quarta-feira, 28 de março de 2018

PRA TE ENSINAR!

Esse texto nasceu do que seria um relato curto no Facebook, mas foi tomando uma proporção tão grande que eu decidi entrar em contato novamente com esse momento/sentimento pra tentar me libertar ao menos de mais um fantasma que sussurra ao meu ouvidos memórias que eu não gostaria de saber ou lembrar, mas lembro. 


Pois bem, já que estamos aqui, aqui estamos e tome-lhe verbo! Tudo começou quando eu soube que no dia 26/03 era a data de lançamento do primeiro álbum do Gorillaz, que teve sua estreia há 17 anos atrás e me veio umas memórias fortes pois esse álbum é tão importante pra mim, que não foi possível não repensar em tudo que eu estava vivendo quando ganhei esse CD de minha ex professora Nallyne num amigo secreto na escola em meados de 2002. O desenrolar dessa história se deu na época do Ensino Médio, eu devia ter uns 16 anos mais ou menos e eu vou te contar como foi pra mim um dos piores momentos de minha vida sendo um adolescente se descobrindo homossexual e vivendo numa cidade de 10 mil habitantes no meio da caatinga do interior da Bahia.

Era 2002, mesmo sem referência nenhum do que era "ser gay" eu começa a despertar esses sentimentos em mim. Não conhecia outros gays na cidade e apesar de nunca ter beijado um menino na época eu já sentia uma curiosidade pelo gênero masculino, então imagine que meu estado emocional constante naquele momento era dúvida e todas as maiores e piores paranoias possíveis por causa da minha sexualidade; era uma batalha constante e ninguém sabia! Exceto talvez pelas pessoas mais maliciosas que já detectavam sinais de feminilidade que automaticamente eram associados a homossexualidade em mim. As pessoas (inclusive os que diziam ser amigos) usavam isso contra mim na rua e na escola não era diferente… aquelas “brincadeiras” especulativas sobre seu ser gay já aconteciam há um tempo, porém nesse período o bullying psicológico emocional era mais taxativo. Pensando a respeito hoje minha sensação é de que as pessoas queriam a qualquer custo confirmar se Jarbas era viado mesmo, sabe!? O ser humano Jarbas não era considerado como existente e/ou possuidor de sentimentos, o que importava era confirmar se era bicha ou não, independente de qualquer coisa.

Na escola foi organizado um amigo secreto só com a turma da sala que eu estudava, a ideia começou ótima (não estou sendo irônico, eu acho mesmo a ideia boa). A brincadeira teria o adicional de uma "caixa de surpresas" que ficaria na sala dos professores onde durante a semana as pessoas de livre e espontânea vontade poderiam deixar bilhetes para o colega que tinha sorteado, no dia aula da professora que organizou a brincadeira seriam distribuídos os bilhetes ali depositados; como dizer que essa não é uma ideia ótima!? É certo que nem todos mandava bilhetes, mas os que abraçaram a brincadeira fizeram manifestações bem legais de carinho, pistas e quem poderia ser, tinha gente que deixava balas, pirulitos e outros doces pra pessoa eu sorteou… a dinâmica da brincadeira era interessante demais! A caixa duraria até e a semana da revelação do amigo secreto e num desses dias tinha uma carta pra mim. Eu que não tinha recebido nada até então, fiquei todo empolgado, fiz aquela aquela festa na sala pra mostrar que meu "amigo" secreto também se importava se lembrou de mim.

Com o envelope nas mãos e a curiosidade quase me matando por dentro, abri o volume que parecia ser o de um livro pequeno, mas para minha surpresa maior, quando o conteúdo do envelope foi revelado percebi que dentro tinha uma revista pornô, sim, era uma revista de sexo explícito heterossexual, tipo aquelas antigas revista de fotonovela, só que nesse caso a fotonovela era mostrando cenas de sexo explicito entre um homem e uma mulher, com direito a foco na penetração etc… logo na primeira página da revista tinha um bilhete, escrito num papel de guardanapo daqueles de bar que parece seda pra cigarro, com letra propositalmente borrada lia-se a frase: “PRA TE ENSINAR”. Eu congelei na hora!! Parecia que alguém tinha descoberto meu pior segredo da vida! Acho que foi a primeira vez que eu me senti extremamente exposto e ridicularizado. Eu passei a ter aversão extrema a situações de vulnerabilidade depois desse momento, eu fui invadido por uma sensação tão ruim de solidão naquele dia que eu não saberia explicar o quão só eu me senti. Foi ali que eu tive a clareza mental espontaneamente forçada de que a coisa não iria ser nada fácil se eu quisesse ser quem eu verdadeiramente era. Acho que percebi também que não seria naquela cidade muito menos ao redor daquelas pessoas que eu poderia me expressar livremente. Não me lembro exatamente o que houve depois, não sei se foi eu que levei o caso pra diretoria ou foram minhas amigas, ou talvez a professora que organizou o amigo secreto, sei que fui parar na direção; a diretora não sabia o que fazer, os professores Nallyne e Theo (meu primeiro, talvez único, professor gay) meio que tomaram as dores por mim, tentamos descobrir quem tinha enviado a revista revista pornô, mas nada; a diretora foi na sala “falar sobre a situação” e deu textão na turma toda, o que me fez sentir ainda mais exposto e mais ridicularizado, no fim das contas ninguém foi punido. 

Como "prêmio de consolação" fizeram outro sorteio, cancelaram a caixa das cartinhas surpresa, a prof. Nallyne sorteou meu nome (até hoje acho que não foi por acaso e agradeço por isso; e se foi, melhor ainda porque certifica  mais que minha espiritualidade cuida de mim antes mesmo de eu saber que Ela em mim habitava (EPAHEY!). Se eu não estiver errado, penso que o dia da revelação do sorteio foi antecipado e foi nesse dia que Nallyne me deu o CD do Gorillaz e uma agenda/diário (tenho ambos até hoje); a prof. Nallyne, que felizmente se tornou minha amiga e um dos seres humanos que eu mais respeito e admiro no mundo, me salvou ali, talvez até sem saber que estava fazendo. Eu ouvia o CD do Gorillaz repetidas vezes, enumeras vezes pra falar a verdade… fui atrás da tradução das músicas (tomei gosto pelo idiota Inglês, fiz curso e hoje sou fluente na língua). Eu ouvia o CD todos os dias por que eram os pouquíssimos momentos que eu não estava num estado de tensão, auto rejeição e alerta constante, era ouvindo o Gorillaz que eu encontrava o minimo de consolo; até por que de um lado tinha a religião [eu era membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia na época] que me dizia que ser gay era uma abominação, um pecado punível de morte eterna, minha família não me apoiava em praticamente nada e obviamente que ser homossexual não receberia apoio (até hoje ainda não tenho esse apoio de vários deles), meus amigos (salve pouquíssimos) também não foram os melhores amigos na época… então, me restavam poucas opções além do pensamento constante de ou me matar ou fugir de onde eu estava, mas era lá na música do Gorillaz que eu ouvia alguém dizer que a vida, minha vida não precisava ser apenas aquilo.

A confusão mental/emocional foi tão enorme que mesmo cerca de 17 anos depois, eu ainda acho difícil descrever o momento e admitir que eu pensei em tirar minha própria vida algumas (muitas) vezes. Eu queria sumir, desaparecer da cidade, mas não fiz por que também tinha no aparelho de som uma música que não era religiosa muito menos motivacional, mas que dizia profundamente para mim que existia um mundo além daquele e essa fagulha de esperança me manteve firme, por isso eu sumi de lá sem olhar pra trás na primeira oportunidade que tive e não me arrependendo nem um pouco. Na verdade, acho que ter saído da cidade foi um dos fatores determinantes para eu ter conseguido ser quem eu sou hoje; talvez, eu não seja grandes coisas, mas sou melhor do que aquele Jarbas com 16 anos de idade, que não ria em foto, só usava preto, bebia bebidas alcoólicas praticamente todos os dias e que detestava estar ao redor de gente, que se trancava dentro do quarto lendo todos os livros que minha prima Ana Maria me emprestava.

