas, ou talvez a professora que organizou o amigo secreto, sei que fui parar na direção; a diretora não sabia o que fazer, os professores Nallyne e Theo (meu primeiro, talvez único, professor gay) meio que tomaram as dores por mim, tentamos descobrir quem tinha enviado a revista revista pornô, mas nada; a diretora foi na sala “falar sobre a situação” e deu textão na turma toda, o que me fez sentir ainda mais exposto e mais ridicularizado, no fim das contas ninguém foi punido. 

Como "prêmio de consolação" fizeram outro sorteio, cancelaram a caixa das cartinhas surpresa, a prof. Nallyne sorteou meu nome (até hoje acho que não foi por acaso e agradeço por isso; e se foi, melhor ainda porque certifica  mais que minha espiritualidade cuida de mim antes mesmo de eu saber que Ela em mim habitava (EPAHEY!). Se eu não estiver errado, penso que o dia da revelação do sorteio foi antecipado e foi nesse dia que Nallyne me deu o CD do Gorillaz e uma agenda/diário (tenho ambos até hoje); a prof. Nallyne, que felizmente se tornou minha amiga e um dos seres humanos que eu mais respeito e admiro no mundo, me salvou ali, talvez até sem saber que estava fazendo. Eu ouvia o CD do Gorillaz repetidas vezes, enumeras vezes pra falar a verdade… fui atrás da tradução das músicas (tomei gosto pelo idiota Inglês, fiz curso e hoje sou fluente na língua). Eu ouvia o CD todos os dias por que eram os pouquíssimos momentos que eu não estava num estado de tensão, auto rejeição e alerta constante, era ouvindo o Gorillaz que eu encontrava o minimo de consolo; até por que de um lado tinha a religião [eu era membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia na época] que me dizia que ser gay era uma abominação, um pecado punível de morte eterna, minha família não me apoiava em praticamente nada e obviamente que ser homossexual não receberia apoio (até hoje ainda não tenho esse apoio de vários deles), meus amigos (salve pouquíssimos) também não foram os melhores amigos na época… então, me restavam poucas opções além do pensamento constante de ou me matar ou fugir de onde eu estava, mas era lá na música do Gorillaz que eu ouvia alguém dizer que a vida, minha vida não precisava ser apenas aquilo.

A confusão mental/emocional foi tão enorme que mesmo cerca de 17 anos depois, eu ainda acho difícil descrever o momento e admitir que eu pensei em tirar minha própria vida algumas (muitas) vezes. Eu queria sumir, desaparecer da cidade, mas não fiz por que também tinha no aparelho de som uma música que não era religiosa muito menos motivacional, mas que dizia profundamente para mim que existia um mundo além daquele e essa fagulha de esperança me manteve firme, por isso eu sumi de lá sem olhar pra trás na primeira oportunidade que tive e não me arrependendo nem um pouco. Na verdade, acho que ter saído da cidade foi um dos fatores determinantes para eu ter conseguido ser quem eu sou hoje; talvez, eu não seja grandes coisas, mas sou melhor do que aquele Jarbas com 16 anos de idade, que não ria em foto, só usava preto, bebia bebidas alcoólicas praticamente todos os dias e que detestava estar ao redor de gente, que se trancava dentro do quarto lendo todos os livros que minha prima Ana Maria me emprestava.

Eu sei quem foram as pessoas que me mandaram aquela revista — eu nunca vou esquecer. Eles estão ótimos de vida, aparentemente. Três dos que encabeçaram a "surpresa" estão casados, os três formaram família com direito a filhos, almoço e missa de domingo e foto bonita no Facebook. São eles a perpetuação da dita família tradicional brasileira, os covardes e maliciosos "homens de bem", os "de família". Para algumas pessoas da cidade sei que eu ainda sou apenas e nada somente além do que o viado, porém a bicha aqui hoje é orgulhosa de ser bicha, o viado não precisou "aprender" nada numa revista pornô com cenas de sexo entre homens e mulheres. O gay aqui se recusou a encaixar-se e não foi adestrado dentro do modelo de vida que eles acreditavam ser o melhor. Não conseguiram em "ensinar" nada com a revista pornô, por que eu era gay no dia 04 de agosto de 1986, tanto quando eu era gay lá em 2002 e mais ainda homossexual em 2018 e com certeza muitíssimo mais viado em 2080. Eles mexeram com o meu emocional, mas eles não venceram.

