sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Ferroada da Vespa (ou) Discreto e Fora do Meio


Toda essa história de não se assumir gay é tão século passado para mim, que enquanto organizo minhas ideias para esse texto me questiono: "o que há dentro do armário? E porque tanto medo de sair dele?". Acredito que não saberia responder essa pergunta, até porque não houve muito tempo para mim dentro dele, assim que eu vi despertar em mim esse desejo incomum, depois que beijei o primeiro rapaz e percebi que aquilo era realmente o que eu queria para minha vida e além disso organizei minhas ideias e percebi que não era apenas uma questão sexual, pois pasmem vocês, ser gay não se resume a transar com alguém do mesmo sexo que o seu, não passou nem mesmo dois anos e minha mãe descobriu que eu era gay. BAM! 

E em tempos natalinos, onde as famílias se reúnem para diversos momentos felizes (e de constrangimentos) somos premiados com a história do carioca Felipe que em um amigo secreto arrancou seu primo "discreto e fora do meio" do armário em frente de toda a família (e a atual namorada do primo), dando para ele uma camiseta com estampa de fotos do perfil no Hornet (app de pegação das gay) do próprio primo. Detalhe: a camiseta era laranja para combinar com a cor temática do app (bicha pensa em tudo!). Torta de climão e roteiro de serie no canal Multishow, claro!

Mas pelo que eu fui pesquisar (julgo stalkear) sobre a história, o que dizem é que o tal primo "discreto e fora do meio", não era somente mais um dos milhares de gays ao redor do mundo que não se assumem e usam meios (quase) anônimos para conseguir relações sexuais, o primo atormentava a vida do menino com atitudes preconceituosas, homofobicas, machistas e diante de tanta perseguição ele resolveu dar o troco. E deu, né?! Uma ferroada de vespa na cara! Até fiquei horas imaginando a cena... pena que na minha família não dá para fazer uma dessas porque tudo mundo sabe que eu sou viado e ninguém se mete a besta de falar algo comigo.

Esse é um caso especifico que a maioria de nós (inclusive eu) poderíamos dizer que foi bem feito e o troco foi dado com sucesso. Porém, não levantando a bandeira em defesa do primo "discreto e fora do meio", até porque dentro do contexto da história deles, ele não era apenas alguém que não tinha uma situação social, emocional e/ou financeira que daria tranquilidade suficiente para o mesmo se assumir homossexual, mas alguém que causava desconforto emocional ao parente. Só que não podemos esquecer, que de modo geral, ser gay não é fácil, mesmo sendo muito bom e não são todas as pessoas que estão preparadas para encarar de frente esse estilo de vida, e como eu disse acima, não entrem em pânico, mas ser gay não é APENAS transar com uma pessoa do mesmo sexo que o seu. Inclusive, ser gay nem precisa ser necessariamente o aspecto mais importante de sua vida, existem outras competências, existem outros lados para serem compartilhados ao mundo, que consequentemente vão estar alinhados ao fato de você ser gay assumido, dentro do meio e muito bem resolvido com isso.

E mesmo apoiando a atitude de Felipe, não penso que ser assumido nos dê o direito de querer tirar a humanidade forçadamente do armário. Há muitas pessoas que gostaria de estar aqui como eu falando abertamente de sua própria sexualidade, sem medo de uma repressão, mas não pode (ou não quer) por centenas de motivos reais (e inventados) ou tem preguiça, sei lá! Cada indivíduo escolhe o seu próprio caminho ainda que condicionados a diversas situações diárias, mas a decisão final de ir para a direita ou para a esquerda (ou até mesmo ficar parado entre as duas) é particular. Não acabe a nós escolher a hora, data e local da saída de armário das pessoas.

