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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Luana e o Vibrador - A história do Direito Feminino de Gozar


Pedro Scooby, é jovem, lindo, surfista profissional de ondas gigantes e casado com a atriz global, também cheia de predicados, Luana Piovani, mas parece que Scooby não anda fazendo seu serviço direito. OPA! Como assim? Aparentemente é o que andam dizendo após a esposa de Scooby postar um autorretrato tentando mostrar a normalidade de mesmo sendo atriz blá blá blá tem espinha no queixo, mas que além da infeliz acne, manifesta-se na tal foto um objeto muito parecido com um vibrador.

Pronto! Esse foi o ponto inicial para todas os veículos de comunicação especializados em fofoca de celebridades começar a especular se o objeto seria mesmo um brinquedo sexual ou não. Dentre as várias matérias sobre o assunto, temos os comentaristas (esses são os piores) e na foto vemos textos como:“Scooby não tá dando conta do recado?”, ou "Isso que dá ter marido viajado".

Seria mesmo a falta do marido ou a incapacidade do mesmo de satisfazer Luana sexualmente que a motivou a ter um vibrador em casa? Duvido! E mesmo se tratando de brincadeiras, esses comentários mostra o tamanho do retrocesso que vivemos a respeito da liberdade sexual feminina e a possibilidade delas se satisfazerem sem a presença de um homem.

Homens ao redor do mundo inteiro, o tempo todo, independente se estão dentro de um relacionamento ou não se masturbam (e não é pouco) no entanto nenhum de nós está julgando essa pratica. Além do mais, nós estamos cansados de saber que a masturbação é uma atividade (quando não exagerada) benéfica para ambos os sexos, mas mesmo assim, alguns indivíduos não compreendem que a pratica de se masturbar não compete apenas ao macho, mas também está ai para ser usufruída pelas fêmeas, que pasmem, também sentem prazer e não estão aqui apenas para procriar.

Agonia é perceber numa “pesquisa” rápida entre minhas amigas que existe um certo desconforto ao tratar do assunto, uma tentativa velada de ocultar o embaraço de admitir que sim, você é uma mulher saudável, moderna e dona de suas próprias decisões e uma delas inclui ter um ótimo orgasmo sem precisar necessariamente de um homem ao seu lado.

Libertai-vos mulheres!

A luta por direitos é diária, é constante, e uma dessas batalhas (talvez, muitas de vocês não concordando) está incluída o direito de ter prazer consigo, o direito de explorar seu corpo, conhecer seus pontos erógenos, o direito de ter um vibrador e gozar muito com ele.

E não fiquem pensando que Dona Luana Piovani se intimidou ao receber os comentários, não, a foto ainda pode ser vista no Instagram da atriz, e ela fez mais, na foto seguinte publicou a legenda: “Vocês são todos uns fofos, adorei os comentários todos do post anterior… Eu amo ser normal, lutarei até o fim dos meus dias pela loucura da normalidade!”. Bem, nem todos são fãs de Luana, mas temos que dar a mão a palmatoria por que a resposta foi um verdadeiro tapa de luva de pelica e isso, sim, nós temos que concordar. Piovani, sendo quem ela é, nos provou que é normal sentir prazer. Ela e seu suposto vibrador, senhoras e senhoras, que está provavelmente satisfeita com sua vida sexual e aos comentaristas recomendo um bom sex-shop, do mais, só desejo a todas mulheres (e homens) muitos orgasmos e nem um pouco de constrangimento. Melhor gozar do que chorar!


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que te incomoda pode te salvar [?]

Existe uma expressão em inglês chamada “push forward”, que em livre tradução seria algo como “impulsionar” ou “ir para frente”. Essa expressão explica o sentimento que é quando eu encontro alguém fazendo algo que me incentiva a pensar de maneira diferente, ou me move a ter uma visão sobre as mesmas coisas, mas de uma maneira não pensada ou não executada (ainda).


Foi exatamente esse sentimento que me despertou ao ver as fotos de Claire Milbrath, uma fotografa freelance canadense que em seu ensaio (de moda) titulado "Groin Gazing" (Olhando Virilhas), ela usa os volumes do sexo masculino para expor o que nós, de maneira camuflada estamos, num momento ou outro, observando. Talvez, nem todas vão admitir, mas com certeza a gente já parou uns segundos para observar a “mala” do rapaz. Observar aqui não se trata de safadeza oculta, ou você nem precisa ter um interesse sexual pelo rapaz avantajado (ou não), é simplesmente uma questão de admitir que a região causa curiosidade e recai sobre nós as perguntas: Se a mulher é tão objetivada, corrermos o risco também de estar transformando o corpo masculino num objeto também? Ou caminhamos para um futuro onde os corpos (masculino e feminino) estarão no mesmo nível de exposição na mídia?