Ao escrever, reler e finalizar esse texto/desabafo não parei de pensar em quantos outros Jarbas não devem existir nesse mundo a fora; não parei de pensar em quantos outros foram tão machucados, maltratados, incompreendidos e tiveram suas vidas arruinadas como eu fui.… meu caso felizmente foi de privilegio e terminou bem (até certo ponto), mas pense quantos outros não aguentam tamanha violência e se matam. Compartilho essa história hoje com o maior desejo, não de ser um exemplo, mas de que ninguém passe por uma situação dessas.

Pra te ensinar, hoje, só o amor e a tolerância. É isso.




Principais músicas:
• Tomorrow Comes Today
• Clint Eastwood (feat. Del tha Funkee Homosapien)
• Sound Check (Gravity)
• Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?) - (feat. Ibrahim Ferrer)
• Starshine
• Slow Country
• Dracula
• Left Hand Suzuki Method
• 19-2000 (Soulchild Remix)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

8 Dicas de Como Respeitar e Não Ofender um Homossexual

O Século XXI já está entre nós e com ele veio a pós modernidade, a diversidade de pensamentos, ideologias e crenças. É certo que sempre houveram homossexuais desde que existe humanos na Terra e a cada dia que passa é mais comum ter contato com um homosexual na família, no trabalho, no médico, no mercado, na vizinhança, faculdade etc. Porém, o que deveria ser tratado como algo comum, na verdade, tornou-se motivo de tabus, controvérsias e de opiniões ignorantes por falta de informação.

O crescimento da homossexualidade não vai ser alterado, se você é heterossexual e está lendo esse texto saiba logo que, o simples fato de você ser uma menina e gostar de menino (e vice-versa) te coloca numa posição de privilegio, que nós homossexuais não temos, por isso, é sempre bom medir as palavras quando se dirigir a um homossexual (masculino ou feminino), pois mesmo não querendo, talvez, você pode estar discriminando e ofendendo aquele seu amigo da comunidade LGBTQ+ porém achando que tá tudo legal, mas não está.

Pensando nisso decidi escrever um guia simples com dicas do que acho mais importante para começar a não insultar e/ou ferir os sentimentos dos homossexuais com o qual você tem contato.

1. Homossexualidade não é doença.

"Ah, mas a Bíblia e meu pastor diz que..." PARA!
Por mais que as religiões de matriz cristã defendam a ideia de que a homossexualidade é uma doença psicológica/emocional e por conta disso se acha no direito de discriminar e incentivar o ódio os gays e lésbicas, a ciência já comprovou que a homossexualidade é apenas a orientação sexual da pessoa, o que não quer dizer nada sobre o caractere do mesmo. Inclusive há +26 anos a OMS (Organização Mundial de Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como uma doença psico-emocional. Sendo assim, podemos aceitar que por não ser uma patologia a homossexualidade não tem cura. Pra que você insiste?
Ah, lembrando também que existem heteros bons e ruins, mas não é a heterossexualidade que define isso, logo por que seria a homossexualidade o fator decisivo para alguém ser desqualificado como ruim e o heterossexualidade não? Controverso. Pense nisso.


2. Homossexualidade não é uma escolha.

Usar o termo "opção sexual" é errado, ofensivo e não precisamos alongar o papo nesta discussão. Ninguém escolhe ser homossexual, tanto quanto ninguém escolhe ser heterossexual. Já parou pra pensar quando foi que você menino decidiu gostar de garotas e vocês meninas, quando foi que vocês decidiram que era dos meninos que você gostava? Pois é, não houve esse momento; para nós gays e lésbicas também não.
A homossexualidade não é uma opção numa ficha cadastral, que a gente pode ir lá e marcar um 'X' na hora quer e cá entre nós, diante de tanta homofobia, ou seja, a violência contra homossexuais, quem seria louco de decidir ser algo perigoso? Quem em sã consciência decidiria passar por desavenças na família e outros meios sociais? Acredito que ninguém. Se você não escolheu ser hetero, entenda que gays e lésbicas também não escolherem ser o que são, mas somos, logo o melhor a fazer é aceitar e tentarmos conviver da melhor maneira possível.