E vocês senhores do armário, não pensem também que por estar ai dentro vocês estão protegidos de serem o alvo um dia, na verdade, a diferente entre nós e vocês é simplesmente posicionamento, nós somos o pelotão de frente e se a gente cair, não tenham dúvidas que vocês são a próxima mira a ser atingida. Ser "discreto e fora do meio" não faz de você uma pessoa especial, mas faz de você um aproveitador da luta alheia. Uma pena que você que está ai dentro não entendeu ainda que é mesmo desafiador a condição de homossexual não difere você de nenhum outro ser humano, não o torna inferior e mesmo "se assumindo" você não precisa adotar um papel militante, feminino ou qualquer outro comportamento que considere "gay demais", ser gay é ser comum, é a mesma coisa que ser heterossexual, bissexual ou assexuado.

Por fim, apenas espero que o Natal de 2014 faça você refletir que ninguém está lhe obrigando a sair do armário, mas pense antes de atacar aquele primo bichinha ou fazer aquele comentário machista por que se você tiver o rabo preso, meu amigo, pode lhe acontecer coisas piores. Lembre-se: uma ferroada de vespa pode bem ser dolorida (e deixar marcas). Imagina...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Luana e o Vibrador - A história do Direito Feminino de Gozar


Pedro Scooby, é jovem, lindo, surfista profissional de ondas gigantes e casado com a atriz global, também cheia de predicados, Luana Piovani, mas parece que Scooby não anda fazendo seu serviço direito. OPA! Como assim? Aparentemente é o que andam dizendo após a esposa de Scooby postar um autorretrato tentando mostrar a normalidade de mesmo sendo atriz blá blá blá tem espinha no queixo, mas que além da infeliz acne, manifesta-se na tal foto um objeto muito parecido com um vibrador.

Pronto! Esse foi o ponto inicial para todas os veículos de comunicação especializados em fofoca de celebridades começar a especular se o objeto seria mesmo um brinquedo sexual ou não. Dentre as várias matérias sobre o assunto, temos os comentaristas (esses são os piores) e na foto vemos textos como:“Scooby não tá dando conta do recado?”, ou "Isso que dá ter marido viajado".

Seria mesmo a falta do marido ou a incapacidade do mesmo de satisfazer Luana sexualmente que a motivou a ter um vibrador em casa? Duvido! E mesmo se tratando de brincadeiras, esses comentários mostra o tamanho do retrocesso que vivemos a respeito da liberdade sexual feminina e a possibilidade delas se satisfazerem sem a presença de um homem.

Homens ao redor do mundo inteiro, o tempo todo, independente se estão dentro de um relacionamento ou não se masturbam (e não é pouco) no entanto nenhum de nós está julgando essa pratica. Além do mais, nós estamos cansados de saber que a masturbação é uma atividade (quando não exagerada) benéfica para ambos os sexos, mas mesmo assim, alguns indivíduos não compreendem que a pratica de se masturbar não compete apenas ao macho, mas também está ai para ser usufruída pelas fêmeas, que pasmem, também sentem prazer e não estão aqui apenas para procriar.

Agonia é perceber numa “pesquisa” rápida entre minhas amigas que existe um certo desconforto ao tratar do assunto, uma tentativa velada de ocultar o embaraço de admitir que sim, você é uma mulher saudável, moderna e dona de suas próprias decisões e uma delas inclui ter um ótimo orgasmo sem precisar necessariamente de um homem ao seu lado.

Libertai-vos mulheres!

A luta por direitos é diária, é constante, e uma dessas batalhas (talvez, muitas de vocês não concordando) está incluída o direito de ter prazer consigo, o direito de explorar seu corpo, conhecer seus pontos erógenos, o direito de ter um vibrador e gozar muito com ele.

E não fiquem pensando que Dona Luana Piovani se intimidou ao receber os comentários, não, a foto ainda pode ser vista no Instagram da atriz, e ela fez mais, na foto seguinte publicou a legenda: “Vocês são todos uns fofos, adorei os comentários todos do post anterior… Eu amo ser normal, lutarei até o fim dos meus dias pela loucura da normalidade!”. Bem, nem todos são fãs de Luana, mas temos que dar a mão a palmatoria por que a resposta foi um verdadeiro tapa de luva de pelica e isso, sim, nós temos que concordar. Piovani, sendo quem ela é, nos provou que é normal sentir prazer. Ela e seu suposto vibrador, senhoras e senhoras, que está provavelmente satisfeita com sua vida sexual e aos comentaristas recomendo um bom sex-shop, do mais, só desejo a todas mulheres (e homens) muitos orgasmos e nem um pouco de constrangimento. Melhor gozar do que chorar!