Eu sei quem foram as pessoas que me mandaram aquela revista — eu nunca vou esquecer. Eles estão ótimos de vida, aparentemente. Três dos que encabeçaram a "surpresa" estão casados, os três formaram família com direito a filhos, almoço e missa de domingo e foto bonita no Facebook. São eles a perpetuação da dita família tradicional brasileira, os covardes e maliciosos "homens de bem", os "de família". Para algumas pessoas da cidade sei que eu ainda sou apenas e nada somente além do que o viado, porém a bicha aqui hoje é orgulhosa de ser bicha, o viado não precisou "aprender" nada numa revista pornô com cenas de sexo entre homens e mulheres. O gay aqui se recusou a encaixar-se e não foi adestrado dentro do modelo de vida que eles acreditavam ser o melhor. Não conseguiram em "ensinar" nada com a revista pornô, por que eu era gay no dia 04 de agosto de 1986, tanto quando eu era gay lá em 2002 e mais ainda homossexual em 2018 e com certeza muitíssimo mais viado em 2080. Eles mexeram com o meu emocional, mas eles não venceram.

Ao escrever, reler e finalizar esse texto/desabafo não parei de pensar em quantos outros Jarbas não devem existir nesse mundo a fora; não parei de pensar em quantos outros foram tão machucados, maltratados, incompreendidos e tiveram suas vidas arruinadas como eu fui.… meu caso felizmente foi de privilegio e terminou bem (até certo ponto), mas pense quantos outros não aguentam tamanha violência e se matam. Compartilho essa história hoje com o maior desejo, não de ser um exemplo, mas de que ninguém passe por uma situação dessas.

Pra te ensinar, hoje, só o amor e a tolerância. É isso.




Principais músicas:
• Tomorrow Comes Today
• Clint Eastwood (feat. Del tha Funkee Homosapien)
• Sound Check (Gravity)
• Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?) - (feat. Ibrahim Ferrer)
• Starshine
• Slow Country
• Dracula
• Left Hand Suzuki Method
• 19-2000 (Soulchild Remix)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Tem horas que eu odeio ser humano



Eu deliro muito nas pessoas, nas atitudes das pessoas; parte talvez, por eu detestar ser uma pessoa (em alguns momentos), ou talvez por curiosidade mesmo de saber por que determinados comportamentos se manifestam em cada um, de uma maneira muito particular que torna tudo e qualquer discurso muito complicado de ser compreensível e aceito por todos e por isso, que na verdade, não tem nada haver com o que eu estou prestes a falar, mas ainda sobre comportamentos e etc... eu tenho essa mania, ou melhor, o comportamento de por vezes me pegar concentrado a linha do tempo, do Facebook e eu observo as coisas que meus amigos postam, mas geralmente, o que me deixa muito intrigado e me faz perder valiosas horas preso numa rede social, quando na verdade eu poderia estar lendo um livro ou botando em pratica meus planos e tals, mas não, eu fico observando os amigos de meus amigos; as pessoas que fazem parte do universo deles, onde não hábito.

Na verdade, eu quero dizer que eu tenho o comportamento de bisbilhotar a vida das pessoas que curtem e/ou comentam as coisas de meus amigos, mas que eu não sou um amigo em comum ou então pessoas que comentam algo absurdo numa página pública. Tá ligado? Eu adoro entrar nesse looping de observação de pessoas totalmente aleatórias e ficar vendo os comportamentos que elas resolvem compartilhar para toda essa rede de conexões de pessoas que, talvez nunca vão estar presente fisicamente na vida de umas das outras, mas não deixam de estarem vinculadas umas às outras por essa grande rede de conexão virtual. E é um looping quase infinito por que dessas pessoas eu vou entrando em perfis de outras pessoas e consigo ir muito longe nessa brincadeira... chego a conclusão que somos fascinantes, tanto quando somos odiosos. 

 Tem horas que eu odeio ser humano.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A tal "atitude Paulo Gustavo"

Antes de qualquer coisa deixa eu dizer que esse texto não é um ataque pessoal ao humorista Paulo Gustavo, mas é uma critica, sim, a "atitude de Paulo Gustavo", só calhou de ser PG, mas poderia ser qualquer outra pessoa; então fãs, não queiram me matar (se algum fã estiver lendo). É sobre algo muito maior que Paulo Gustavo que escrevo. #PAS!


Então, vamos falar sobre a tal "atitude Paulo Gustavo", que infelizmente não é exclusiva dele, tá?
Recentemente li a noticia que o humorista Paulo Gustavo e seu marido Thales Bretas receberam ataques homofóbicos numa de suas fotos nas Ilhas Maldivas (très chic!); indignado Gustavo foi para o Stories do app Instagram e fez uma sequência de videos, no qual ele declara sua aversão aos ataques homofóbicos e finaliza a fala com:


"Para vocês que são preconceituosos e estão aí me seguindo: eu ainda vou fazer muita viagem esse ano, vou postar muitas fotos com o Thales, porque eu vou ser viado até o último dia da minha vida e vocês vão ter que respeitar"


Então, até aqui tudo bem. Certo?! Não tem nada certo.

Esse é o mesmo Paulo Gustavo, que meses atrás estava dando entrevista dizendo que achava "chato levantar algum tipo de bandeira LGBTQ+", como se ele fosse uma outra classificação de gay; aquela que não se mistura; intocável; a dona; inventora da militância silenciosa; "existir é minha resistência". Vá pra plantar batata no asfalto, né?! Mas é compreensível que essa linha de pensamento vindo de pessoas-paulo-gustavo ou melhor, pessoas que estão dentro do mesmo sistema de privilégios que Paulo Gustavo está inserido. Por ser ator, pessoa publica, branco, rico etc. é impossível negar que o nível de aceitação da homossexualidade de Paulo é maior, a homofobia que ele passa (se é que passa por tanta homofobia assim) é completamente diferente se caso ele não tivesse dentro do sistema singular o qual pertence (e não tem nada de errado em pertencer). Porém, não é aceitável que essas pessoas-paulo-gustavo não entendam que nem tod@s @s pessoas LGBTQ+ não estão vivendo o mesmo grupo beneficiado. Não é concebível que essas pessoas não percebam e reconheçam o quão grande é o alcance da voz delas e/ou quanto elas podem contribuir positivamente para toda uma comunidade, que está sendo massacrada diariamente. Em quanto Paulo Gustavo se enraivece por receber comentário homofóbico em rede social, mas não solta um peito pra ajudar na causa dos Direitos Civis LGBTQ+, ou realmente contra a homofobia tem uma pessoa morrendo a cada 25 horas por ser LGBTQ+.

Quantos heterossexuais conhecemos que foram assassinados por serem heterossexuais? NENHUM! 

Por isso é muito indignante perceber que alguém externo teve que explodir a bolha de privilegio de Paulo Gustavo, para que ele percebesse que existe sim uma violência contra o homossexual no Brasil; ou talvez, nem tenha percebido nada. Repito que não podemos esquecer que a cada 25 horas morre uma pessoa por homofobia neste país, não podemos fechar os olhos para a barbárie que acontece com as transsexuais e travestis ao redor dos estados brasileiros; lembremos de Dandara que foi assassinada brutalmente a pedradas e pauladas no Ceará. E teve gente que filmou!! Gente que ao ver um outro ser humano sendo espancado até a morte e a decisão daquela pessoa foi filmar um assassinato brutal ao invés de ajudar. Vocês conseguem imaginar que existem pessoas que consideram legitimo o ato de matar alguém por causa de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero!? Eu não.

Então, vá para puta que pariu a "atitude Paulo Gustavo"!! Por que em quanto ninguém tinha mexido no conto de fadas das férias nas Ilhas Maldivas, era chato levantar bandeira. No entanto quando alguém perturbou a paz das águas cristalinas do Oceano Indico a indignação veio forte e a militância vai ser aguentarmos mais viagens e fotos de um casal homossexual padrão, cis, branco, rico e privilegiado ao redor do mundo; e pensar que poderiam fazer mais, muito mais.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Atualmente minha cabeça é um lugar horrível para estar


Ninguém quer estar ao lado de alguém que está em confusão emocional; o choro é feio, lágrimas tem gosto de sal e incomodam, a dita falta de amor próprio afugenta quem está ao redor.

Num mundo onde somos obrigados a parecer ser constantemente (para si e para os outros) as melhores versões de nós mesmos, é difícil suportar a pressão, é exaustivo tentar ser perfeito, eficiente, dar atenção a todos, sorrir toda hora, saber resolver todos os problemas; é difícil não se cobrar e desesperar-se quando a cobrança ultrapassa o que você acredita que suportaria. É difícil desenvolver equilíbrio e maturidade emocional. É difícil estar vivo e consciente num mundo onde muita coisa está errada. É difícil não ter dúvidas e insegurança.

Viver é acumulo de emoções desordenadas.

Daí uma hora o personagem motivacional não aguenta, a maquiagem derrete, a mascara com um sorriso de plástico cai.… mas a cobrança continua e a solidão apenas aumenta. Mas ninguém quer estar ao lado de alguém que está em confusão emocional, por que é energia negativa, é exagero, "não é tudo isso não". Dizer que não está tudo bem é midiático e coisa de quem está querendo chamar atenção — eles dizem.

Ou talvez, seja isso mesmo, querer chamar atenção apenas para dizer: "oi, eu queria dizer que está difícil e eu gostaria de receber um abraço"

Atualmente minha cabeça é um lugar horrível para estar.

SAÚDE MENTAL:

"Ah, mas a vida é assim mesmo"
"Mas não fica assim não..."
"Você está exagerando, não é isso tudo não"
"A culpa é sua que se deixa levar por esses sentimentos"
"Relaxa! Um dia você vai rir de tudo isso"
"Não pense assim!!"
"Calma!"
"Pense em coisas positivas"
"Vamos focar nas coisas positivas!"
"Poxa..."
"Enfim, é complicado…"
"Vai passar"

segunda-feira, 13 de março de 2017

Caçadores de Relacionamento

"Jarbas, você precisa achar um namorado!", me dizem.

Não gente, preciso não!

"Gay Couple: Love and relationship" painting - Raphael Perez, 2004

Seria bem prazeroso se acontecesse um namoro, claro. Não nego que, às vezes, uma companhia me faz falta, mas não aceito que me imponham esse status (que eu nem estou tentando atingir) de "caçador de namorados", aquele desesperado carente que vê em qualquer night-out uma oportunidade para se casar ali mesmo na festa; não faz meu perfil e provavelmente se me encontrarem numa festa, estarei mais preocupado em dançar e ficar bêbado — não necessariamente nessa ordem — do que caçando macho.

Admito que essa ideia de relacionamento como forma de salvação social, uma especie de moleta emocional que nos fazem acreditar que é necessária, me é bastante desconfortável. Observo relacionamentos (independe do gênero e condição sexual) que são abusivos, as pessoas se machucando, se minimizam diante do outrem e tudo em nome de uma pseudo idealização de amor. Amor pra mim é outra coisa; e mesmo sofrendo as pessoas se mantém ali, firmes em nome de um posição social: O CASAL. Sei lá, acredito que amor é brisa, não tempestade.

Como disse a incrível Fernanda Young no livro "O Pau": "[…] bosta de carência básica infantil, que nos torna para sempre patéticos, jamais capazes de vencer essa necessidade de alcançar o amor. O amor, o amor, o amor. Vá para a puta que o pariu o amor."

Não, amor, não vá a puta que o pariu, mas dá um tempo né?! E deixa a gente focar em outras coisas que são importantes também OU melhor, seja mais descente porque estamos cansados de canalhas. Obrigado.

No mais, só queria dizer que nunca vou aceitar a imposição social de que só seremos considerados bem sucedidos se estivermos dentro de um relacionamento (mesmo que seja um relacionamento abusivo).

Quero um relacionamento? Sim!
Apenas decidi que não vou sofrer para ter um homem ao meu lado (só pra dizer que tenho um homem), afinal de contas: vai um, vem dezoito.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

8 Dicas de Como Respeitar e Não Ofender um Homossexual

O Século XXI já está entre nós e com ele veio a pós modernidade, a diversidade de pensamentos, ideologias e crenças. É certo que sempre houveram homossexuais desde que existe humanos na Terra e a cada dia que passa é mais comum ter contato com um homosexual na família, no trabalho, no médico, no mercado, na vizinhança, faculdade etc. Porém, o que deveria ser tratado como algo comum, na verdade, tornou-se motivo de tabus, controvérsias e de opiniões ignorantes por falta de informação.

O crescimento da homossexualidade não vai ser alterado, se você é heterossexual e está lendo esse texto saiba logo que, o simples fato de você ser uma menina e gostar de menino (e vice-versa) te coloca numa posição de privilegio, que nós homossexuais não temos, por isso, é sempre bom medir as palavras quando se dirigir a um homossexual (masculino ou feminino), pois mesmo não querendo, talvez, você pode estar discriminando e ofendendo aquele seu amigo da comunidade LGBTQ+ porém achando que tá tudo legal, mas não está.

Pensando nisso decidi escrever um guia simples com dicas do que acho mais importante para começar a não insultar e/ou ferir os sentimentos dos homossexuais com o qual você tem contato.

1. Homossexualidade não é doença.

"Ah, mas a Bíblia e meu pastor diz que..." PARA!
Por mais que as religiões de matriz cristã defendam a ideia de que a homossexualidade é uma doença psicológica/emocional e por conta disso se acha no direito de discriminar e incentivar o ódio os gays e lésbicas, a ciência já comprovou que a homossexualidade é apenas a orientação sexual da pessoa, o que não quer dizer nada sobre o caractere do mesmo. Inclusive há +26 anos a OMS (Organização Mundial de Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como uma doença psico-emocional. Sendo assim, podemos aceitar que por não ser uma patologia a homossexualidade não tem cura. Pra que você insiste?
Ah, lembrando também que existem heteros bons e ruins, mas não é a heterossexualidade que define isso, logo por que seria a homossexualidade o fator decisivo para alguém ser desqualificado como ruim e o heterossexualidade não? Controverso. Pense nisso.


2. Homossexualidade não é uma escolha.

Usar o termo "opção sexual" é errado, ofensivo e não precisamos alongar o papo nesta discussão. Ninguém escolhe ser homossexual, tanto quanto ninguém escolhe ser heterossexual. Já parou pra pensar quando foi que você menino decidiu gostar de garotas e vocês meninas, quando foi que vocês decidiram que era dos meninos que você gostava? Pois é, não houve esse momento; para nós gays e lésbicas também não.
A homossexualidade não é uma opção numa ficha cadastral, que a gente pode ir lá e marcar um 'X' na hora quer e cá entre nós, diante de tanta homofobia, ou seja, a violência contra homossexuais, quem seria louco de decidir ser algo perigoso? Quem em sã consciência decidiria passar por desavenças na família e outros meios sociais? Acredito que ninguém. Se você não escolheu ser hetero, entenda que gays e lésbicas também não escolherem ser o que são, mas somos, logo o melhor a fazer é aceitar e tentarmos conviver da melhor maneira possível.


3. Homossexualidade não significa inferioridade.

É, se seu coleguinha é gay ou lésbica, não quer dizer que ele seja inferior a você (muito menos superior). A orientação sexual das pessoas não é o fator dominante que determina suas capacidades físicas ou intelectuais, ou seja, o fato de alguém ser gay (ou não), não quer dizer que ele é mais ou menos capacitada de executar funções, nossa sexualidade não está ligada às nossas aptidões.



4. Piadas ofendem (e muito).

Piadas sobre gays podem ser engraçadas, sim, mas quando o cunho é de chacota e discriminativo perde-se toda a graça. Se você utiliza o humor pra estimular o preconceito e os esteriótipos, você não está sendo nada engraçado, mas bastante ofensivo.
Sabe essa ideia de quem todo gay é afeminado e que toda lésbica é masculinizada? Ou toda loira é burra? Todo gordo é desajeitado? Então, não é assim, abandone essas ideias estereotipadas por que se você ainda acha esse tipo de humor legal, tá passando vergonha (e muita).
Pode até parecer estranho, mas existem homossexuais em todas as areas do conhecimento e não acho tão difícil assim imaginar um pedreiro que carrega 100 sacos de cimento por dia ser gay ou invés da imagem do homossexual afeminado etc. nem todos nós seguimos esse padrão TV Globo/Hollywood do que é ser gay/lésbica.
Inclusive, já parou para pensar porque você nunca ouviu uma piada sobre heterossexualidade? Então...

5. Homossexualidade não é promiscuidade.

Para falar sobre esse tópico, preciso te dar uma informação séria: para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a pessoa (independente da orientação sexual) considerada promiscua é toda aquela que teve mais de dois parceiros sexuais dentro do período de seis meses. Ou seja, se você transou, beijou mais do que duas pessoas em 6 meses, sinto lhe informar, você é promiscuo (segundo a OMS); saber disso deixa a gente meio tonto né? Então...
As praticas sexuais heterossexuais e homossexuais são bem parecidas; existem, sim, vários gays que vivem uma vida com maior nível de liberdade sexual, tanto quanto existem vários heterossexuais que praticam livremente e intensamente sua sexualidade, porém sem levar o rotulo de promiscuo. Eis outra coisa que não é tão difícil de imaginar, mas existem muitos de nós (homossexuais) que querem casar, ter filhos, construir família etc e tal; inclusive, eu sou um desses gays que sonha em casar e ter uma família. Portanto, melhor não decidir rotular todo um grupo de pessoas de promíscuos por que você provavelmente desconhece a realidade individual de cada uma dessas pessoas e pode ofender bastante.
Inclusive, nem tudo que os homossexuais fazem tem cunho sexual, tá? Então tá.


6. Homossexualidade não é "um estilo de vida" que pode ser abandonado ou transformado.

Você que é heterossexual,já imaginou como séria chato ter durante muitos anos um homossexual que é seu amigo te dizendo o tempo todo que você precisa de uma experiência homo-afetiva para você ter uma vida melhor ou ter certeza de que é isso mesmo que você quer? Imagina você que é um homem convicto que gosta de mulheres e uma mulher certa que gosta de homens tendo que ouvir que seu "estilo de vida" está incorreto, que você precisa mudar sua situação sexual/social, que Deus vai te ajudar a mudar essa sua vida. Chato pra caralho, hein!? Não só chato, mas uma grande demonstração de desrespeito e discriminação, mas é exatamente isso que acontece com os homossexuais. É muito importante aceitar que você não pode transformar um homossexual em hetero (e vice-versa). Se aquela pessoa não decidiu ter uma experiência com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto, apenas respeite e cale-se, pois não é seu lugar de voz.



7. Homossexuais não são bichos de estimação.

"Toda mulher precisa de um amigo gay!", obviamente que não, né?! Se você tem um amigo gay e super se dá bem com ele, parabéns para vocês, mas existe, sim a possibilidade de um homem hetero ser amigo de uma mulher também heterossexual. Inclusive, imaginar que amizade entre homens e mulheres hetero não existe é a melhor forma de admitir os heterossexuais são um bando de promíscuos que só pensa em sexo, mas julgar não é meu papel (só dizendo).
Não trate os gays como se fossem um animalzinho de estimação, não reforce a ideia estereotipada de que ter um amigo gay é possuir um personal stylist, um cabeleireiro de plantão ou até mesmo um psicologo de balada que vai te animar o tempo todo.
Lembre-se que nem todos os homossexuais são iguais e tem vários por ai que não sabem nem para onde vai uma escova de cabelo (eu, por exemplo), tem milhares de gays que não se importam com combinações de roupas e muitos de nós não são 100% animados e dispostos a estarem em baladas com vocês. Ah, e essa história de que todo gay é sincero é mentira, tá várias FALÇAS entre nós.



8. Nunca arranque alguém do armário.

Num contexto onde você ficou sabendo que fulano é gay, mas outra boa parte do meio social de vocês não sabe, o melhor que você tem a fazer é ficar caladinho; cada pessoa tem seu tempo, cada gay ou lésbica vem de uma realidade diferente e o fato de você saber que aquela pessoa é homossexual não lhe dá o direito de vasculhar a vida intima da pessoa e espalhar aos quatro ventos a situação. Se você acredita que arrancar alguém do armário é a maneira mais adequada para que ela viva uma vida mais plena e feliz, linda, você tá errando feio, tá errando rude. Sem conhecimento prévio da situação da pessoa, acredito que você ajuda muito mais respeitando o tempo do individuo do que espalhando e especulando sobre sua sexualidade.



Para finalizar, queria contar que uma vez uma fã perguntou a J.K. Rowling, autora da série de livros do bruxo Harry Potter, se era verdade mesmo se Dumbledore era gay ou era apenas uma jogada de marketing, segundo a fã, ela não conseguiu ver a homossexualidade do bruxão. A resposta da autora foi muito simples, ela disse ao mais ou menso assim: "Ele é gay. Talvez você não enxergue, porque homossexuais são exatamente iguais a qualquer outra pessoa", eu penso que J. K resumiu muito bem tudo que eu gostaria de explicar. Nós homossexuais somos igual a qualquer outra pessoa, a única diferença é que o mundo (sem generalização) não enxerga dessa maneira.
Se você quiser insistir que sua religião diz isso ou aquilo sugiro também que você deixe o que é de Deus com Deus, não é sua função ser juiz da orientação sexual dos outros, por que está escrito na Bíblia: "Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7:1).

Se faz diferença para você que seu vizinho, parente ou colega trabalho ou faculdade se relaciona com alguém do mesmo sexo, procure ajuda médica (psicologo) você não está bem.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Gratidão Não é Escravidão

Eu admiro muito qualquer pessoa que consiga se desprender de valores egoístas para prestar um beneficio a quem precisa; seja essa pessoa necessitada alguém da família, amigos ou até mesmo um desconhecido no meio da rua ou na África. Ter empatia/alteridade e ser capaz de ajudar alguém é sem sombras de dúvidas uma qualidade que diversas pessoas poderiam desenvolver para que o mundo se tornasse um lugar melhor, mas como em toda história, a gratidão também tem seu "lado B", e é sobre isso que quero desabafar.


É com muito incomodo que eu tenho observado que há uma tentativa de usar a gratidão com forma de dominação e opressão. A dita "ingratidão" é tida como a falta de reciprocidade, como se ficasse pairando no ar o sentimento de que se você ajudar alguém automaticamente essa pessoa tivesse a obrigação de se tornar serviu; uma especie de dívida eterna é criada entre os dois indivíduos. Porém, acredito que o principio básico de quem decide ajudar ao próximo seja a não necessidade de que haja algo em troca.

Se esperamos algo em troca daqueles a quem damos auxilio, a gratidão (destorcida) se transforma numa moeda de troca. Se alguém lhe estende a mão com interesse de retorno, isso não é generosidade ou altruísmo o nome disso é utilitarismo, é aproveitar-se, não é uma ação espontânea desprendida de interesses. Observe as pessoas que te ajudaram algum dia, se algum deles agiu esperando reciprocidade, mesmo com o reconhecimento desda ajuda, irá pairar o sentimento de cobrança, como se existisse uma débito entre vocês; quando o auxilio vem carregado de interesse a resposta emocional é o sentimento de libertar-se, pois nesse caso você foi escravizado sem perceber.

