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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

8 Dicas de Como Respeitar e Não Ofender um Homossexual

O Século XXI já está entre nós e com ele veio a pós modernidade, a diversidade de pensamentos, ideologias e crenças. É certo que sempre houveram homossexuais desde que existe humanos na Terra e a cada dia que passa é mais comum ter contato com um homosexual na família, no trabalho, no médico, no mercado, na vizinhança, faculdade etc. Porém, o que deveria ser tratado como algo comum, na verdade, tornou-se motivo de tabus, controvérsias e de opiniões ignorantes por falta de informação.

O crescimento da homossexualidade não vai ser alterado, se você é heterossexual e está lendo esse texto saiba logo que, o simples fato de você ser uma menina e gostar de menino (e vice-versa) te coloca numa posição de privilegio, que nós homossexuais não temos, por isso, é sempre bom medir as palavras quando se dirigir a um homossexual (masculino ou feminino), pois mesmo não querendo, talvez, você pode estar discriminando e ofendendo aquele seu amigo da comunidade LGBTQ+ porém achando que tá tudo legal, mas não está.

Pensando nisso decidi escrever um guia simples com dicas do que acho mais importante para começar a não insultar e/ou ferir os sentimentos dos homossexuais com o qual você tem contato.

1. Homossexualidade não é doença.

"Ah, mas a Bíblia e meu pastor diz que..." PARA!
Por mais que as religiões de matriz cristã defendam a ideia de que a homossexualidade é uma doença psicológica/emocional e por conta disso se acha no direito de discriminar e incentivar o ódio os gays e lésbicas, a ciência já comprovou que a homossexualidade é apenas a orientação sexual da pessoa, o que não quer dizer nada sobre o caractere do mesmo. Inclusive há +26 anos a OMS (Organização Mundial de Saúde) deixou de considerar a homossexualidade como uma doença psico-emocional. Sendo assim, podemos aceitar que por não ser uma patologia a homossexualidade não tem cura. Pra que você insiste?
Ah, lembrando também que existem heteros bons e ruins, mas não é a heterossexualidade que define isso, logo por que seria a homossexualidade o fator decisivo para alguém ser desqualificado como ruim e o heterossexualidade não? Controverso. Pense nisso.


2. Homossexualidade não é uma escolha.

Usar o termo "opção sexual" é errado, ofensivo e não precisamos alongar o papo nesta discussão. Ninguém escolhe ser homossexual, tanto quanto ninguém escolhe ser heterossexual. Já parou pra pensar quando foi que você menino decidiu gostar de garotas e vocês meninas, quando foi que vocês decidiram que era dos meninos que você gostava? Pois é, não houve esse momento; para nós gays e lésbicas também não.
A homossexualidade não é uma opção numa ficha cadastral, que a gente pode ir lá e marcar um 'X' na hora quer e cá entre nós, diante de tanta homofobia, ou seja, a violência contra homossexuais, quem seria louco de decidir ser algo perigoso? Quem em sã consciência decidiria passar por desavenças na família e outros meios sociais? Acredito que ninguém. Se você não escolheu ser hetero, entenda que gays e lésbicas também não escolherem ser o que são, mas somos, logo o melhor a fazer é aceitar e tentarmos conviver da melhor maneira possível.


3. Homossexualidade não significa inferioridade.

É, se seu coleguinha é gay ou lésbica, não quer dizer que ele seja inferior a você (muito menos superior). A orientação sexual das pessoas não é o fator dominante que determina suas capacidades físicas ou intelectuais, ou seja, o fato de alguém ser gay (ou não), não quer dizer que ele é mais ou menos capacitada de executar funções, nossa sexualidade não está ligada às nossas aptidões.