3. Homossexualidade não significa inferioridade.

É, se seu coleguinha é gay ou lésbica, não quer dizer que ele seja inferior a você (muito menos superior). A orientação sexual das pessoas não é o fator dominante que determina suas capacidades físicas ou intelectuais, ou seja, o fato de alguém ser gay (ou não), não quer dizer que ele é mais ou menos capacitada de executar funções, nossa sexualidade não está ligada às nossas aptidões.



4. Piadas ofendem (e muito).

Piadas sobre gays podem ser engraçadas, sim, mas quando o cunho é de chacota e discriminativo perde-se toda a graça. Se você utiliza o humor pra estimular o preconceito e os esteriótipos, você não está sendo nada engraçado, mas bastante ofensivo.
Sabe essa ideia de quem todo gay é afeminado e que toda lésbica é masculinizada? Ou toda loira é burra? Todo gordo é desajeitado? Então, não é assim, abandone essas ideias estereotipadas por que se você ainda acha esse tipo de humor legal, tá passando vergonha (e muita).
Pode até parecer estranho, mas existem homossexuais em todas as areas do conhecimento e não acho tão difícil assim imaginar um pedreiro que carrega 100 sacos de cimento por dia ser gay ou invés da imagem do homossexual afeminado etc. nem todos nós seguimos esse padrão TV Globo/Hollywood do que é ser gay/lésbica.
Inclusive, já parou para pensar porque você nunca ouviu uma piada sobre heterossexualidade? Então...

5. Homossexualidade não é promiscuidade.

Para falar sobre esse tópico, preciso te dar uma informação séria: para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a pessoa (independente da orientação sexual) considerada promiscua é toda aquela que teve mais de dois parceiros sexuais dentro do período de seis meses. Ou seja, se você transou, beijou mais do que duas pessoas em 6 meses, sinto lhe informar, você é promiscuo (segundo a OMS); saber disso deixa a gente meio tonto né? Então...
As praticas sexuais heterossexuais e homossexuais são bem parecidas; existem, sim, vários gays que vivem uma vida com maior nível de liberdade sexual, tanto quanto existem vários heterossexuais que praticam livremente e intensamente sua sexualidade, porém sem levar o rotulo de promiscuo. Eis outra coisa que não é tão difícil de imaginar, mas existem muitos de nós (homossexuais) que querem casar, ter filhos, construir família etc e tal; inclusive, eu sou um desses gays que sonha em casar e ter uma família. Portanto, melhor não decidir rotular todo um grupo de pessoas de promíscuos por que você provavelmente desconhece a realidade individual de cada uma dessas pessoas e pode ofender bastante.
Inclusive, nem tudo que os homossexuais fazem tem cunho sexual, tá? Então tá.


6. Homossexualidade não é "um estilo de vida" que pode ser abandonado ou transformado.

Você que é heterossexual,já imaginou como séria chato ter durante muitos anos um homossexual que é seu amigo te dizendo o tempo todo que você precisa de uma experiência homo-afetiva para você ter uma vida melhor ou ter certeza de que é isso mesmo que você quer? Imagina você que é um homem convicto que gosta de mulheres e uma mulher certa que gosta de homens tendo que ouvir que seu "estilo de vida" está incorreto, que você precisa mudar sua situação sexual/social, que Deus vai te ajudar a mudar essa sua vida. Chato pra caralho, hein!? Não só chato, mas uma grande demonstração de desrespeito e discriminação, mas é exatamente isso que acontece com os homossexuais. É muito importante aceitar que você não pode transformar um homossexual em hetero (e vice-versa). Se aquela pessoa não decidiu ter uma experiência com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto, apenas respeite e cale-se, pois não é seu lugar de voz.



