quarta-feira, 23 de março de 2016

história 210: aquela do bronzeado


Eu não sou muito de sonhar. Inclusive, teve uma época que eu só sonhava em P&B (o que acho conceitual até hoje); em outros tempos eu só sonhava sendo o observador, me vendo fazendo as coisas tipo um filme, saca? Hoje em dia, eu geralmente sonho com as últimas coisas que eu vejo na internet antes de dormir, misturado com coisas do meu dia a dia. E  essa semana não foi diferente, depois de ver umas fotos de uma antiga namorada (na falta de uma definição melhor para o que nos aconteceu; e sim, mulher) no facebook, misturada ao atual déficit de sexo em minha vida, sonhei:

No sonho estávamos todos numa festa na piscina de um sítio ou casa de praia, enfim, não tinha muitos detalhes sobre onde estávamos, mas o certo é que era uma festa ao redor de uma piscina e tinha vários pessoas que pelo jeito era amigos e tals.

Pois bem, eu estava sentando numa daquelas espreguiçadeiras tomando uns bons drinks, o calor incomodou e eu fui me refrescar num dos chuveirões que tinham um pouco afastado de onde todos estavam. Enquanto eu tomava meu banho, minha ex namorada se aproximou sorrindo, toda se querendo para me lado, sensualizado, daí ela me disse que queria me mostrar uma coisas, eu de tão envolvido, curioso e excitado com toda aquela cena que nem consegui falar nada, só acenei com positivo com a cabeça, ela ficou de costas para mim (lindíssima) e em quanto me observa por cima do ombro um meio sorriso safado na boca de lábios carnudos, começou a abaixar o biquíni revelando a marca de bronzeado que ela tinha adquirido, eu olhava a contraste da pele hipnotizado, uma gota de suor desceu pela derme, me lembro cheiro agradável do bronzeador, o som da música e da conversa das pessoas.

Admito que durante o sonho não considerei nada a respeito de minha homossexualidade (se é que homossexualidade existia ali), na verdade, eu estava pensando muito era poder tocar na pele da menina e lhe dar uns pegas bem delicia; e foi exatamente isso que a gente foi fazer. Não precisou de conversa, eu desliguei o chuveiro, peguei na mão dela e fomos em direção a um quarto que tinha próximo… ela entrou, eu olhei na direção da piscina, o relexo do sol ofuscando meus olhos… tan nan nan nan nan o celular começou a tocar em alto e bom som "Toxic" de Britney Spears, era meu despertador; hora de trabalhar. UFA! Acordei, regressei a realidade e o Universo estava em harmonia outra vez (mas o pau, duro). Vou te contar…


Rihanna para Lui Magazine, no 7 | França, 2014.


terça-feira, 22 de março de 2016

Nove é um Número Composto

Eu sou péssimo em datas; e é uma coisa que tem piorado ao longo dos anos. Porém, felizmente, atualmente nós temos várias ferramentas para nos lembrar das coisas que fizemos (algumas bem vergonhosas, inclusive. não exite de usar o delete) e hoje eu fui lembrando que é 2010 eu esqueci que dia 13 de Março é o dia do aniversário de meu blog.

E vocês acham que esse esquecimento todo vem do nada? Não vem, não. Meu blog é de peixes e não existem criaturas mais esquecidas no mundo do que o povo de peixes (exceto, talvez, pelo povo de gêmeos).
Então, é isso… dia 13 de março de 2007, há 09 anos atrás nascia o "Vou te Contar…"; inspirado na novela "Páginas da Vida" de Manoel Carlos eu resolvi começar a compartilhar sobre meu dia a dia, sobre as história minha vida, que aparentemente era uma vida (in)comum no interior da Bahia e de lá para cá muitas coisas mudaram; mudei de cidade, mudei de trabalho, mudei de amizades, mudei o curso da vida e a vida mudou minha trajetória várias vezes; voltei pro caminho outras tantas, desci no fundo do poço e ainda estou tentando (arduamente) sair dele, mas que uma coisa fique certa, amor, eu nunca deixei de ser autentico ao que eu acredito.

Nove anos depois, são +200 histórias contadas, várias opiniões sobre sobre a vida, o universo e tudo mais e não preciso fazer uma prova dos nove para ter certeza que nesses noves anos houveram muitas coisas dispensáveis, mas mesmo assim todas válidas.