4. Piadas ofendem (e muito).

Piadas sobre gays podem ser engraçadas, sim, mas quando o cunho é de chacota e discriminativo perde-se toda a graça. Se você utiliza o humor pra estimular o preconceito e os esteriótipos, você não está sendo nada engraçado, mas bastante ofensivo.
Sabe essa ideia de quem todo gay é afeminado e que toda lésbica é masculinizada? Ou toda loira é burra? Todo gordo é desajeitado? Então, não é assim, abandone essas ideias estereotipadas por que se você ainda acha esse tipo de humor legal, tá passando vergonha (e muita).
Pode até parecer estranho, mas existem homossexuais em todas as areas do conhecimento e não acho tão difícil assim imaginar um pedreiro que carrega 100 sacos de cimento por dia ser gay ou invés da imagem do homossexual afeminado etc. nem todos nós seguimos esse padrão TV Globo/Hollywood do que é ser gay/lésbica.
Inclusive, já parou para pensar porque você nunca ouviu uma piada sobre heterossexualidade? Então...

5. Homossexualidade não é promiscuidade.

Para falar sobre esse tópico, preciso te dar uma informação séria: para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a pessoa (independente da orientação sexual) considerada promiscua é toda aquela que teve mais de dois parceiros sexuais dentro do período de seis meses. Ou seja, se você transou, beijou mais do que duas pessoas em 6 meses, sinto lhe informar, você é promiscuo (segundo a OMS); saber disso deixa a gente meio tonto né? Então...
As praticas sexuais heterossexuais e homossexuais são bem parecidas; existem, sim, vários gays que vivem uma vida com maior nível de liberdade sexual, tanto quanto existem vários heterossexuais que praticam livremente e intensamente sua sexualidade, porém sem levar o rotulo de promiscuo. Eis outra coisa que não é tão difícil de imaginar, mas existem muitos de nós (homossexuais) que querem casar, ter filhos, construir família etc e tal; inclusive, eu sou um desses gays que sonha em casar e ter uma família. Portanto, melhor não decidir rotular todo um grupo de pessoas de promíscuos por que você provavelmente desconhece a realidade individual de cada uma dessas pessoas e pode ofender bastante.
Inclusive, nem tudo que os homossexuais fazem tem cunho sexual, tá? Então tá.


6. Homossexualidade não é "um estilo de vida" que pode ser abandonado ou transformado.

Você que é heterossexual,já imaginou como séria chato ter durante muitos anos um homossexual que é seu amigo te dizendo o tempo todo que você precisa de uma experiência homo-afetiva para você ter uma vida melhor ou ter certeza de que é isso mesmo que você quer? Imagina você que é um homem convicto que gosta de mulheres e uma mulher certa que gosta de homens tendo que ouvir que seu "estilo de vida" está incorreto, que você precisa mudar sua situação sexual/social, que Deus vai te ajudar a mudar essa sua vida. Chato pra caralho, hein!? Não só chato, mas uma grande demonstração de desrespeito e discriminação, mas é exatamente isso que acontece com os homossexuais. É muito importante aceitar que você não pode transformar um homossexual em hetero (e vice-versa). Se aquela pessoa não decidiu ter uma experiência com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto, apenas respeite e cale-se, pois não é seu lugar de voz.



7. Homossexuais não são bichos de estimação.

"Toda mulher precisa de um amigo gay!", obviamente que não, né?! Se você tem um amigo gay e super se dá bem com ele, parabéns para vocês, mas existe, sim a possibilidade de um homem hetero ser amigo de uma mulher também heterossexual. Inclusive, imaginar que amizade entre homens e mulheres hetero não existe é a melhor forma de admitir os heterossexuais são um bando de promíscuos que só pensa em sexo, mas julgar não é meu papel (só dizendo).
Não trate os gays como se fossem um animalzinho de estimação, não reforce a ideia estereotipada de que ter um amigo gay é possuir um personal stylist, um cabeleireiro de plantão ou até mesmo um psicologo de balada que vai te animar o tempo todo.
Lembre-se que nem todos os homossexuais são iguais e tem vários por ai que não sabem nem para onde vai uma escova de cabelo (eu, por exemplo), tem milhares de gays que não se importam com combinações de roupas e muitos de nós não são 100% animados e dispostos a estarem em baladas com vocês. Ah, e essa história de que todo gay é sincero é mentira, tá várias FALÇAS entre nós.