7. Homossexuais não são bichos de estimação.

"Toda mulher precisa de um amigo gay!", obviamente que não, né?! Se você tem um amigo gay e super se dá bem com ele, parabéns para vocês, mas existe, sim a possibilidade de um homem hetero ser amigo de uma mulher também heterossexual. Inclusive, imaginar que amizade entre homens e mulheres hetero não existe é a melhor forma de admitir os heterossexuais são um bando de promíscuos que só pensa em sexo, mas julgar não é meu papel (só dizendo).
Não trate os gays como se fossem um animalzinho de estimação, não reforce a ideia estereotipada de que ter um amigo gay é possuir um personal stylist, um cabeleireiro de plantão ou até mesmo um psicologo de balada que vai te animar o tempo todo.
Lembre-se que nem todos os homossexuais são iguais e tem vários por ai que não sabem nem para onde vai uma escova de cabelo (eu, por exemplo), tem milhares de gays que não se importam com combinações de roupas e muitos de nós não são 100% animados e dispostos a estarem em baladas com vocês. Ah, e essa história de que todo gay é sincero é mentira, tá várias FALÇAS entre nós.



8. Nunca arranque alguém do armário.

Num contexto onde você ficou sabendo que fulano é gay, mas outra boa parte do meio social de vocês não sabe, o melhor que você tem a fazer é ficar caladinho; cada pessoa tem seu tempo, cada gay ou lésbica vem de uma realidade diferente e o fato de você saber que aquela pessoa é homossexual não lhe dá o direito de vasculhar a vida intima da pessoa e espalhar aos quatro ventos a situação. Se você acredita que arrancar alguém do armário é a maneira mais adequada para que ela viva uma vida mais plena e feliz, linda, você tá errando feio, tá errando rude. Sem conhecimento prévio da situação da pessoa, acredito que você ajuda muito mais respeitando o tempo do individuo do que espalhando e especulando sobre sua sexualidade.



Para finalizar, queria contar que uma vez uma fã perguntou a J.K. Rowling, autora da série de livros do bruxo Harry Potter, se era verdade mesmo se Dumbledore era gay ou era apenas uma jogada de marketing, segundo a fã, ela não conseguiu ver a homossexualidade do bruxão. A resposta da autora foi muito simples, ela disse ao mais ou menso assim: "Ele é gay. Talvez você não enxergue, porque homossexuais são exatamente iguais a qualquer outra pessoa", eu penso que J. K resumiu muito bem tudo que eu gostaria de explicar. Nós homossexuais somos igual a qualquer outra pessoa, a única diferença é que o mundo (sem generalização) não enxerga dessa maneira.
Se você quiser insistir que sua religião diz isso ou aquilo sugiro também que você deixe o que é de Deus com Deus, não é sua função ser juiz da orientação sexual dos outros, por que está escrito na Bíblia: "Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7:1).

Se faz diferença para você que seu vizinho, parente ou colega trabalho ou faculdade se relaciona com alguém do mesmo sexo, procure ajuda médica (psicologo) você não está bem.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Existe Orgulho no Dia do Orgulho LGBT?

Dia 28 de Junho é o dia que nós da Comunidade LGBT nós abrimos um pouco mais para dizer que temos orgulho do que somos e comemoramos o "Dia do Orgulho LGBT", alguns de nós sabem que a origem dessa 'comemoração' se deu porque no ano de 1969, frequentadores do bar Stonewall Inn (Nova Iorque/EUA), voltado para o público homossexual e transexual, reagia à ação abusiva, violenta  e desumana constante da policia local. Fato que desencadeio mais dois dias de protestos e culmina na marcha ocorrida no dia 1 de julho de 1970, em lembrança ao aniversário do motim, precursora das atuais Paradas do Orgulho LGBTQ. Hoje é dia de lembra do Orgulho de ser quem é, de lembrar do heróis que possivelmente não sabemos os nomes, mas que abriram alas para nós, a nova geração.

Dados históricos à parte, já se passaram 47 anos desde a 'Rebelião de Stonewall'. Nós acreditamos que estamos mais livres em nossas redes sociais para dizer "Feliz Dia do Orgulho LGBT", mas a onda de violência está cada vez mais crescente, o ódio parece não cessar, cada dia surge um novo 'representante' de Deus para dizer que a homossexualidade é errado, porém que seja hoje também o dia de reconhecermos que essa data não significa nada além de RESISTÊNCIA!


Alias, hoje também é dia de CERTIFICAÇÃO e AGRADECIMENTO aos que lutaram por nós no passado. É precisamos reconhecer que não será a heteronormatividade que nos salvará, pois foram as bichas negras, as bichas femininas, as lésbicas masculinizadas, as drags, as trans, os 'estranhos', os menos favorecidos financeiramente, foram todos aqueles que um dia receberam o adjetivo de profanos, abomináveis, os 'não dignos' que abriram espaço para que hoje você e eu tenhamos (o minimo de) voz.