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Sobre essa gente"

E de repente um “amigo” resolve compartilhar aquele vídeo que os meninos heterossexuais cantam o sucesso “Robocop Gay” da extinta banda Mamonas Assassinas para o Pastor Marco Feliciano num avião, como comentário pessoal estava a frase: “Esse vídeo diz tudo sobre essa gente!”.
Dentre a mistura de sentimentos que é ver tal atitude, entre a revolta e incredulidade que alguém que te conhece pessoalmente, sabe de suas capacidades e sua integridade social e humana, alguém em algum momento compartilhou com você uma conversa, um cigarro ou um copo de cerveja, dizer “sobre essa gente”.

Que gente é essa?

Essa gente, meu caro amigo são trabalhadores e pagantes de impostos tanto quanto você, essa gente está em todos os lugares, essa gente participa de sua vida (direta ou indiretamente). Essa gente são pais de família, são mães, essa gente acorda cedo, estuda, se diverte, tem sonhos e muitas vezes não podem vive-los por conta de pastores, como esse senhor Marco Feliciano, que usa da imagem pública para disseminar o ódio e através dele, amigo, causar cada dia mais e mais violência física e psicológica contra essa gente que você diz ser lamentável existir.

O que você talvez não saiba, amigo, é que os rapazes do vídeo não são gays, eles não são “essa gente”, eles são heterossexuais, eles gostam de mulher tanto quanto você gosta, mas diferente de você eles são humanos e acima de tudo compreenderam que apoiar a causa dos Direitos Civis dos homossexuais não quer dizer que eles sejam homossexuais também, mas significa que são conscientes que o Direito é para todos, incluindo nós, essa gente, que não é o padrão que você acredita ser o modelo “normal” para ser seguido. Eles, amigo, perceberam o quão errado está o mundo e tentaram de uma maneira divertida protestar contra as barbáries que esse pastor (e os seus) vem incentivando ao logo dos anos.

Se você acha lamentável o que eles fizeram, eu posso lhe passar uma lista gigantes (que não me orgulha em saber que existe) de centenas de jovens, adolescente e adultos que são todos os dias massacrados nas ruas, escolas, trabalho e pior, dentro de suas próprias casas, com violência física e psicológica. Lamentável, amigo, é ser assassinado por ser gay, lamentável é ser acertado por uma lâmpada na cara por andar de mãos dadas na rua ou ser “convidado” a se retirar de um estabelecimento por estar acompanhado de uma pessoa do mesmo sexo. 

Lamentável é sua atitude.

Você ainda diz que “Infelizmente cada um só vê o que lhe convém!”, neste ponto eu concordo muito com você, porque você está vendo o que lhe convém, você acredita que a música cantada para o tal pastor é um ataque, mas ataques maiores existem e eles destroem a integridade de toda uma comunidade. Mas não pense que gays são vítimas, porque nós não somos e a maior prova disso é ver (e viver) que mesmo diante de tanta coisa errada, tanta coisa ruim, continuamos a colocar nossa cara aí fora no mundo, enchemos o peito de ar e erguemos nossas vozes para gritar ao mundo inteiro o quão orgulhosos somos por seremos gays, viados, bichas, boiolas, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, transgêneros e tudo quanto é coisa que tiver no meio dessa deliciosa festa colorida. Sabe porquê? Por que é muito bom quanto a Coca-Cola é Fanta.

E a você eu, Jarbas Ribeiro Bahia, 28 anos, Designer de Moda, nordestino, homossexual assumido (e orgulhoso disso) peço apenas uma única coisa: me deleta da sua vida (real e virtual), você não tem o privilégio que eu lhe chame de amigo. Obrigado.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Buraka Som Sistema


Eu não tenho conhecimento musical algum, nem sei tocar nenhum instrumento, eu não saberia dizer nada sobre up-tempo, down-tempo o qualquer uma variante técnica da música, porém, sou daquele tipo de pessoa que senta no PC e a primeira coisa que faço é abrir o iTunes para ouvir música… de limpar a casa a editar uma imagem no Photoshop, eu faço praticamente tudo ao som de música.