8. Nunca arranque alguém do armário.

Num contexto onde você ficou sabendo que fulano é gay, mas outra boa parte do meio social de vocês não sabe, o melhor que você tem a fazer é ficar caladinho; cada pessoa tem seu tempo, cada gay ou lésbica vem de uma realidade diferente e o fato de você saber que aquela pessoa é homossexual não lhe dá o direito de vasculhar a vida intima da pessoa e espalhar aos quatro ventos a situação. Se você acredita que arrancar alguém do armário é a maneira mais adequada para que ela viva uma vida mais plena e feliz, linda, você tá errando feio, tá errando rude. Sem conhecimento prévio da situação da pessoa, acredito que você ajuda muito mais respeitando o tempo do individuo do que espalhando e especulando sobre sua sexualidade.



Para finalizar, queria contar que uma vez uma fã perguntou a J.K. Rowling, autora da série de livros do bruxo Harry Potter, se era verdade mesmo se Dumbledore era gay ou era apenas uma jogada de marketing, segundo a fã, ela não conseguiu ver a homossexualidade do bruxão. A resposta da autora foi muito simples, ela disse ao mais ou menso assim: "Ele é gay. Talvez você não enxergue, porque homossexuais são exatamente iguais a qualquer outra pessoa", eu penso que J. K resumiu muito bem tudo que eu gostaria de explicar. Nós homossexuais somos igual a qualquer outra pessoa, a única diferença é que o mundo (sem generalização) não enxerga dessa maneira.
Se você quiser insistir que sua religião diz isso ou aquilo sugiro também que você deixe o que é de Deus com Deus, não é sua função ser juiz da orientação sexual dos outros, por que está escrito na Bíblia: "Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7:1).

Se faz diferença para você que seu vizinho, parente ou colega trabalho ou faculdade se relaciona com alguém do mesmo sexo, procure ajuda médica (psicologo) você não está bem.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pais, Filhos, Gays e uma tal de Alteridade

Como se não bastasse todas as lutas e riscos que nós gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transsexuais e transgêneros corremos todos os dias, em tempos de Jair Bolsonaro e Ana Paula Valadão discorrendo todo seu ódio contra a comunidade LGBT, e influenciando milhares de pessoas ao redor de todo o Brasil, levando boa parte do povo brasileiro a acreditar de verdade que a homossexualidade e questões de gênero são algo negativo, desprezível e humilhante; acredito que seja bastante necessário divulgarmos e enaltecermos toda e qualquer ação que seja de repudio a tais atitudes, principalmente se isso acontece dentro das reais famílias brasileiras.

Eu venho compartilhar essa história sem nenhum intenção de autopromoção, mas simplesmente por sentir necessidade de contribuir positivamente com o buzz em relação ao esforço diário de mostrar para a sociedade brasileira que ser homossexual e/ou transsexual não é de maneira nenhuma degrinitório.

Bem, tudo começou quando eu estava no grupo LDRV do Facebook e uma das tour  (post) do grupo era alguém divulgando o fato do Brandon Dias (foto abaixo) ter compartilhado uma imagem de si usando um vestido como forma de debate e critica contra o machismo e os padrões de normatividade impostos socialmente aos homens (homossexuais ou não); lindos, inclusive (o Brandon e o vestido).


Como é sempre de se esperar (infelizmente) sempre tem alguém no meio do rolê para causar aquela contenda… e nesse caso, foi o tio de Brandon, o Sr. Paulo Roberto, que veio cagar na história e resolver comentar no post do sobrinho, seu repudio à atitude fora do padrão que ele não acredita ser o modelo de masculinidade esperado, ele comentou:


A coisa toda tomou um rumo ótimo quando Brandon resolver comentar a foto, numa tentativa de desconstruir o pensamento do tio machista, dizendo que uma peça de roupa (dita) feminina não altera em nada sua masculinidade (nem dele, nem de nenhum outro homem), o que é bem verdade, já que esse conceito de gênero foi agregado à vestimenta pelo cristianismo (após a morte de Jesus Cristo) que transformou em 'pecado' tudo que podia em seu caminho. Brandon disse:


O povo do bem é forte! Logo em seguida veio o comentário de o Sr. Weliton, o pai de Brandon, que desaprovou a critica infundada do tio; ele rebateu:


É neste ponto que eu entro na história; minha realidade social/emocional com meu pai é nenhuma realidade. Em agosto de 2016 eu farei 30 anos de idade e há 16 anos meu pai e eu não temos uma relação de amizade, ou qualquer dialogo minimo; aparentemente o motivo é minha evidente e orgulhosa homossexualidade assumida numa cidade de pouco mais de 18 mil habitantes perdida no do Sudoeste da Bahia.
O comentário de Sr. Weliton ecoou tão fortemente em meu coração e de tantas maneiras positivas por me fazer entender, que mesmo não sendo minha realidade há diversas famílias ao redor do Brasil que dão suporte às decisões de seus filhos, no sentido de assumir sua identidade sem se importar com os padrões estabelecidos socialmente. Eu me emocionei e fiz o seguinte comentário:


Esse foi meu comentário mais sincero. Eu expus minha situação familiar para milhares de pessoas ao redor do Brasil porque preciso me curar emocionalmente, eu preciso continuar acreditando que estou no caminho certo, que há esperança e que se nós, seres humanos, começarmos a aplicar o sentimento de alteridade e entender que a existência o 'eu' de forma induvial, só acontece por meio da conexão com aos outros, que estamos todos ligados e o que acontece com um, reflete em todos tudo pode mudar para melhor. A alteridade implica que cada um indivíduo é capaz (ou deveria ser) de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes, sendo assim, partimos do pressuposto básico de que todo o humano social interage e interdepende do outro (independentemente de parentesco familiar). 

Seja como for, essa história antes de acabar ganhou um capitulo maravilho; mesmo me sem conhecer pessoalmente o Sr. Weliton e sua postura tão de tamanha alteridade, empatia, inteligente, humanidade e dignidade, passei a condoerá-lo, uma especie de herói, um modelo a ser seguido. Pois ele, mesmo sem precisar me enviou uma mensagem privada de solidariedade. Leiam:



Meu sinceros sentimentos de amor e reciprocidade ao Sr. Weliton e a todos os outros pais, mães, avós, tias, tios, primos(as) e amigos que todos os dias quebram paradigmas impostos e questionam imposições religiosas, sociais e não fazem nada além de amar. O mundo precisa de mais pessoas como você. Meu muito obrigado.

Você pode conferir essa história clicando aqui.




P.S: não acredito que esse texto irá mudar minha situação familiar com meu pai, nem cogito a ideia de que ele irá ler essas palavras. Tudo bem, mas que fique registrado que eu sou uma pessoa do bem, independente dele ou de minha condição sexual.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vai procurar uma...

"O inimigo do meu inimigo é meu amigo"
Proverbio (dito) Árabe. 

Vivemos em temos estranhos. De repente surgiu diversos motivos para atacar uns aos outros e disseminar o desconforto de toda essa agressividade nas redes sociais, que intensificaram as tensões no platô de guerra midiático virtual. 

Não é novidade para ninguém a crescente (e já chata) pseudo batalha entre evangélicos e a comunidade LGBTT (e o resto mundo laico e com o mínimo de discernimento para entender que os tempos são outros e que nada é fixo na História, nem mesmo “o Criador” de tudo). Sendo assim as farpas são trocadas todos os dias e o foco principal de um lado que seria divulgar o amor de Jesus Cristo, Nosso Senhor; do outro reivindicar visibilidade e direitos civis legítimos (que é sempre bom salientar que não tem nada haver com a religiosidade de ninguém, já que “dê a César o que é de César e dê a Deus o que é de Deus”) para criar uma eterna contenda entre as partes, causando o maior furor nas redes sociais que no fim não leva a lugar algum, já que essas discussões também não surgem algo realmente tangível ou se quer inteligente.


Estamos acompanhando a recentemente troca de farpas entre o jornalista Ricardo Boechat e o (dito) pastor Silas Malafaia, tudo começou quando o jornalista resolveu responder aos intempéries do pastor quando o mesmo publicou no Twitter que o Boechat estava "falando asneira" quando disse na rádio que "os pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância", o que na minha opinião é uma grande verdade.