Orgulhe-se de verdade em ser o que você é! Seja você um ato politico vivo. Não tenha medo por que ser LGBT vai além de deitar-se com alguém do mesmo sexo; nós nascemos assim, por isso ser LGBT é ser perseverante.

E que seja hoje a confirmação de que NÓS NUNCA VAMOS FICAR EM SILÊNCIO!

VAI TER VIADAGEM, SIM!






quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Sobre essa gente"

E de repente um “amigo” resolve compartilhar aquele vídeo que os meninos heterossexuais cantam o sucesso “Robocop Gay” da extinta banda Mamonas Assassinas para o Pastor Marco Feliciano num avião, como comentário pessoal estava a frase: “Esse vídeo diz tudo sobre essa gente!”.
Dentre a mistura de sentimentos que é ver tal atitude, entre a revolta e incredulidade que alguém que te conhece pessoalmente, sabe de suas capacidades e sua integridade social e humana, alguém em algum momento compartilhou com você uma conversa, um cigarro ou um copo de cerveja, dizer “sobre essa gente”.

Que gente é essa?

Essa gente, meu caro amigo são trabalhadores e pagantes de impostos tanto quanto você, essa gente está em todos os lugares, essa gente participa de sua vida (direta ou indiretamente). Essa gente são pais de família, são mães, essa gente acorda cedo, estuda, se diverte, tem sonhos e muitas vezes não podem vive-los por conta de pastores, como esse senhor Marco Feliciano, que usa da imagem pública para disseminar o ódio e através dele, amigo, causar cada dia mais e mais violência física e psicológica contra essa gente que você diz ser lamentável existir.

O que você talvez não saiba, amigo, é que os rapazes do vídeo não são gays, eles não são “essa gente”, eles são heterossexuais, eles gostam de mulher tanto quanto você gosta, mas diferente de você eles são humanos e acima de tudo compreenderam que apoiar a causa dos Direitos Civis dos homossexuais não quer dizer que eles sejam homossexuais também, mas significa que são conscientes que o Direito é para todos, incluindo nós, essa gente, que não é o padrão que você acredita ser o modelo “normal” para ser seguido. Eles, amigo, perceberam o quão errado está o mundo e tentaram de uma maneira divertida protestar contra as barbáries que esse pastor (e os seus) vem incentivando ao logo dos anos.

Se você acha lamentável o que eles fizeram, eu posso lhe passar uma lista gigantes (que não me orgulha em saber que existe) de centenas de jovens, adolescente e adultos que são todos os dias massacrados nas ruas, escolas, trabalho e pior, dentro de suas próprias casas, com violência física e psicológica. Lamentável, amigo, é ser assassinado por ser gay, lamentável é ser acertado por uma lâmpada na cara por andar de mãos dadas na rua ou ser “convidado” a se retirar de um estabelecimento por estar acompanhado de uma pessoa do mesmo sexo. 

Lamentável é sua atitude.

Você ainda diz que “Infelizmente cada um só vê o que lhe convém!”, neste ponto eu concordo muito com você, porque você está vendo o que lhe convém, você acredita que a música cantada para o tal pastor é um ataque, mas ataques maiores existem e eles destroem a integridade de toda uma comunidade. Mas não pense que gays são vítimas, porque nós não somos e a maior prova disso é ver (e viver) que mesmo diante de tanta coisa errada, tanta coisa ruim, continuamos a colocar nossa cara aí fora no mundo, enchemos o peito de ar e erguemos nossas vozes para gritar ao mundo inteiro o quão orgulhosos somos por seremos gays, viados, bichas, boiolas, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, transgêneros e tudo quanto é coisa que tiver no meio dessa deliciosa festa colorida. Sabe porquê? Por que é muito bom quanto a Coca-Cola é Fanta.

E a você eu, Jarbas Ribeiro Bahia, 28 anos, Designer de Moda, nordestino, homossexual assumido (e orgulhoso disso) peço apenas uma única coisa: me deleta da sua vida (real e virtual), você não tem o privilégio que eu lhe chame de amigo. Obrigado.