Sem síndrome do underground de achar que banda boa é banda outsider, mas eu não diria que eu sou eclético, porque eu tenho muita coisa selecionada, porém sempre fui muito aberto a descobrir sons novos ao redor do mundo.


Dentre muitos sons que eu escuto durante o meu dia está o Buraka Som Sistema, uma banda de Portugal, com os integrantes Blaya, DJ Riot, Lil' John Roberts, Kalaf Ângelo, Andro Carvalho, Li'l John. E por incrível que pareça, eu cheguei ao Buraka Som Sistema através de ninguém mais, ninguém menos do que nossa funkeira Deize Tigrona, que tem feat. na faixa “Aqui Pra Vocês” do álbum “Black Diamond” [2008], com direito, inclusive, de apresentação ao vivo no Rock in Rio Lisboa.


Com três álbuns lançados o Buraka Som Sistema propõe um som africano-eletrônico, um ritmo empolgante, envolvente e de fazer qualquer levantar e mexer o corpo. Há quem diga que a banda é uma das fundadoras da batida do Kuduro Progressivo, se são realmente, eu não posso afirmar, mas são, hoje, para mim os melhores representantes dessa música. Acredito que o Buraka Som Sistema, representa a nova geração de talentos e pluralidade do mundo que vivemos, traz uma música animada, única, cultural e com raízes na Mãe de todas as coisas, a África.

E é essa mistura meio louca que me agrada e torna a música deles extraordinária! Vale à pena parar para escutar com volume alto, por favor… e se quiser dançar, dance estupidamente!


Eu poderia destacar muitas boas músicas aqui, mas queria deixar registrado meu amor pelas faixas:

- Wawaba | From Buraka to the World [2006]

 - Sound of Kuduro (feat. DJ Znobia, M.I.A., Saborosa and Puto Prata) | Black Diamond [2008]
 

 - Aqui para Vocês (feat. Deize Tigrona) | Black Diamond [2008]

 - Hangover (BaBaBa) | Komba [2011]

 - Stoopid | Buraka [2014]

 - Vuvuzela (Carnaval) | Buraka [2014]
Essa música “Vuvuzela”, por exemplo, a comprovação do talento da banda de conseguir transformar um som tão irritante como o da vuvuzela numa música tão boa.


BONUS! Buraka Som Sistem + Deize Tigrona | Palco Sunset Rock in Rio Lisboa, 2008




+ sobre o Buraka Som Sistema:

Lissy Elle, quando a sofisticação é simples

(texto publicado originalmente 09 de julho de 2014 para o blog Chop and Change)


Lissey Elle poderia ser considerada como apenas mais uma jovem canadense que vive numa região ruralizada próxima a uma floresta de árvores grandes e um velho campo de milho. Poderia... se não fosse seu gosto pela fotografia, vocação artística que despertou na menina aos 13 anos de idade.


A própria Elle afirma que foi a fotografia quem a ajudou com os problemas na adolescência. Foi na fotografia, diz a menina, que encontrou “a razão para se levantar de manhã e lavar o cabelo. Para reorganizar sua mobília do quarto. Para poupar o seu dinheiro para uma lente Nikkor 50 mm, 1.8 lens . Para explorar uma casa abandonada. Para amarrar duas dúzias de maçãs às árvores. Para cortar mil estrelas de papel. Para praticar ballet. Para aprender a levitar. Para ter uma tea party aos 18 anos. Para forjar, através da arte, um lugar para si no mundo e luta com unhas e dentes para ficar lá”.


