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segunda-feira, 13 de março de 2017

Caçadores de Relacionamento

"Jarbas, você precisa achar um namorado!", me dizem.

Não gente, preciso não!

"Gay Couple: Love and relationship" painting - Raphael Perez, 2004

Seria bem prazeroso se acontecesse um namoro, claro. Não nego que, às vezes, uma companhia me faz falta, mas não aceito que me imponham esse status (que eu nem estou tentando atingir) de "caçador de namorados", aquele desesperado carente que vê em qualquer night-out uma oportunidade para se casar ali mesmo na festa; não faz meu perfil e provavelmente se me encontrarem numa festa, estarei mais preocupado em dançar e ficar bêbado — não necessariamente nessa ordem — do que caçando macho.

Admito que essa ideia de relacionamento como forma de salvação social, uma especie de moleta emocional que nos fazem acreditar que é necessária, me é bastante desconfortável. Observo relacionamentos (independe do gênero e condição sexual) que são abusivos, as pessoas se machucando, se minimizam diante do outrem e tudo em nome de uma pseudo idealização de amor. Amor pra mim é outra coisa; e mesmo sofrendo as pessoas se mantém ali, firmes em nome de um posição social: O CASAL. Sei lá, acredito que amor é brisa, não tempestade.

Como disse a incrível Fernanda Young no livro "O Pau": "[…] bosta de carência básica infantil, que nos torna para sempre patéticos, jamais capazes de vencer essa necessidade de alcançar o amor. O amor, o amor, o amor. Vá para a puta que o pariu o amor."

Não, amor, não vá a puta que o pariu, mas dá um tempo né?! E deixa a gente focar em outras coisas que são importantes também OU melhor, seja mais descente porque estamos cansados de canalhas. Obrigado.

No mais, só queria dizer que nunca vou aceitar a imposição social de que só seremos considerados bem sucedidos se estivermos dentro de um relacionamento (mesmo que seja um relacionamento abusivo).

Quero um relacionamento? Sim!
Apenas decidi que não vou sofrer para ter um homem ao meu lado (só pra dizer que tenho um homem), afinal de contas: vai um, vem dezoito.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mais um Dia dos Namorados…

Eu tenho sempre comentado que a ferramenta "Neste Dia" do Facebook, tem sido um grande aliado (ao menos para mim) na hora de apagar aquele close errado, relembrar aquela foto, aquela festa, aquela bad-trip, aquela indireta para as inimigas, que a gente postou anos atrás e possivelmente nem lembrava que aquelas palavras ou imagens se quer existiam…

E lá vem mais um Dia do Namorados…

Obviamente que o Facebook está mostrando meu processo de digerir essa data ao longo dos anos, que insistimos em chamar de "comercial", mas não deixamos de nos pegar (uma hora ou outra) pensando que seria uma coisa bem legal estar com alguém, trocar presentes e coisinhas românticas etc e tals na porra desse dia! Certo? Então está certo.


Dia 02 de Junho de 2012, eu postei essa foto (acima) de dois rapazes segurando suas mãos com a legenda "…um dia chegará minha vez"; quatro anos se passarem e mais um Dia dos Namorados sozinho. Será que posso dizer que 'minha vez' não chegou?! Será que 'minha vez' vai acontecer um dia?

E quando eu me percebo questionando essas coisas, me lembro de um amigo que um dia me disse que não me via como um ser amável, ou melhor, ele não me via alguém para ser amado; segundo ele, eu sou 'demais', eu falo alto demais, eu tenho opinião demais, eu explico demais, detesto demais, amo demais e isso não iria permitir que alguém estivesse ao meu lado, essas características que fazem eu ser o que sou, na visão dele seriam algo que me impediria de ser amado por alguém. Admito que acreditei muito nessas palavras por bastante tempo, ele nem deve lembrar que me disse (duvido até que lembre o que almoçou hoje) mas até hoje tento me libertar dos efeitos do verbo sob mim, não é fácil.
E meu mecanismo de defesa é o silenciamento, eu digo para as pessoas que elas estão livres (elas estão de fato), mas a verdade é que existe uma voz lá no fundo da minha cabeça dizendo que eu não presto para ser amado por ninguém; Sendo assim não resta muito o que fazer além de deixar as pessoas passarem. O mais interessante dentro desse movimento é perceber que por mais que eu tente me blindar de certas situações, elas tendem a se repetir; Um ciclo. No entanto o ciclo do qual eu preciso me libertar é o meu próprio ciclo.

Será mais um Dia dos Namorados sozinho, mas a verdade é que eu espero que o amor não seja para sempre, para mim, apenas um verbo conjugado no futuro (inatingível) ou no passado (uma memoria nunca vivida).

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O dia que eu encontrei o amor de minha vida...

Encontrei o homem de minha vida!
Foi de secar a boca e embasar os olhos, de sentir aquela agonia no estômago.
Amor à primeira vista, como eu nunca tinha visto antes.
Ele estava à minha frente sorrindo em quanto eu planejava nosso casamento, a lua de mel pela America Latina, nossa volta ao Brasil... ele concordou que nós vamos morar no Rio de Janeiro, no Leblon, para seremos como personagens de uma novela de Manoel Carlos.

Seremos vegetarianos com uma vida saudável. Vamos ter uma vida social ativa entre teatros, lançamentos de livros, reunião e festas com nossos amigos influentes. E vamos adotar duas crianças, que vão frequentar inglês e natação.

Nossa vida será como um comercial de margarina gay.
Tudo lindo, tudo perfeito... até que ele se levantou, passou por mim, pagou a conta e foi embora do restaurante.