sábado, 17 de janeiro de 2015

põe a cara no sol, mona!
põe a cara no sol, querida!
aceita gay, é pra poucas a cara no sol, mona!
bicha bonita não se esconde, mostra o rosto, a feminilidade.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Ferroada da Vespa (ou) Discreto e Fora do Meio


Toda essa história de não se assumir gay é tão século passado para mim, que enquanto organizo minhas ideias para esse texto me questiono: "o que há dentro do armário? E porque tanto medo de sair dele?". Acredito que não saberia responder essa pergunta, até porque não houve muito tempo para mim dentro dele, assim que eu vi despertar em mim esse desejo incomum, depois que beijei o primeiro rapaz e percebi que aquilo era realmente o que eu queria para minha vida e além disso organizei minhas ideias e percebi que não era apenas uma questão sexual, pois pasmem vocês, ser gay não se resume a transar com alguém do mesmo sexo que o seu, não passou nem mesmo dois anos e minha mãe descobriu que eu era gay. BAM! 

E em tempos natalinos, onde as famílias se reúnem para diversos momentos felizes (e de constrangimentos) somos premiados com a história do carioca Felipe que em um amigo secreto arrancou seu primo "discreto e fora do meio" do armário em frente de toda a família (e a atual namorada do primo), dando para ele uma camiseta com estampa de fotos do perfil no Hornet (app de pegação das gay) do próprio primo. Detalhe: a camiseta era laranja para combinar com a cor temática do app (bicha pensa em tudo!). Torta de climão e roteiro de serie no canal Multishow, claro!

Mas pelo que eu fui pesquisar (julgo stalkear) sobre a história, o que dizem é que o tal primo "discreto e fora do meio", não era somente mais um dos milhares de gays ao redor do mundo que não se assumem e usam meios (quase) anônimos para conseguir relações sexuais, o primo atormentava a vida do menino com atitudes preconceituosas, homofobicas, machistas e diante de tanta perseguição ele resolveu dar o troco. E deu, né?! Uma ferroada de vespa na cara! Até fiquei horas imaginando a cena... pena que na minha família não dá para fazer uma dessas porque tudo mundo sabe que eu sou viado e ninguém se mete a besta de falar algo comigo.

Esse é um caso especifico que a maioria de nós (inclusive eu) poderíamos dizer que foi bem feito e o troco foi dado com sucesso. Porém, não levantando a bandeira em defesa do primo "discreto e fora do meio", até porque dentro do contexto da história deles, ele não era apenas alguém que não tinha uma situação social, emocional e/ou financeira que daria tranquilidade suficiente para o mesmo se assumir homossexual, mas alguém que causava desconforto emocional ao parente. Só que não podemos esquecer, que de modo geral, ser gay não é fácil, mesmo sendo muito bom e não são todas as pessoas que estão preparadas para encarar de frente esse estilo de vida, e como eu disse acima, não entrem em pânico, mas ser gay não é APENAS transar com uma pessoa do mesmo sexo que o seu. Inclusive, ser gay nem precisa ser necessariamente o aspecto mais importante de sua vida, existem outras competências, existem outros lados para serem compartilhados ao mundo, que consequentemente vão estar alinhados ao fato de você ser gay assumido, dentro do meio e muito bem resolvido com isso.

E mesmo apoiando a atitude de Felipe, não penso que ser assumido nos dê o direito de querer tirar a humanidade forçadamente do armário. Há muitas pessoas que gostaria de estar aqui como eu falando abertamente de sua própria sexualidade, sem medo de uma repressão, mas não pode (ou não quer) por centenas de motivos reais (e inventados) ou tem preguiça, sei lá! Cada indivíduo escolhe o seu próprio caminho ainda que condicionados a diversas situações diárias, mas a decisão final de ir para a direita ou para a esquerda (ou até mesmo ficar parado entre as duas) é particular. Não acabe a nós escolher a hora, data e local da saída de armário das pessoas.

E vocês senhores do armário, não pensem também que por estar ai dentro vocês estão protegidos de serem o alvo um dia, na verdade, a diferente entre nós e vocês é simplesmente posicionamento, nós somos o pelotão de frente e se a gente cair, não tenham dúvidas que vocês são a próxima mira a ser atingida. Ser "discreto e fora do meio" não faz de você uma pessoa especial, mas faz de você um aproveitador da luta alheia. Uma pena que você que está ai dentro não entendeu ainda que é mesmo desafiador a condição de homossexual não difere você de nenhum outro ser humano, não o torna inferior e mesmo "se assumindo" você não precisa adotar um papel militante, feminino ou qualquer outro comportamento que considere "gay demais", ser gay é ser comum, é a mesma coisa que ser heterossexual, bissexual ou assexuado.