Num mundo onde as coisas duram pouco e fast é a velocidade constante, onde tudo se complica por si só e o que é simples, o poético, o belo muitas das vezes passa despercebido mesmo diante dos olhos. A fotografia de Lissy vem para transmitir um frescor e reafirmar que a “simplicidade [é sim] é o último grau da sofisticação” como disse Leonardo da Vinci.


E é assim, entre sua floresta e seu velho milharal, imaginando coisas imaginais e tentando torná-las reais que Lissy vai criando seu próprio mundo cheio de fantasias e sonhos, hora soturno, como aquele lugar mais solitário da alma que todos temos e que ainda carece de luz.  Tentando fazer deste mundo um lugar ‘menos ruim’ para se viver, onde todos nós estamos tecendo espaços para nos encaixar e lá permanecer.


Conheça mais do trabalho da artista nos link:
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O dia que eu encontrei o amor de minha vida...

Encontrei o homem de minha vida!
Foi de secar a boca e embasar os olhos, de sentir aquela agonia (que não são gases) no estômago.
Foi amor à primeira vista, como eu nunca tinha visto antes.
Planejei nosso casamento, nossa lua de mel na Europa, nossa volta ao Brasil... ele concordou que nós vamos morar no Rio de Janeiro, no Leblon, para seremos como personagens de uma novela de Manoel Carlos.

Seremos vegetarianos com uma vida fitness e saudável. Vamos ter uma vida social ativa entre teatros, lançamentos de livros, reunião e festas com nossos amigos globais. E vamos adotar dois filhos, que vão frequentar inglês e natação.

Nossa vida será como um comercial de margarina.
Tudo lindo, tudo perfeito... até que ele se levantou, passou por mim, pagou a conta e foi embora do restaurante.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que te incomoda pode te salvar [?]

Existe uma expressão em inglês chamada “push forward”, que em livre tradução seria algo como “impulsionar” ou “ir para frente”. Essa expressão explica o sentimento que é quando eu encontro alguém fazendo algo que me incentiva a pensar de maneira diferente, ou me move a ter uma visão sobre as mesmas coisas, mas de uma maneira não pensada ou não executada (ainda).


Foi exatamente esse sentimento que me despertou ao ver as fotos de Claire Milbrath, uma fotografa freelance canadense que em seu ensaio (de moda) titulado "Groin Gazing" (Olhando Virilhas), ela usa os volumes do sexo masculino para expor o que nós, de maneira camuflada estamos, num momento ou outro, observando. Talvez, nem todas vão admitir, mas com certeza a gente já parou uns segundos para observar a “mala” do rapaz. Observar aqui não se trata de safadeza oculta, ou você nem precisa ter um interesse sexual pelo rapaz avantajado (ou não), é simplesmente uma questão de admitir que a região causa curiosidade e recai sobre nós as perguntas: Se a mulher é tão objetivada, corrermos o risco também de estar transformando o corpo masculino num objeto também? Ou caminhamos para um futuro onde os corpos (masculino e feminino) estarão no mesmo nível de exposição na mídia?


Essa não é uma discussão sobre tamanho de pênis (ninguém nem tem mais paciência para discutir isso), mas uma boa oportunidade para repensarmos nossos valores e não permitir que sejamos pessoas que vivemos sob a máxima de “dois pesos e uma medida”, além da discussão sobre a objetivação do corpo surge a questão sobre o desejo sexual feminino, já que Milbrath brinca com os estereótipos masculinos, “o artista”, “o vizinho”, “o executivo” são alguns dos tipos que aparecem nas fotos que mesmo estando dentro do padrão de fetiche de muitas mulheres, mas para muitas meninas essas imagens seriam consideradas como imorais ou ilícitas mas e a loira seminua na propaganda de cerveja também não seria uma imagem pervertida?

 
São anos de lutas para a igualdade feminina e há muito ainda para ser trilhado, talvez, não seja um ensaio fotográfico com volumes de pênis e clichês dos tipos masculinos que vai mudar a realidade de milhões de mulheres abusadas ao redor do mundo diariamente, mas essas imagens não passarão desapercebidas já que elas não são exatamente eróticas, muito menos pornográficas e nem mesmo o torso nu de um rapaz numa propaganda de cuecas (a qual estamos tão habituados), elas estão no meio de tudo isso, são aquele ponto que incomoda, por isso, ouso dizer, são superiores.