Sou grato por todos que me ajudam e me ajudaram até hoje, mas gratidão não envolve subserviência ou negação. O que eu quero dizer é que ser grato não significa que você necessita fazer tudo que lhe é pedido a fim de "pagar uma divida", até porque a gratidão é o pagamento do que é impagável. Por isso repito: gratidão não envolve reciprocidade. Não envolve retorno. Porque quem faz não espera nada em troca, ou pelo menos não deveria. Quem faz algo por alguém, sabe que o a recompensa do ato generoso é o prazer de exercer generosidade. Aquele que tem o coração bondoso se torna satisfeito por exalar o que é bom.

Que o Universo nos livre de todo forma de escrevidão e opressão!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Retorno de Saturno


Minha segunda década de vida foi-se e foi tarde, eu diria (achei chatíssimo!). Por mais que não dê para dizer que foram anos ruins, também ainda não dá para dizer que foram os melhores; foi uma etapa de busca de autoconhecimento, momentos de solidão e desespero, experimentações, troca de opiniões, (muitas) dúvidas, decisões erradas, porém houveram inegáveis conquistas, superação, sobrevivência, (boas) surpresas inesperadas, aquisições e celebração de várias amizades que vão durar para sempre, houveram muitos sorrisos, amor e choro; mas minha década de 20 já deu tudo que tinha que dar, e tirou também.

E pensar que ter trinta anos já foi algo que me assustou muito, já chamei os 30 de "idade do medo", simplesmente porque eu achava uma idade inatingível e quando eu estivesse aqui seria tão velho e bem sucedido que 'ter dinheiro' aliviaria a preliminares da morte, que na minha cabeça aconteceria brevemente. Ledo engano, Leda Nagle!

Bem, como o rio segue para o mar, o trigésimo ano vivido chegou: e agora? Quais são os planos? Quais as exceptivas?

Primeiramente, Fora Temer.
Agora, sinceramente, escolhi (tentar) não ter resoluções/expectativas. Ainda fico me debatendo com questionamentos e dúvidas, sou mais seguro do que antes, mas também sigo incertos caminhos; a verdade, é que mudei mesmo sendo o mesmo, contudo percebo a cada dia que existe uma diferença enorme entre exceptivas e empolgação. Por exemplo, posso me empolgar com aquele cara incrível que conheci de maneira singular no ônibus, mas não tenho expectativas que ele siga o roteiro do romance que está dentro da minha cabeça; resolvi expandir essa percepção para todas as áreas da minha vida, me empolgo, mas tento não me enganar com expectativas.

É libertador perceber que, talvez algo aconteça, talvez não. Já [me] prometi tanto antes e não cumpri então, sem promessas para essa década; sem objetivos além de objetivo de continuar a tentar ser uma pessoa melhor.

Vou ficar.
Pensar.
Agir.

Escolhi me recolher mais, aceitar que não vou morrer, que decerto não vou ser multimilionário (ou vou), optei acreditar que é só mais um dia passando para outro… dois e nove que são trocados ou três e zero, quem me conhece sabe que não sou bom com números e agora sei que podemos usá-los sem me importar com essa contagem insana da idade.

Decidi respeitar (mais) as escolha dos outros. Quero escolher ser melhor para que o mundo seja melhor ao meu redor. Olho um horizonte fictício, até sinto uma brisa que não existe, são os ventos da esperança, que me torna humano que me faz acreditar que, quem sabe, ano que vem vai ser melhor... Talvez seja, talvez não. Tudo vai depender das minhas minhas escolhas e para os trinta anos eu escolho que tudo que me faz mal seja levado para bem longe, que nos não falte amor e que as coisas boas venham e se tornem rotina.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Fascista Brasileiro

Primeiramente, FORA TEMER!


Você já tentou conversar/debater com um fascista brasileiro?

Tentar debater com um fascista é uma experiência fatigante, traumatizante e emburrecedora; um fascista sempre tem um discurso roteirizado, cheio de referências rasas possivelmente resultante de noticias tendenciosas vindas da Rede Globo, Folha de São Paulo e/ou qualquer publicação do Grupo Abril, tipo revista Veja (não veja, nem leia). Um fascista não está aberto a dialogar, ele tem um discurso pronto, inabalável e eles detestam admitir que estão errados, e na maioria das vezes estão.

O fascista é burro (sem querer ofender os Equus Africanus Asinus) por que não se permiti questionar, não está aberto ao dialogo ou pelo menos à tentativa de compreensão mutua. Quando você começar a argumentar com dados e referências que não sejam unilaterais (como a opinião dele é) o fascista vai dizer que você é violento, não tem senso critico e vai te acusar de partidarismo quando na verdade essas são as características que se encaixam nele.

E por falar em partidarismo, outra peculiaridade sobre o fascista brasileiro é o ódio faccionista que ele carrega nas costas (e que peso, hein!?). Hoje mesmo estava tentando debater com um fascista sobre racismo, vejam bem, eu estava tentando falar sobre nada além de RACISMO, porém quando a conversa tomou um rumo que não estava no roteiro do moço, eis que ele tentou desviar o dialogo para xingamentos ao Partido dos Trabalhadores (PT). Faz algum sentido? Pra mim, não. Até por que até onde sabemos o PT, que não tinha nada haver com a confabulação entre ele e eu, não foi fundando na Europa, não invadiu a África, não surgiu numa Capitania Hereditária etc. É isso mesmo, todo fascista brasileiro inexplicavelmente tem um ódio crescente contra o PT e seus lideres, provavelmente não importa sobre o que você esteja tentando conversar, quando não tiver mais saída para o autocrata, ele vai tentar insultar o partido. É como se as frases "Lula é ladrão!" e "Fora Dilma!" ou "Aqui não é Cuba!" fosse a argumentação final, a logica mais inteligente e conclusiva do mundo. Senhoras e senhores, não é.

Prezados, não vamos ser mediócres de pensamentos e nos limitar a implicância partidária/politica, libertem-se desse pensamento limitado, ordinário que não acrescenta em nada ao discurso esse palavrório batido de ódio gratuito contra o Partido dos Trabalhadores. Foco no que está sendo dito, libre-se do ranço idealista promovido pelo mídia golpista e pouco confiante. Perceba que você está passando por um adestramento social, essa opinião que você está defendendo tão fortemente, nem é tão pública assim, ela é publicada. Você é só mais um fantoche, pena que não percebe.

Contudo mesmo sendo enfadonho e quase sempre insatisfatório o resultado de um tentativa de dialogar com um fascista brasileiro, aviso-os que vou continuar a palestrar (quase) todas as vezes que uma inverdade estiver sendo divulgada, com a certeza que a casa grande treme todas as vezes que a senzala fala; apenas peço que VÁ ESTUDAR e no mais, fascistas, parem de bater panela, é vergonhoso e sócio-politicamente falando nada efetivo.

A Luta de verdade não é do alto de uma cobertura, é na rua.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Existe Orgulho no Dia do Orgulho LGBT?

Dia 28 de Junho é o dia que nós da Comunidade LGBT nós abrimos um pouco mais para dizer que temos orgulho do que somos e comemoramos o "Dia do Orgulho LGBT", alguns de nós sabem que a origem dessa 'comemoração' se deu porque no ano de 1969, frequentadores do bar Stonewall Inn (Nova Iorque/EUA), voltado para o público homossexual e transexual, reagia à ação abusiva, violenta  e desumana constante da policia local. Fato que desencadeio mais dois dias de protestos e culmina na marcha ocorrida no dia 1 de julho de 1970, em lembrança ao aniversário do motim, precursora das atuais Paradas do Orgulho LGBTQ. Hoje é dia de lembra do Orgulho de ser quem é, de lembrar do heróis que possivelmente não sabemos os nomes, mas que abriram alas para nós, a nova geração.

Dados históricos à parte, já se passaram 47 anos desde a 'Rebelião de Stonewall'. Nós acreditamos que estamos mais livres em nossas redes sociais para dizer "Feliz Dia do Orgulho LGBT", mas a onda de violência está cada vez mais crescente, o ódio parece não cessar, cada dia surge um novo 'representante' de Deus para dizer que a homossexualidade é errado, porém que seja hoje também o dia de reconhecermos que essa data não significa nada além de RESISTÊNCIA!