Ricardo não deixou barato e em resposta, disparou “Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia e agora vai querer me processar. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”, um tanto deselegante e desnecessariamente violento, eu diria. Bastou isso para a frase “vai procurar um rola” virar o novo meme da internet. Agora é cool mandar alguém procurar uma rola.

Foge, rola! É uma cilada!
Repare que a coisa está tão bagunçada e as pessoas estão tão fartas desse senhor Malafaia que poucos perceberam que Ricardo Boechet, na essência também está sendo homofóbico em sua declaração, “vá procurar uma rola” aqui é posto como algo ruim, um tipo de punição a Malafaia. 
Desde quando rola é algo ruim? Sejamos francos, nós vamos sim, procurar uma rola, não por que é imposto tal comportamento, e todo gay tem que ser ‘caçar’ de rola. Eu digo a vocês, ao senhor Ricardo Boechet, Silas Malfaia (eca!) e a tantos outros que eu vou sim procurar uma rola e não por que é meu castigo, e não me sinto envergonhado, eu vou procurar uma rola por que eu gosto e não vai ser nenhum de vocês que vai me fazer sentir mal por isso. Sabem porquê? Por que ninguém nunca chegou até mim para dizer: “ah, vá procurar uma buceta!” como se fosse algo ruim, muito pelo contrário, a frase já veio aos meus ouvidos como forma de concertar a sexualidade que dizem estar com defeito (mesmo sem estar). Sei que tempos onde tudo está confuso, talvez nós gays estamos com medo de estar sozinhos nessa dita batalha, e por isso qualquer um vira amigo, mas bem sei que nem sempre o inimigo de meu inimigo será meu amigo. 

E cá entre nós, se eu fosse a rola, e fugiria de Silas Malafaia. Vou te contar...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Sobre essa gente"

E de repente um “amigo” resolve compartilhar aquele vídeo que os meninos heterossexuais cantam o sucesso “Robocop Gay” da extinta banda Mamonas Assassinas para o Pastor Marco Feliciano num avião, como comentário pessoal estava a frase: “Esse vídeo diz tudo sobre essa gente!”.
Dentre a mistura de sentimentos que é ver tal atitude, entre a revolta e incredulidade que alguém que te conhece pessoalmente, sabe de suas capacidades e sua integridade social e humana, alguém em algum momento compartilhou com você uma conversa, um cigarro ou um copo de cerveja, dizer “sobre essa gente”.

Que gente é essa?

Essa gente, meu caro amigo são trabalhadores e pagantes de impostos tanto quanto você, essa gente está em todos os lugares, essa gente participa de sua vida (direta ou indiretamente). Essa gente são pais de família, são mães, essa gente acorda cedo, estuda, se diverte, tem sonhos e muitas vezes não podem vive-los por conta de pastores, como esse senhor Marco Feliciano, que usa da imagem pública para disseminar o ódio e através dele, amigo, causar cada dia mais e mais violência física e psicológica contra essa gente que você diz ser lamentável existir.

O que você talvez não saiba, amigo, é que os rapazes do vídeo não são gays, eles não são “essa gente”, eles são heterossexuais, eles gostam de mulher tanto quanto você gosta, mas diferente de você eles são humanos e acima de tudo compreenderam que apoiar a causa dos Direitos Civis dos homossexuais não quer dizer que eles sejam homossexuais também, mas significa que são conscientes que o Direito é para todos, incluindo nós, essa gente, que não é o padrão que você acredita ser o modelo “normal” para ser seguido. Eles, amigo, perceberam o quão errado está o mundo e tentaram de uma maneira divertida protestar contra as barbáries que esse pastor (e os seus) vem incentivando ao logo dos anos.

Se você acha lamentável o que eles fizeram, eu posso lhe passar uma lista gigantes (que não me orgulha em saber que existe) de centenas de jovens, adolescente e adultos que são todos os dias massacrados nas ruas, escolas, trabalho e pior, dentro de suas próprias casas, com violência física e psicológica. Lamentável, amigo, é ser assassinado por ser gay, lamentável é ser acertado por uma lâmpada na cara por andar de mãos dadas na rua ou ser “convidado” a se retirar de um estabelecimento por estar acompanhado de uma pessoa do mesmo sexo. 