Essa não é uma discussão sobre tamanho de pênis (ninguém nem tem mais paciência para discutir isso), mas uma boa oportunidade para repensarmos nossos valores e não permitir que sejamos pessoas que vivemos sob a máxima de “dois pesos e uma medida”, além da discussão sobre a objetivação do corpo surge a questão sobre o desejo sexual feminino, já que Milbrath brinca com os estereótipos masculinos, “o artista”, “o vizinho”, “o executivo” são alguns dos tipos que aparecem nas fotos que mesmo estando dentro do padrão de fetiche de muitas mulheres, mas para muitas meninas essas imagens seriam consideradas como imorais ou ilícitas mas e a loira seminua na propaganda de cerveja também não seria uma imagem pervertida?

 
São anos de lutas para a igualdade feminina e há muito ainda para ser trilhado, talvez, não seja um ensaio fotográfico com volumes de pênis e clichês dos tipos masculinos que vai mudar a realidade de milhões de mulheres abusadas ao redor do mundo diariamente, mas essas imagens não passarão desapercebidas já que elas não são exatamente eróticas, muito menos pornográficas e nem mesmo o torso nu de um rapaz numa propaganda de cuecas (a qual estamos tão habituados), elas estão no meio de tudo isso, são aquele ponto que incomoda, por isso, ouso dizer, são superiores.

Claire joga em nossas mãos a decisão de pensar: se a imagem de um pênis ereto numa calça jeans nos incomoda tanto, é porque o caminho é mais longo que nós imaginávamos e o “push forward” que precisamos é maior. Pense, garotas... 

 + sobre Claire Milbrath 

sábado, 27 de julho de 2013

minhas mulheres de ontem VS minhas mulheres de hoje

[texto publicado originalmente em 02 de abril de 2013]

por mais que eu não goste de mulheres, sexualmente falando, eu admiro a figura feminina os percalços, bênçãos e maldições que elas, as mulheres, tiveram [tem] que passar ao longo de todos esses anos _desde que o mundo é mundo.

felizmente tive possibilidade de conviver com mulheres extraordinárias de diferentes tipos, cores e crenças. convivências essa que eu tenho certeza foram cruciais para a formação de meu caráter, meus gostos, desgostos e tals... devido essa proximidade observo que não é difícil notar o qual abismal é a diferença entre as minhas mulheres de ontem (avós, tias e mãe) e minhas mulheres de hoje (as amigas).  e por mais que seja uma ou duas gerações de diferença a falta de semelhança nos princípios de ambas são gritantes.

minhas mulheres de ontem, mesmo vivendo a liberdade financeira, social e sexual que o tempo lhe permite estão atreladas a valores tão antigos que sinto que ficaram estagnadas a preceitos que não convém mais, mesmo para elas que observaram e vivenciaram uma época que nem tudo era tão “liberal” assim. Em contra ponto minhas mulheres de hoje vivem uma liberação sexual, bebem sua cerveja sem vergonha de ser taxada, usa aquele roupa curta e não acreditam que “puta” seja um adjetivo assim tão ofensivo _porque não é mesmo. e por mais que estejam _ainda_ agregadas aos valores de suas próprias mulheres de ontem, tentam viver sem esse legado de culpa, subserviência e machismo feminino _coisa que acho perigosíssima.

muito mudou desde a Inquisição Espanhola, ou anticoncepcional e o salario igualitário [conquistas femininas honorárias e merecidas], porém nem tudo são flores para minhas mulheres de hoje que são classificadas como menos honrosas por causa de seu comportamento liberal... e acredite não é menos para minhas mulheres de ontem também, essas que vivem aprisionadas em valores que, muitas vezes, não é a conduta correta que elas acreditam que deve ser seguida.

porque diferente dessas mulheres a sociedade que vivemos ainda é poluída com o idealismo da mulher submissa que não tem função além de ser senhora do lar, cuidar dos filhos e procriar. está mais que comprovado que as mulheres estão no mesmo nível que os homens [e superior em alguns, inclusive], que está na hora de abandonar essas filosofias retrógradas que menosprezam as potencialidades das mulheres.
sejam uma mulher de ontem, de hoje, as donas de casa, as mães, as bruxas, as que trabalham fora, as putas e as celibatárias... todas tem seu valor, todas são especiais.