Alias, hoje também é dia de CERTIFICAÇÃO e AGRADECIMENTO aos que lutaram por nós no passado. É precisamos reconhecer que não será a heteronormatividade que nos salvará, pois foram as bichas negras, as bichas femininas, as lésbicas masculinizadas, as drags, as trans, os 'estranhos', os menos favorecidos financeiramente, foram todos aqueles que um dia receberam o adjetivo de profanos, abomináveis, os 'não dignos' que abriram espaço para que hoje você e eu tenhamos (o minimo de) voz.


Orgulhe-se de verdade em ser o que você é! Seja você um ato politico vivo. Não tenha medo por que ser LGBT vai além de deitar-se com alguém do mesmo sexo; nós nascemos assim, por isso ser LGBT é ser perseverante.

E que seja hoje a confirmação de que NÓS NUNCA VAMOS FICAR EM SILÊNCIO!

VAI TER VIADAGEM, SIM!






sexta-feira, 3 de junho de 2016

Ofensa Não é Brincadeira OU Amizade é Outra Coisa

— Por que você está se envolvendo com isso, nem foi com você?!! — as pessoas me questionam quando veem eu me posicionar contra o preconceito.

E a resposta é simples do que imaginam; eu me envolvo porque no dia que cada um cuidar só de si, o mundo pode acabar e nós estaremos perdidos. Basta apenas ser humano para defender as pessoas; mesmo que essas pessoas não estejam inseridas no mesmo grupo social, étnico, econômico, sexual que nós estamos.


Eu não preciso ser diferente para lutar contra o bullying.
Eu não preciso ser negro para lutar contra o racismo.
Eu não preciso ser mulher para lutar contra o machismo.
Eu não preciso ser judeu para lutar contra o antissemitismo.
Eu não preciso ser gordo para lutar contra a gordofobia.
Você não precisa ser LGBT para lutar contra a homofobia.

Quem desconhece o significado de ALTERIDADE e EMPATIA pensa que sou apenas um louco, problemático, aquele que procura confusão com todos; se o que dizem ser "confusão" for minha atitude em defender as pessoas e esclarecer ao mundo que conviver uns com os outros e suas diferenças está cada vez mais difícil, sim, lamento informar, mas eu sou A confusão em forma de ser humano.

— É só uma brincadeira — eles dizem.

Não, amiguinho! Não é apenas uma brincadeira. E por mais incrível que pareça, é possível fazer humor sem atacar as pessoas. Nunca se esqueçam que o preconceito fere físico e psicologicamente, mas quem sente não é você que está "brincando", que vivencia o ataque maquiado de brincadeira são as pessoas que tem uma conduta diferente da sua, elas que vão ter que lidar com os danos que a chacota, dita brincadeira, o fez sofrer. Vamos repensar? 
"Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.", já dizia o educador Paulo Freire.
Ele não poderia estar mais correto nesta colocação, o que vemos diariamente são pessoas que passaram por algum tipo de opressão e quando encontram alguém dito 'mais fraco', ao invés ter alteridade e empatia suficiente para acolher, se torna opressor; replicando assim o comportamento daqueles que o atacaram um dia. Ninguém precisa ser assim!

…E antes que esse texto acabe, vamos voltar para a alteridade, que ter um sentindo muito fácil de entender e nada mais é do que ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, perceber as diferenças, respeitá-las, sem perder a sua essência como um ser humano único.

É isso, o mundo será um lugar melhor quando pensarmos sobre o que falamos, com quem falamos, onde falamos e por que falamos. Ofensa não é brincadeira! E que seja reciproco todo sentimento verdadeiro.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mais um Dia dos Namorados…

Eu tenho sempre comentado que a ferramenta "Neste Dia" do Facebook, tem sido um grande aliado (ao menos para mim) na hora de apagar aquele close errado, relembrar aquela foto, aquela festa, aquela bad-trip, aquela indireta para as inimigas, que a gente postou anos atrás e possivelmente nem lembrava que aquelas palavras ou imagens se quer existiam…

E lá vem mais um Dia do Namorados…

Obviamente que o Facebook está mostrando meu processo de digerir essa data ao longo dos anos, que insistimos em chamar de "comercial", mas não deixamos de nos pegar (uma hora ou outra) pensando que seria uma coisa bem legal estar com alguém, trocar presentes e coisinhas românticas etc e tals na porra desse dia! Certo? Então está certo.


Dia 02 de Junho de 2012, eu postei essa foto (acima) de dois rapazes segurando suas mãos com a legenda "…um dia chegará minha vez"; quatro anos se passarem e mais um Dia dos Namorados sozinho. Será que posso dizer que 'minha vez' não chegou?! Será que 'minha vez' vai acontecer um dia?

E quando eu me percebo questionando essas coisas, me lembro de um amigo que um dia me disse que não me via como um ser amável, ou melhor, ele não me via alguém para ser amado; segundo ele, eu sou 'demais', eu falo alto demais, eu tenho opinião demais, eu explico demais, detesto demais, amo demais e isso não iria permitir que alguém estivesse ao meu lado, essas características que fazem eu ser o que sou, na visão dele seriam algo que me impediria de ser amado por alguém. Admito que acreditei muito nessas palavras por bastante tempo, ele nem deve lembrar que me disse (duvido até que lembre o que almoçou hoje) mas até hoje tento me libertar dos efeitos do verbo sob mim, não é fácil.
E meu mecanismo de defesa é o silenciamento, eu digo para as pessoas que elas estão livres (elas estão de fato), mas a verdade é que existe uma voz lá no fundo da minha cabeça dizendo que eu não presto para ser amado por ninguém; Sendo assim não resta muito o que fazer além de deixar as pessoas passarem. O mais interessante dentro desse movimento é perceber que por mais que eu tente me blindar de certas situações, elas tendem a se repetir; Um ciclo. No entanto o ciclo do qual eu preciso me libertar é o meu próprio ciclo.

Será mais um Dia dos Namorados sozinho, mas a verdade é que eu espero que o amor não seja para sempre, para mim, apenas um verbo conjugado no futuro (inatingível) ou no passado (uma memoria nunca vivida).

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pais, Filhos, Gays e uma tal de Alteridade

Como se não bastasse todas as lutas e riscos que nós gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais e transgêneros corremos todos os dias, em tempos de Jair Bolsonaro e Ana Paula Valadão discorrendo todo seu ódio contra a comunidade LGBT, e influenciando milhares de pessoas ao redor de todo o Brasil, levando boa parte do povo brasileiro a acreditar de verdade que a homossexualidade e questões de gênero são algo negativo, desprezível e humilhante; acredito que seja bastante necessário divulgarmos e enaltecermos toda e qualquer ação que seja de repudio a tais atitudes, principalmente se isso acontece dentro das reais famílias brasileiras.

Eu venho compartilhar essa história sem nenhum intenção de autopromoção, mas simplesmente por sentir necessidade de contribuir positivamente com o buzz em relação ao esforço diário de mostrar para a sociedade brasileira que ser homossexual e/ou transsexual não é de maneira nenhuma degrinitório.

Bem, tudo começou quando eu estava no grupo LDRV do Facebook e uma das tour  (post) do grupo era alguém divulgando o fato do Brandon Dias (foto abaixo) ter compartilhado uma imagem de si usando um vestido como forma de debate e critica contra o machismo e os padrões de normatividade impostos socialmente aos homens (homossexuais ou não); lindos, inclusive (o Brandon e o vestido).