Claire joga em nossas mãos a decisão de pensar: se a imagem de um pênis ereto numa calça jeans nos incomoda tanto, é porque o caminho é mais longo que nós imaginávamos e o “push forward” que precisamos é maior. Pense, garotas... 

 + sobre Claire Milbrath 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

história 208: abre teu olho, japonesa!

Cá estou eu solteiro... e agora com smartphone em mãos e internet 3G disponível, e nessa minha onda de experimentação resolvi entrar num desses Appde relacionamento [leia-se pegação gay]. Depois de uma curta pesquisa entre meus amigos e uns contatos do WhatsApp descobri qual era o mais popular [e que tinha menos gente baixo astral _teoria que vai cair por terra após essa história]. Baixei o tal app, fiz meu cadastro, fotos e tals... Minha gente, tenho que dizer: que mercado de carne, né?! Um uni-duni-tê de peitorais, pernas, bundas e pirocas que só Deus para ter misericórdia _preciso entrar numa academia! E Quanta gente pretensiosa e mal educada! O que mais me impressionou foi a quantidade de exigências, padrões e ultimatos que de maneira nenhuma atrai alguém, mas repele. Mesmo assim resolvi deixar ali o perfil, já que eu não tive coragem de tomar a iniciativa de começar um papo com ninguém.

“Vai que alguém se interessa”, pensei.

Bem, pouco mais de 2 ou 3 dias um tal de Junior veio falar comigo. Sem foto de rosto, papo agradável, bem humorado... a coisa toda evolui, fomos ao WhatsApp... foto para lá, foto para cá, me chamava de ‘meu príncipe’, manda mensagem de bom dia, boa tarde, boa noite... uma atenção jamais esperada e aqui na carência pós termino, comecei a realmente considerar a possibilidade de conhecer esse menino, mas baby Jesus sabe de todas as coisas e no dia que eu poderia encontrar com ele, tive que viajar. Oh pena de mim! Quando voltei a cidade mais complicações não me permitiram encontrar com o boy, até parecia que a vida estava dando um jeito de que não cair em tentação... e falar para a senhoras a piroca do boy era bem bacana, porque sim, ele mandou fotos e vídeos para eu ver. Quem morreu foi Whitney!

Enfim, depois de uma dia de trabalho, um bom banho, cá estava eu olhando as atualizações...

BAM!! Junior coloca foto de rosto no WhatsApp... até então só foto de Charlie Chaplin.

BAM!! Vou para o Facebook e no feed de notícias aparece um Pedro [nome real trocado porque não tô afim de ser processado] que eu nem sabia que estava entre meus contatos, com seu namorado... um casal tão amável e apaixonado, fotos, declarações de amor, poesias, textos, trechos de música... tão emocionante, né?! Seria se o tal Pedro, como vocês já devem estar imaginando, não fosse quem? Quem? Quem? CLARO! O Junior do app de pegação gay. Sim, meu povo brasileiro, Pedro e Junior não eram irmãos gêmeos gays tipo, Miloh e Elijah Peters, mas a mesma pessoa.

Aquele Junior que me chamava de príncipe, que me acordava com mensagem de bom dia, que elogiava meu jeito de se expressar, minha forma de ver o mundo... aquele mesmo dizia que estava louco para poder me ver, me beijar, tocar minha pele e transar comigo feito dois animais selvagens na savana africana, na verdade não existia, porque ele é Pedro. E Pedro ama seu namorado, Pedro cita trechos de músicas românticas, usa o status como “fool in love” [bobo de amor] que eu jurava que era por mim, mas não era. Pedro namora, Pedro fala de cumplicidade, mesmo não sabendo o significado desta palavra e o peso que ela exige para ser usada. Pedro, na verdade é um canalha! E Junior não existe.