Que venham mais noventa e nove anos e que a vida, acima de qualquer coisa, continue sendo singular!
Vou (continuar a) te Contar…

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Tempos Líquidos para Humanos Máquinas

Não saberia dizer ao certo agora, mas acredito que foi na sétima ou oitava série do Ensino Fundamental, ainda lá em Tremedal, numa dessas manhãs quentes em que o telhado de Eternit do CET (Centro Educacional de Tremedal) tornava a sala de aula uma verdadeira sauna; lá o Profº. Marcolino durante uma aula de Geografia narrou que no Japão, quando um aparelho eletrônico quebra, mesmo com possibilidade de recuperação, eles não mandam para a assistência técnica, mas os descarta afim de comprar um novo; nunca verifiquei se essa informação era verdadeira, porém me lembro de ter achando a ideia um tanto absurda, ri da ignorância nipônica, depois desejei ser algum tipo de imigrante/mendigo espertalhão que iria catar lixo eletrônico na ilha japonesa para mandar para o Brasil e ficar rico (??) Ledo engano, Leda Nagle.

"Melting Men" by Nele Azevedo. Berlin, 2009
Uma coisa é certa, nunca me tornei um catador de lixo eletrônico no Japão, ou se quer pisei os pés lá, mas daquele momento em diante entendi que descartar algo por estar com defeito, mas com possibilidade de reparo, era um ato que vinha embutido com ignorância. Desde então, recuperar, resgatar, reconquistar, restaurar se tornaram palavras essenciais e parte de minha vida.

Obviamente que trocar um aparelho é uma liberdade que todo consumidor possui e não há como discutir que é válido esse direito; convivemos muito bem com a ideia de que os produtos surgem já com obsolescência programada, sabemos que comprar hoje o iPhone 6 Plus significa que em meados de Setembro do próximo ano ele será descartado e substituído por um modelo mais moderno, curvilíneo, com tela de retina 4K com mais definições de pixel etc e tals. O (meu) incomodo surge, na verdade, quando transferimos essa intenção de substituição para os seres humanos, o problema é acreditar que durante o processo de construção de uma relação (seja ela romântica, parental ou de amizade), caso surja uma imperfeição, seja por medo, incerteza ou  insegurança o próximo passo a ser realizado é substituir aquele individuou que aparentemente não se encaixa na sua idealização ‘de bom funcionamento’. Esquecemos que seres humanos estão suscetíveis a falhas, esquecemos que a perfeição é uma ideia vaga e utópica.

O sociólogo intelectual polonês, Zygmunt Bauman afirmou: "Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.". Bauman foi tão brutalmente realista, que é impossível negar que infelizmente boa parte da sociedade pós moderna (essa sociedade que você e eu estamos inseridos) transferiu as conexões superficiais entre o ser humano e objeto também para relações entre humanos com humanos. Sendo assim, se nada é feito para durar, as conexões humanas (e o amor) são banalizados, os relacionamentos não são feitos para permancer, por que caso aja alguma “falha no sistema” o mais fácil é desconectar-se.

Mas há quem [eu] reme contra a maré e se recusa a atualizar o sistema!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Aos bons...

Às vezes, eu me pego pensando na Bíblia (e eu não estou falando de nenhum álbum de Britney) e vez ou outra me ocorre o pensamento de que, sim, apesar de todo o folclore criando em cima do livro e sua história em si, a Bíblia, é um livro muito interessante (logo, logo isso vai fazer sentindo, calma!).

Talvez , devido aos recentes aborrecimentos (internos e externos) e alguns decepções, pensar muito sobre a vida, o universo e tudo mais, tem sido, de certa forma, algo mais corriqueiro do que o usual e dentre tantos pensares, surgiu em mente uma passagem da Bíblia em particular do livro de Matheus, capitulo 7 e versículo 21 que diz: “Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos Céus”. Sério! Vamos nos permitir neste instante de mistério a dar uma pausa reflexiva e reler essa frase de impacto que nem Clarice Lispector poderia superar.

Releu pausadamente? Fenomenal, não é?! Até parece que a cabeça vai explodir, mas não vai não, espero que apenas expanda (sempre!).

Pois bem, voltando a passagem bíblica, talvez, Matheus não tinha noção nenhuma do quanto estava sendo coerente e universalista com essa frase (ou tinha, né?! Deus, inspiração espiritual etc, faz sentindo…) tá, voltando de novo, espero que percebam que Matheus está fazendo (ou afirmando) o maior pedido de moderação universal desde a internação de Lindsay Lohan no rehab;  Deus inpirou Matheus com essa frase para nos dizer simplesmente que nem tudo que é dito, é feito; nem todos que dizem, vão cumprem; nem todos que dizem ser amigos, vão te amar de verdade; nem todos aqueles que passaram o whatsapp para você, vão responder quando você mandar mensagem (mesmo estando online); nem todos que estão ao seu lado vão extender a mão quando você cair.