Como é sempre de se esperar (infelizmente) sempre tem alguém no meio do rolê para causar aquela contenda… e nesse caso, foi o tio de Brandon, o Sr. Paulo Roberto, que veio cagar na história e resolver comentar no post do sobrinho, seu repudio à atitude fora do padrão que ele não acredita ser o modelo de masculinidade esperado, ele comentou:


A coisa toda tomou um rumo ótimo quando Brandon resolver comentar a foto, numa tentativa de desconstruir o pensamento do tio machista, dizendo que uma peça de roupa (dita) feminina não altera em nada sua masculinidade (nem dele, nem de nenhum outro homem), o que é bem verdade, já que esse conceito de gênero foi agregado à vestimenta pelo cristianismo (após a morte de Jesus Cristo) que transformou em 'pecado' tudo que podia em seu caminho. Brandon disse:


O povo do bem é forte! Logo em seguida veio o comentário de o Sr. Weliton, o pai de Brandon, que desaprovou a critica infundada do tio; ele rebateu:


É neste ponto que eu entro na história; minha realidade social/emocional com meu pai é nenhuma realidade. Em agosto de 2016 eu farei 30 anos de idade e há 16 anos meu pai e eu não temos uma relação de amizade, ou qualquer dialogo minimo; aparentemente o motivo é minha evidente e orgulhosa homossexualidade assumida numa cidade de pouco mais de 18 mil habitantes perdida no do Sudoeste da Bahia.
O comentário de Sr. Weliton ecoou tão fortemente em meu coração e de tantas maneiras positivas por me fazer entender, que mesmo não sendo minha realidade há diversas famílias ao redor do Brasil que dão suporte às decisões de seus filhos, no sentido de assumir sua identidade sem se importar com os padrões estabelecidos socialmente. Eu me emocionei e fiz o seguinte comentário:


Esse foi meu comentário mais sincero. Eu expus minha situação familiar para milhares de pessoas ao redor do Brasil porque preciso me curar emocionalmente, eu preciso continuar acreditando que estou no caminho certo, que há esperança e que se nós, seres humanos, começarmos a aplicar o sentimento de alteridade e entender que a existência o 'eu' de forma induvial, só acontece por meio da conexão com aos outros, que estamos todos ligados e o que acontece com um, reflete em todos tudo pode mudar para melhor. A alteridade implica que cada um indivíduo é capaz (ou deveria ser) de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes, sendo assim, partimos do pressuposto básico de que todo o humano social interage e interdepende do outro (independentemente de parentesco familiar). 

Seja como for, essa história antes de acabar ganhou um capitulo maravilho; mesmo me sem conhecer pessoalmente o Sr. Weliton e sua postura tão de tamanha alteridade, empatia, inteligente, humanidade e dignidade, passei a condoerá-lo, uma especie de herói, um modelo a ser seguido. Pois ele, mesmo sem precisar me enviou uma mensagem privada de solidariedade. Leiam:



Meu sinceros sentimentos de amor e reciprocidade ao Sr. Weliton e a todos os outros pais, mães, avós, tias, tios, primos(as) e amigos que todos os dias quebram paradigmas impostos e questionam imposições religiosas, sociais e não fazem nada além de amar. O mundo precisa de mais pessoas como você. Meu muito obrigado.

Você pode conferir essa história clicando aqui.




P.S: não acredito que esse texto irá mudar minha situação familiar com meu pai, nem cogito a ideia de que ele irá ler essas palavras. Tudo bem, mas que fique registrado que eu sou uma pessoa do bem, independente dele ou de minha condição sexual.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Dia que Ana Paula Valadão Defecou pelas Mãos


Hoje nos deparamos com a cantora gospel, supostamente um 'discipula' de Jesus Deus, Nosso Senhor, Ana Paula Valadão defecar pelos dedos na rede social Facebook, revoltadíssima com a vídeo-campanha da fast-fashion C&A para o Dia dos Namorados, que eles chamam de Dia dos Misturados; e só para vocês entenderem, a tal propagando está ligada a questões de gênero, pois os modelos trocam de roupas (ditas) masculina/femininas. Obviamente, como já era de esperar, o texto cantora gospel, foram de um nível machista, patriarcal, retrogrado tão absoluto, que me deu uma inquietação e uma vontade de falar, sabe!? Mas além de texto ridículo no qual Valadão critica a C&A, ela também usa 13 hashtags (sim, TREZE!), apenas para confirmar que estamos lidando com uma pessoa ignorante e desinformada total, coitada.
Então, e esse texto é para comentar as hashtags que Ana Paula Valadão usou no seu texto desprezível.

1. #SouFemininaVistoComoMulher;
Aqui temos que falar um pouco sobre História da Moda; para começar o conceito 'lady like' ou como ela diz "feminina", é uma ideia tão Anos 50, pós guerra, retrograda que só comprova o patriarcado da mensagem, ou seja, Valadão provavelmente é uma mulher machista.

2. #HomemVesteComoHomem;
Aqui vamos falar sobre regionalismos e cultura; basta dizer que países como Escócia homens usam saia e é culturalmente aceito, não interfere de maneira alguma na masculinidade do individuou, muito pelo contrario. Há também como exemplo os homens do Oriente Médio que usam uma bata tão longa que poderia ser considerada um vestido, mas que também não influência em nada, ou seja, o conceito "roupa de homem VS roupa de mulher" é bem século passado. Dica: moderniza que a senhora está barroca!

3. #UnisexNãoExiste;
Então, o unisex existe, sim! Olha a História da Moda de novo... Inclusive, a vestimenta na Pré História tinha apenas a função de proteger, aquela figurinha do livro da 7ª série que as Neandertais estão de saia é mentira. Tá? Tudo mundo usava um monte de pele ao redor do corpo, Grécia e Roma o comum era a toga ou túnica, peça unisex, com certeza, sendo assim, posso lhe afirmar com embasamento cientifico antropológico que a indumentaria só ganhou cunho de gênero centenas de anos depois com a estabilização do cristianismo como religião padrão.

4. #NãoÀIdeologiaDoGênero;
Poxa, essa foi pesada! Por que em pleno século XXI uma pessoa conseguir dizer "não" à ideologia de gênero nos coloca numa posição social tão retrograda que admito a vocês, nem merece ser comentado e garante que Ana Paulo nem está no mesmo nível intelectual que o nosso. É triste!

5. #DeusFezHomemEMulher; 
Eu ri dessa, sério mesmo, dei uma gargalhada! Assim, há controvérsias que Deus tenha criado apenas homens e mulheres, quer dizer, ele fez mesmo homens e mulheres, mas isso não quer dizer que homens podem nascer em corpos de mulheres e mulheres também podem nascer no corpo de homens, certo? Então tá certo! Até por que no meio dessa história de "Deus fez homem e mulher" tinha uma cobra falante, fruta mágica e tudo num jardim jamais localizado etc. Então....

6. #FamíliaÉHomemEMulher;
MENTIRA! Família é avó, avô, ti@, madrinha, prim@s, @s amig@s, vizinh@s, as sapa, as manas, as travas, as trans, os animais de estimação e todos que se amam! FAMÍLIA É AMOR! E eu retiro de você, Ana Paula Valadão todo e qualquer direito que você devaneia possuir ao tentar definir famílias o que é e o que não é família, você não tem esse direito. Estamos entendidos? Obrigado.

7. #HeteroSexualidade;
Tipo, AND? Heterossexualidade, homossexualidade ou sexualidade nenhuma é a mesma coisa, né fofa?! Essa hashtag não acrescenta em nada. Repito: com amor tudo é válido.

8. #MonogamiaHeterosexualÉSexoSeguro;
Temos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) que os índices de DSTs, como HIV+, tem maior incidência em heterossexuais do que em LGBTQs, OU SEJA, a heterossexualidade não é garante tanta segurança assim, não. Monogamia, talvez.

9. #Cristianismo;
AND? Vamos aos fatos: iguais a história de Jesus Cristo existem outras +3.500 de Deuses que são exatamente a mesma história, pesquise. Sendo assim, não se sinta tão especial assim por ser cristã, por que tem religiões bem mais interessantes por aí, basta tirar o véu e ver.

10. #AmizadeDoMundoInimizadeDeDeus;
Daqui em diante eu já começo a ficar todo enjoado, sabe?! Por que é muito desinformação reunida num só lugar. Eii, estamos todos no mundo. Corta essa, Valadão!