Por fim, apenas espero que o Natal de 2014 faça você refletir que ninguém está lhe obrigando a sair do armário, mas pense antes de atacar aquele primo bichinha ou fazer aquele comentário machista por que se você tiver o rabo preso, meu amigo, pode lhe acontecer coisas piores. Lembre-se: uma ferroada de vespa pode bem ser dolorida (e deixar marcas). Imagina...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Luana e o Vibrador - A história do Direito Feminino de Gozar


Pedro Scooby, é jovem, lindo, surfista profissional de ondas gigantes e casado com a atriz global, também cheia de predicados, Luana Piovani, mas parece que Scooby não anda fazendo seu serviço direito. OPA! Como assim? Aparentemente é o que andam dizendo após a esposa de Scooby postar um autorretrato tentando mostrar a normalidade de mesmo sendo atriz blá blá blá tem espinha no queixo, mas que além da infeliz acne, manifesta-se na tal foto um objeto muito parecido com um vibrador.

Pronto! Esse foi o ponto inicial para todas os veículos de comunicação especializados em fofoca de celebridades começar a especular se o objeto seria mesmo um brinquedo sexual ou não. Dentre as várias matérias sobre o assunto, temos os comentaristas (esses são os piores) e na foto vemos textos como:“Scooby não tá dando conta do recado?”, ou "Isso que dá ter marido viajado".

Seria mesmo a falta do marido ou a incapacidade do mesmo de satisfazer Luana sexualmente que a motivou a ter um vibrador em casa? Duvido! E mesmo se tratando de brincadeiras, esses comentários mostra o tamanho do retrocesso que vivemos a respeito da liberdade sexual feminina e a possibilidade delas se satisfazerem sem a presença de um homem.

Homens ao redor do mundo inteiro, o tempo todo, independente se estão dentro de um relacionamento ou não se masturbam (e não é pouco) no entanto nenhum de nós está julgando essa pratica. Além do mais, nós estamos cansados de saber que a masturbação é uma atividade (quando não exagerada) benéfica para ambos os sexos, mas mesmo assim, alguns indivíduos não compreendem que a pratica de se masturbar não compete apenas ao macho, mas também está ai para ser usufruída pelas fêmeas, que pasmem, também sentem prazer e não estão aqui apenas para procriar.

Agonia é perceber numa “pesquisa” rápida entre minhas amigas que existe um certo desconforto ao tratar do assunto, uma tentativa velada de ocultar o embaraço de admitir que sim, você é uma mulher saudável, moderna e dona de suas próprias decisões e uma delas inclui ter um ótimo orgasmo sem precisar necessariamente de um homem ao seu lado.

Libertai-vos mulheres!

A luta por direitos é diária, é constante, e uma dessas batalhas (talvez, muitas de vocês não concordando) está incluída o direito de ter prazer consigo, o direito de explorar seu corpo, conhecer seus pontos erógenos, o direito de ter um vibrador e gozar muito com ele.

E não fiquem pensando que Dona Luana Piovani se intimidou ao receber os comentários, não, a foto ainda pode ser vista no Instagram da atriz, e ela fez mais, na foto seguinte publicou a legenda: “Vocês são todos uns fofos, adorei os comentários todos do post anterior… Eu amo ser normal, lutarei até o fim dos meus dias pela loucura da normalidade!”. Bem, nem todos são fãs de Luana, mas temos que dar a mão a palmatoria por que a resposta foi um verdadeiro tapa de luva de pelica e isso, sim, nós temos que concordar. Piovani, sendo quem ela é, nos provou que é normal sentir prazer. Ela e seu suposto vibrador, senhoras e senhoras, que está provavelmente satisfeita com sua vida sexual e aos comentaristas recomendo um bom sex-shop, do mais, só desejo a todas mulheres (e homens) muitos orgasmos e nem um pouco de constrangimento. Melhor gozar do que chorar!


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Sobre essa gente"

E de repente um “amigo” resolve compartilhar aquele vídeo que os meninos heterossexuais cantam o sucesso “Robocop Gay” da extinta banda Mamonas Assassinas para o Pastor Marco Feliciano num avião, como comentário pessoal estava a frase: “Esse vídeo diz tudo sobre essa gente!”.
Dentre a mistura de sentimentos que é ver tal atitude, entre a revolta e incredulidade que alguém que te conhece pessoalmente, sabe de suas capacidades e sua integridade social e humana, alguém em algum momento compartilhou com você uma conversa, um cigarro ou um copo de cerveja, dizer “sobre essa gente”.

Que gente é essa?

Essa gente, meu caro amigo são trabalhadores e pagantes de impostos tanto quanto você, essa gente está em todos os lugares, essa gente participa de sua vida (direta ou indiretamente). Essa gente são pais de família, são mães, essa gente acorda cedo, estuda, se diverte, tem sonhos e muitas vezes não podem vive-los por conta de pastores, como esse senhor Marco Feliciano, que usa da imagem pública para disseminar o ódio e através dele, amigo, causar cada dia mais e mais violência física e psicológica contra essa gente que você diz ser lamentável existir.