O falar, o discurso, na frase, representado pelo “Senhor, Senhor!” é a parte mais simples de todas, ainda mais nessa sociedade pós moderna liquida onde as relações indiferentes de quão duradouras são, aparemente, são descartáveis. Num resumo, falar, meus caros, vai ser sempre mais fácil do que fazer! E é nessa hora que o bicho pega; é na hora do ‘vamô vê’ que você percebe que serão pouco de verdade que “entrará no Reino dos Céus” e sabe quem (ou o que)  é o Reino dos Céus?! Ninguém mais, ninguém menos do que você e sua vida.

E que seja assim, alguns cairão a caminho, mas os verdadeiros e poucos, irão permanecerem; por que é melhor ter 1 ou 2 que lhe ama exatamente como você é, do que uma multidão que sorri na sua frente, mas te apunhala pelas costas. Não sejamos volúveis, vamos cuidar dos bons, por que o meu reino, o seu reino dos céus é uma maravilha!

OH, HANA MACANTARAVA SUYA! (desculpe, Cassiane, não resisti!)

Então, amém? Amém!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Cabelo de Chapinha" uma Apoteose à Ditadura da Beleza Feminina

Marcha do Orgulho Crespo - São Paulo, 2015.

Foi com tremendo estranhamento que na última terça-feira (08/12/2015), após voltar da praia, dei uma breve passada no Farol da Barra com um amigo e me deparei com um trio elétrico, no qual estavam o cantor baiano Bell Marques, seus filhos (não saberia dizer os nomes) e a apresentadora Angélica gravando o programa Estrelas da TV Globo.

Maior estranhando e desconforto me veio quando o senhor Bell Marques disparou contra a multidão, ali em sua maioria afrodecendes — como muitos bem sabem, Salvador é a cidade com maior número de negros(as), fora da África, no mundo — os versos de sua aposta musical para o Carnaval 2016. Na canção, Bell insinua que o parceiro da "nega" só gosta dos cabelos dela com chapinha, quimicamente tratados, enquadrados nos cruéis padrões de beleza feminina, que vem aprisionando e diminuindo a real beleza das mulheres afrodescendentes (ou não) há anos.
Ao cantar "ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha. Ô tá liso, tá lisinho. tá liso, tá lisinho",  além de boa oportunidade perdida para ficar calado, Bell, como artista popular, que interpreta suas canções diante de multidões totalmente diversificada está sendo excludente, e desrespeitoso com uma parcela enorme de seu publico que são as mulheres (negras ou não) que possuem cabelos crespos ou encaracolados e os preferem assim. Há que afirmar, que não, eles não gostam apenas do cabelo com chapinha, senhor Bell Marques, na verdade, eles não tem que gostar de nada nelas, pois são elas, as mulheres que tem (ou deveriam ter) total controle de como querem manter seus cabelos, seu corpo, sua alma e sua dignidade.


Marcha do Orgulho Crespo - São Paulo, 2015.

A música "Cabelo de Chapinha" causa tamanho desconforto auditivo (e social) principalmente por ser interpretada por um cantor que supostamente vive a realidade de seu público, realidade esta que não esta sendo respeitada em nenhum dos versos da canção; Bell Marques é cidadão soteropolitano, cidade conhecida como a Roma Negra, uma ode a seus +80% da população de afrodescendentes (segundo informações do IBGE 2013), mas o cantor falta com respeito a milhares de negras que enfrentam diariamente abusos devido aos seus cabelos crespos ou ondulados; ou vocês acham que é fácil permanecer empregado com um massivo black-power?! Não, não é! Não é fácil assumir os cabelos afrodescendentes naturais, a luta por identidade é intensa todos os dias e como artista popular, Bell Marques tem responsabilidade, sim, sobre a mensagem que quer passar para seu publico e tantos outros que ouviram e irão decorar por osmose (de tão respeitadas vezes que vão ouvir) o refrão desta péssima música.
 

A página Oficial de Bell Marques está deletando todos os comentários que levantam a discussão sobre a temática da mensagem racista, machista e exploradora dos padrões da beleza feminina; o meu comentário, que já possuía +100 curtidas, foi um desses deletados e se eu insistir em colocar a boca no trombone de novo logo serei bloqueado pela administração da página, não querem admitir que a música é de mal gusto!

 
Mulheres, não se iludam, vocês são lindas com crespo, encaracolado (ou não).  Chega da ditadura do liso! É hora de repudiar qualquer tentativa de padronização!
 
É hora do #OrgulhoCrespo!

Marcha do Orgulho Crespo - São Paulo, 2015.


UPDATE: como eu havia previsto, fui bloqueado e meus comentarios apagados pela admin da página de Bell Marques no Facebook. Quem não tem argumento, sabe apenas ser repressor.