Junior é um personagem, um herói inventado e eu não quero um herói, porque não sou vítima e não preciso ser regatado da boca de nenhum dragão, o que eu preciso é de alguém que seja autentico, que tenha suas limitações, seus defeitos e segredos, mas não se esconda atrás de uma máscara, uma camada de falsidade tão espessa quanto asfalto grosso em chão batido. Porque mesmo o asfalto pode ser arrancando com uma chuva forte e não há máscara que um dia não caia, não há mentira que não seja revelada... é nisso que eu acredito. Eu acredito em tudo isso, mesmo se tratando de casualidade, porque mesmo que fosse um sexo casual, não significa que precisa ser banalizado.

E antes que essa história/desabafo termine, queria deixar claro que não estou criticando o uso de apps de relacionamento, nem mesmo as pessoas que estão lá _até porque meu perfil ainda existe_, mas que seja esse um alerta _tanto quanto foi para mim_ que é necessário ter mais conhecimento sobre as pessoas com a qual nos relacionamos para não passar por essas situações constrangedoras e desagradáveis _ou que fique tudo no anonimato, já que a ignorância é uma benção. Não vamos nos deixar levar por um momento de carência e falta de afetividade... nunca se esqueça que nós merecemos ser protagonistas de nossas próprias histórias, e ‘a outra’, como o nome já diz, é apenas ‘a outra’. Não aceite ser coadjuvante, quando você merece um Oscar por ser quem você é. 

E o que mais me entristece é que Junior continua por ai, enganando outros, fingindo ser sensível e atencioso para conseguir sexo. E não há muito o que ser feito, há não ser certificar-me cada vez mais que estou no caminho certo sendo honesto com os outros e principalmente comigo.


E fica apenas uma dica: abre teu olho, japonesa! Vou te contar...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

história 207: só Jesus salva!

Aquele não dava para ser considerado um dia bom. Se eu fosse pontuar todas as coisas que não deram certo [no período de menos de 12 horas] não seria essa uma crônica, mas uma nova versão do livro das Lamentações da Bíblia. Dentre muitas coisas que aconteceu, eu tive que caminhar do quinto dos infernos até a casa do caralho [e voltar] sob um sol [que não era o da Toscana] de mais de 30° C, brigar com atendente de duas prestadores de serviço, discutir com gente desaforada em fila, entre outras coisas. Àquela altura do dia a única coisa que eu queria era chegar em casa deitar na cama e chorar de desespero, mas como lá não tinha comida resolvi ir para casa de minha tia almoçar.

Repara...
Na volta, entrei no ônibus e o único lugar vazio era ao lado de um boy magia, rapaz branco, cabelo cortadinho, queixo quadro, boca vermelha, corpo bacana... fui me aproximando e agradecendo a Deus por não ser cego, quando eu me sentei o rapaz sorriu para mim e que sorriso! Já passei logo: “aii Deus! Não me tenta porque eu sou fraco e o Senhor já sabe que eu vou cair” [só para explicar, eu estava namorando na época].

Olhei de novo para o rapaz... ele sorriu em resposta. [gelei] “Será que ele estava me paquerando?!”, já estava me iludido. Acho que eu até podia me permitir, né?! Mesmo que eu não fosse ficar com o rapaz [porque sou fiel], mas massagear o ego é sempre bom. Olhei uma terceira vez para o moço, que sorriu mais uma vez e me estendeu a mão, nela um papel... “aii meu Deus! É o telefone dele!”, deslumbrei antes de olhar o conteúdo escrito. Passado o afobamento inicial, segurei o papel diante dos meus olhos e conferi que não era o número do rapaz, mas um folheto de uma dessas igrejas evangélicas qualquer escrito uma mensagem de amor, fé e esperança [que eu nem fiz questão de gravar na cabeça] e com letras garrafais: ‘SÓ JESUS SALVA’. Né?!

– Deus odeia o pecado, mas ama o pecador! – o rapaz disse.


Soltei um sorriso amarelo e agradeci o rapaz, desci 3 pontos antes de minha casa, como forma de autopunição. Afinal de contas, não há nada tão ruim que não possa piorar, vou te contar...