11. #NaoEstouEmBuscaDeFasMasDeCristo;
OK. Justifique essa hashtag abdicando de usa carreira, sendo assim saia das redes sociais, não cobre cachê por shows ou melhor, nem faça mais shows, quem sabe se tranque dentro de casa. Beijos e obrigado

12. #AgradarADeusNaoAHomens;
Como você está tão certa que está agradando a Deus disseminando tanto ódio, mocinha?! Vamos repensar as atitudes por que elas falam mais alto do que qualquer louvor seu. Tá? E disse Jesus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 7:21)

13. #GalatasUmDez;
Esta toda apega nessa ideia de conflito entre agradar Deus, agradar ao homem, hein!? Seria alguma tentação, Ana? Se for, se joga! Apoiamos. Mas também disse Jesus: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus." (Mateus 22:21) Simples assim.

quarta-feira, 23 de março de 2016

história 210: aquela do bronzeado


Eu não sou muito de sonhar. Inclusive, teve uma época que eu só sonhava em P&B (o que acho conceitual até hoje); em outros tempos eu só sonhava sendo o observador, me vendo fazendo as coisas tipo um filme, saca? Hoje em dia, eu geralmente sonho com as últimas coisas que eu vejo na internet antes de dormir, misturado com coisas do meu dia a dia. E  essa semana não foi diferente, depois de ver umas fotos de uma antiga namorada (na falta de uma definição melhor para o que nos aconteceu; e sim, mulher) no facebook, misturada ao atual déficit de sexo em minha vida, sonhei:

No sonho estávamos todos numa festa na piscina de um sítio ou casa de praia, enfim, não tinha muitos detalhes sobre onde estávamos, mas o certo é que era uma festa ao redor de uma piscina e tinha vários pessoas que pelo jeito era amigos e tals.

Pois bem, eu estava sentando numa daquelas espreguiçadeiras tomando uns bons drinks, o calor incomodou e eu fui me refrescar num dos chuveirões que tinham um pouco afastado de onde todos estavam. Enquanto eu tomava meu banho, minha ex namorada se aproximou sorrindo, toda se querendo para me lado, sensualizado, daí ela me disse que queria me mostrar uma coisas, eu de tão envolvido, curioso e excitado com toda aquela cena que nem consegui falar nada, só acenei com positivo com a cabeça, ela ficou de costas para mim (lindíssima) e em quanto me observa por cima do ombro um meio sorriso safado na boca de lábios carnudos, começou a abaixar o biquíni revelando a marca de bronzeado que ela tinha adquirido, eu olhava a contraste da pele hipnotizado, uma gota de suor desceu pela derme, me lembro cheiro agradável do bronzeador, o som da música e da conversa das pessoas.

Admito que durante o sonho não considerei nada a respeito de minha homossexualidade (se é que homossexualidade existia ali), na verdade, eu estava pensando muito era poder tocar na pele da menina e lhe dar uns pegas bem delicia; e foi exatamente isso que a gente foi fazer. Não precisou de conversa, eu desliguei o chuveiro, peguei na mão dela e fomos em direção a um quarto que tinha próximo… ela entrou, eu olhei na direção da piscina, o relexo do sol ofuscando meus olhos… tan nan nan nan nan o celular começou a tocar em alto e bom som "Toxic" de Britney Spears, era meu despertador; hora de trabalhar. UFA! Acordei, regressei a realidade e o Universo estava em harmonia outra vez (mas o pau, duro). Vou te contar…


Rihanna para Lui Magazine, no 7 | França, 2014.


terça-feira, 22 de março de 2016

Nove é um Número Composto

Eu sou péssimo em datas; e é uma coisa que tem piorado ao longo dos anos. Porém, felizmente, atualmente nós temos várias ferramentas para nos lembrar das coisas que fizemos (algumas bem vergonhosas, inclusive. não exite de usar o delete) e hoje eu fui lembrando que é 2010 eu esqueci que dia 13 de Março é o dia do aniversário de meu blog.

E vocês acham que esse esquecimento todo vem do nada? Não vem, não. Meu blog é de peixes e não existem criaturas mais esquecidas no mundo do que o povo de peixes (exceto, talvez, pelo povo de gêmeos).
Então, é isso… dia 13 de março de 2007, há 09 anos atrás nascia o "Vou te Contar…"; inspirado na novela "Páginas da Vida" de Manoel Carlos eu resolvi começar a compartilhar sobre meu dia a dia, sobre as história minha vida, que aparentemente era uma vida (in)comum no interior da Bahia e de lá para cá muitas coisas mudaram; mudei de cidade, mudei de trabalho, mudei de amizades, mudei o curso da vida e a vida mudou minha trajetória várias vezes; voltei pro caminho outras tantas, desci no fundo do poço e ainda estou tentando (arduamente) sair dele, mas que uma coisa fique certa, amor, eu nunca deixei de ser autentico ao que eu acredito.

Nove anos depois, são +200 histórias contadas, várias opiniões sobre sobre a vida, o universo e tudo mais e não preciso fazer uma prova dos nove para ter certeza que nesses noves anos houveram muitas coisas dispensáveis, mas mesmo assim todas válidas.

Que venham mais noventa e nove anos e que a vida, acima de qualquer coisa, continue sendo singular!
Vou (continuar a) te Contar…

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Tempos Líquidos para Humanos Máquinas

Não saberia dizer ao certo agora, mas acredito que foi na sétima ou oitava série do Ensino Fundamental, ainda lá em Tremedal, numa dessas manhãs quentes em que o telhado de Eternit do CET (Centro Educacional de Tremedal) tornava a sala de aula uma verdadeira sauna; lá o Profº. Marcolino durante uma aula de Geografia narrou que no Japão, quando um aparelho eletrônico quebra, mesmo com possibilidade de recuperação, eles não mandam para a assistência técnica, mas os descarta afim de comprar um novo; nunca verifiquei se essa informação era verdadeira, porém me lembro de ter achando a ideia um tanto absurda, ri da ignorância nipônica, depois desejei ser algum tipo de imigrante/mendigo espertalhão que iria catar lixo eletrônico na ilha japonesa para mandar para o Brasil e ficar rico (??) Ledo engano, Leda Nagle.

"Melting Men" by Nele Azevedo. Berlin, 2009
Uma coisa é certa, nunca me tornei um catador de lixo eletrônico no Japão, ou se quer pisei os pés lá, mas daquele momento em diante entendi que descartar algo por estar com defeito, mas com possibilidade de reparo, era um ato que vinha embutido com ignorância. Desde então, recuperar, resgatar, reconquistar, restaurar se tornaram palavras essenciais e parte de minha vida.

Obviamente que trocar um aparelho é uma liberdade que todo consumidor possui e não há como discutir que é válido esse direito; convivemos muito bem com a ideia de que os produtos surgem já com obsolescência programada, sabemos que comprar hoje o iPhone 6 Plus significa que em meados de Setembro do próximo ano ele será descartado e substituído por um modelo mais moderno, curvilíneo, com tela de retina 4K com mais definições de pixel etc e tals. O (meu) incomodo surge, na verdade, quando transferimos essa intenção de substituição para os seres humanos, o problema é acreditar que durante o processo de construção de uma relação (seja ela romântica, parental ou de amizade), caso surja uma imperfeição, seja por medo, incerteza ou  insegurança o próximo passo a ser realizado é substituir aquele individuou que aparentemente não se encaixa na sua idealização ‘de bom funcionamento’. Esquecemos que seres humanos estão suscetíveis a falhas, esquecemos que a perfeição é uma ideia vaga e utópica.

O sociólogo intelectual polonês, Zygmunt Bauman afirmou: "Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.". Bauman foi tão brutalmente realista, que é impossível negar que infelizmente boa parte da sociedade pós moderna (essa sociedade que você e eu estamos inseridos) transferiu as conexões superficiais entre o ser humano e objeto também para relações entre humanos com humanos. Sendo assim, se nada é feito para durar, as conexões humanas (e o amor) são banalizados, os relacionamentos não são feitos para permancer, por que caso aja alguma “falha no sistema” o mais fácil é desconectar-se.

Mas há quem [eu] reme contra a maré e se recusa a atualizar o sistema!