Lamentável é sua atitude.

Você ainda diz que “Infelizmente cada um só vê o que lhe convém!”, neste ponto eu concordo muito com você, porque você está vendo o que lhe convém, você acredita que a música cantada para o tal pastor é um ataque, mas ataques maiores existem e eles destroem a integridade de toda uma comunidade. Mas não pense que gays são vítimas, porque nós não somos e a maior prova disso é ver (e viver) que mesmo diante de tanta coisa errada, tanta coisa ruim, continuamos a colocar nossa cara aí fora no mundo, enchemos o peito de ar e erguemos nossas vozes para gritar ao mundo inteiro o quão orgulhosos somos por seremos gays, viados, bichas, boiolas, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, transgêneros e tudo quanto é coisa que tiver no meio dessa deliciosa festa colorida. Sabe porquê? Por que é muito bom quanto a Coca-Cola é Fanta.

E a você eu, Jarbas Ribeiro Bahia, 28 anos, Designer de Moda, nordestino, homossexual assumido (e orgulhoso disso) peço apenas uma única coisa: me deleta da sua vida (real e virtual), você não tem o privilégio que eu lhe chame de amigo. Obrigado.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

S é para Simpatizante ou a Heterossexualidade ainda existe

Um amigo heterossexual convicto, que eu poderia dizer para qualquer pessoa que não tem problema nenhum em conviver com gays [sou prova viva disso] veio me relatar que teve problema ao conhecer o meio gay de um outro amigo dele. Esse outro grupo teima em dizer que ele é gay devido a tamanha tranquilidade dele ao redor de gays... Entenderam? Não receber aquele olhar enviesado, não ser observado com descaso ou ser alvo de comentários está incomodando, quando, num mundo normal esse comportamento deveria ser encarado como o padrão, mas não... a tranquilidade de um hetero ao ver dois caras [ou duas meninas] se beijando ou falando de ‘coisas gays’ está incomodando quando deveria ser o contrário.

Dá para entender?!?

Será que ficamos tão acostumados ao preconceito que nos viciamos em ser destratados? Diante de tantos questionamentos que veio em minha cabeça ao ler os relatos de meu amigo, eis que surgiu a pergunta: “Jarbas, gays tem preconceito com pessoas que não tem preconceito com gays?”

Admito que a pergunta me acertou como se fosse um tijolo vindo do nada. Temos? Não temos?

Para meu amigo não tive muito tempo para elaborar uma resposta, mas disse o que realmente acreditava, já que esse assunto tinha passado por minha cabeça antes. Eu creio que neste caso [que não são raros] o que existe, talvez, não seja preconceito, mas um admiração mal focalizada, ou mal interpretada por parte dos gays. Analisemos pela máxima que a maioria dos homossexuais deseja ter ao seu lado aquele "macho" padrão de masculinidade que [quase] todos esperam, o velho “macho VS macho”... Ooh, eu sou homem e gosto de homem jeito de homem. MEO KOO! E esses heterossexuais, que na falta de um adjetivo melhor, poderiam ser chamados de “simpatizantes" [sem ter aqui pouca alcunha sexual] ocupam exatamente o lugar desse sonho, ou seja, eles estão no meio dos gays, não se incomodam com o jeito gay, sabem coisas gays, e acreditem vocês NÃO SÃO GAYS… e não são mesmo. Ser simpatizante não significa que eles estão dispostos a transar com um cara [eles podem até estar, mas isso é outro texto, outro grupo a ser analisado] ser simpatizante significa que eles perceberam que o quão lascado está esse mundo com tanto Bolsanaros e Felicianos e acreditam que esses caras [e pessoas que pensam como eles] tem [muita] merda na cabeça ou um grande trauma sexual a ser analisado urgentemente por não compreendem que garotos podem gostar de garotos, garotas podem gostar de garotas, tanto quanto garotos podem gostar de garotas. E isso não interfere na vida ou na capacidade físico intelectual de ninguém! Amigos gays parece assustador, mas existem homem que não estão interessados no anus de vocês. 

A história não para por ai, meu amigo ainda disse que uma das meninas do grupo, que é lésbica, disse que “não existe heterossexualidade”. Coitada! Será que ela imagina o quão imbecil essa frase soa?! Isso me recorda a frase de alguns amigos gays, que teimam em declarar: “não existe heterossexualidade, existe cantada mal dada” e alguns ainda acrescentam “...ou a quantidade de álcool errada”. Essa é uma ideia que desacredito sumariamente, categoricamente... eu digo mais, quem acredita nesse tipo de ideia torta tem pouco [ou nenhum] conhecimento sobre sua própria história ou a história da humanidade. Sim, queridos, existe heterossexualidade. Essa menina, infeliz em sua declaração, não sabe, mas foi a heterossexualidade que ela nega existir que a trouxe a vida, foi a heterossexualidade que permitiu que ela tivesse mais vaginas e peitos para chupar.

Não desacredito que existam heterossexuais por ai dispostos a ficar com gays, apenas dispenso a ideia de quem todos os heteros podem “cair em tentação”. Sugiro um pouco mais de pesquisa, um pouco mais de leitura e para facilitar a vida de muita gente, sugiro que pesquisem sobre a “Escala Kinsey da Sexualidade”, vocês vão perceber que entre um indivíduo exclusivamente homossexual até um outro exclusivamente heterossexual existem várias nuances. E sendo nós gays aqueles que levantam a bandeira do arco-íris nós deveríamos entender isso melhor do que ninguém, porque entre aquelas cores existes vários tons e entretons. O que nos falta, queridos, é aprender a respeitar as fronteiras.


Quem você é na Escala Kinsey da Sexualidade?

sábado, 27 de julho de 2013

Padronização do sexo gay [?]

[texto publicado originalmente em 20 de maio de 2013]

E de repente você escuta um dos seus amigos (gay) falar que o melhor séria que todos os outros gays fossem assim... Versáteis!

– Oi?

T-O-D-O-S? Não, não né?!

Não concordo e não confirmo a uniformidade do “bando” (ou “comunidade LGBT” X Y Z se preferem ai-ai) que todo mundo fosse desse jeito que eles julgam ser o tal molde perfeitinho de comportamento sexual gay... acho até meio ficção demais essa história de ver todas as bichas dando e comendo numa linda festa de confraternização. Conversa mole, conversa para boi dormir!

Mas a gente sabe que na hora vamô-ver na grande maioria dos casos a química não funciona nem um pouco assim. E aceitando ou não (aceita que dói menos) existem sim os que são passivos e os ativos... e os versáteis! Não estou aqui para supervalorizar nenhum dos grupos, muitos menos menosprezar o outro, mas não aceito senhora ninguém vim me dizer que “só dá para ser feliz se for versátil”. Ao longo da vida através das experiências que permitem a autodescoberta escolhas são feitas e cada um percebe o que me mais agradava no sexo (seja lá o que “agrad
ar” signifique para vocês). Pronto! Só isso e para de complicar.

Você tá doida, querida?! Lá eles com esses conformismos padrões de perfeição disso e daquilo... eii, o avesso às vezes da certo. Aceitar que só se é completo quem dá e come numa relação, séria, a meu ver, acreditar que só os gays que não tem trejeitos (sejam esses trejeitos mais femininos ou mais masculinos) não sejam capazes de se encaixar nesta dita “sociedade homossexual”. até porque os trejeitos vem arreigado de forma básica a essas preferencias sexuais. Padronizar deveria ser pecado! Cá entre nós, tem ai quem nunca levou um Pit Bull pra casa e na cama ele virou Lassie?! (ou ao contrario) chato, chato... sabemos. Mas esses são os percalços que nos permitem ter boas histórias para contar.

dá para ser passivíssima e ser feliz

tem como ser ativíssima e ser feliz

e as versatilíssima não tem do que reclamar (beijos, obrigado).

vamos aquietar com isso! Melhor deixar de besteira e entender que gostar de ser penetrado ou gostar de penetrar (e/ou ambos) não te prejudica em nada e que o importante mesmo é estar satisfeito na relação que você escolheu para si.
Apenas não acho justificável nenhuma tentativa de padronização... não, não... comigo não!