O que você talvez não saiba, amigo, é que os rapazes do vídeo não são gays, eles não são “essa gente”, eles são heterossexuais, eles gostam de mulher tanto quanto você gosta, mas diferente de você eles são humanos e acima de tudo compreenderam que apoiar a causa dos Direitos Civis dos homossexuais não quer dizer que eles sejam homossexuais também, mas significa que são conscientes que o Direito é para todos, incluindo nós, essa gente, que não é o padrão que você acredita ser o modelo “normal” para ser seguido. Eles, amigo, perceberam o quão errado está o mundo e tentaram de uma maneira divertida protestar contra as barbáries que esse pastor (e os seus) vem incentivando ao logo dos anos.

Se você acha lamentável o que eles fizeram, eu posso lhe passar uma lista gigantes (que não me orgulha em saber que existe) de centenas de jovens, adolescente e adultos que são todos os dias massacrados nas ruas, escolas, trabalho e pior, dentro de suas próprias casas, com violência física e psicológica. Lamentável, amigo, é ser assassinado por ser gay, lamentável é ser acertado por uma lâmpada na cara por andar de mãos dadas na rua ou ser “convidado” a se retirar de um estabelecimento por estar acompanhado de uma pessoa do mesmo sexo. 

Lamentável é sua atitude.

Você ainda diz que “Infelizmente cada um só vê o que lhe convém!”, neste ponto eu concordo muito com você, porque você está vendo o que lhe convém, você acredita que a música cantada para o tal pastor é um ataque, mas ataques maiores existem e eles destroem a integridade de toda uma comunidade. Mas não pense que gays são vítimas, porque nós não somos e a maior prova disso é ver (e viver) que mesmo diante de tanta coisa errada, tanta coisa ruim, continuamos a colocar nossa cara aí fora no mundo, enchemos o peito de ar e erguemos nossas vozes para gritar ao mundo inteiro o quão orgulhosos somos por seremos gays, viados, bichas, boiolas, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, transgêneros e tudo quanto é coisa que tiver no meio dessa deliciosa festa colorida. Sabe porquê? Por que é muito bom quanto a Coca-Cola é Fanta.

E a você eu, Jarbas Ribeiro Bahia, 28 anos, Designer de Moda, nordestino, homossexual assumido (e orgulhoso disso) peço apenas uma única coisa: me deleta da sua vida (real e virtual), você não tem o privilégio que eu lhe chame de amigo. Obrigado.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Buraka Som Sistema


Eu não tenho conhecimento musical algum, nem sei tocar nenhum instrumento, eu não saberia dizer nada sobre up-tempo, down-tempo o qualquer uma variante técnica da música, porém, sou daquele tipo de pessoa que senta no PC e a primeira coisa que faço é abrir o iTunes para ouvir música… de limpar a casa a editar uma imagem no Photoshop, eu faço praticamente tudo ao som de música.

Sem síndrome do underground de achar que banda boa é banda outsider, mas eu não diria que eu sou eclético, porque eu tenho muita coisa selecionada, porém sempre fui muito aberto a descobrir sons novos ao redor do mundo.


Dentre muitos sons que eu escuto durante o meu dia está o Buraka Som Sistema, uma banda de Portugal, com os integrantes Blaya, DJ Riot, Lil' John Roberts, Kalaf Ângelo, Andro Carvalho, Li'l John. E por incrível que pareça, eu cheguei ao Buraka Som Sistema através de ninguém mais, ninguém menos do que nossa funkeira Deize Tigrona, que tem feat. na faixa “Aqui Pra Vocês” do álbum “Black Diamond” [2008], com direito, inclusive, de apresentação ao vivo no Rock in Rio Lisboa.


Com três álbuns lançados o Buraka Som Sistema propõe um som africano-eletrônico, um ritmo empolgante, envolvente e de fazer qualquer levantar e mexer o corpo. Há quem diga que a banda é uma das fundadoras da batida do Kuduro Progressivo, se são realmente, eu não posso afirmar, mas são, hoje, para mim os melhores representantes dessa música. Acredito que o Buraka Som Sistema, representa a nova geração de talentos e pluralidade do mundo que vivemos, traz uma música animada, única, cultural e com raízes na Mãe de todas as coisas, a África.

E é essa mistura meio louca que me agrada e torna a música deles extraordinária! Vale à pena parar para escutar com volume alto, por favor… e se quiser dançar, dance estupidamente!


Eu poderia destacar muitas boas músicas aqui, mas queria deixar registrado meu amor pelas faixas:

- Wawaba | From Buraka to the World [2006]

 - Sound of Kuduro (feat. DJ Znobia, M.I.A., Saborosa and Puto Prata) | Black Diamond [2008]
 

 - Aqui para Vocês (feat. Deize Tigrona) | Black Diamond [2008]

 - Hangover (BaBaBa) | Komba [2011]

 - Stoopid | Buraka [2014]

 - Vuvuzela (Carnaval) | Buraka [2014]
Essa música “Vuvuzela”, por exemplo, a comprovação do talento da banda de conseguir transformar um som tão irritante como o da vuvuzela numa música tão boa.


BONUS! Buraka Som Sistem + Deize Tigrona | Palco Sunset Rock in Rio Lisboa, 2008




+ sobre o Buraka Som Sistema: