quarta-feira, 11 de março de 2009

...das coisas que eu escuto #2.

"oba! o amor ainda existe..."

biarticulado circular sul | sentido terminal do portão

por milagre de deus o circular sul não estava lotado, às 15 hrs é, talvez, o melhor horario para pegar ônibus em curitiba. sentei na poltrona do corredor deixando a poltrona ao lado da janela vazia. ela se pôs ao meu lado, pediu licença com uma voz mansa e um sorri branco na boca, sentou-se. olhos miúdos, cabelo liso e preso com uma fita verde, bochecha rosada e roupa composta.

o ronco do motor e o ônibus começou a andar, ao mesmo tempo o celular dela tocou, como se tivessem combinado. ela tira o v-3 rosa do bolso:

- alô?
[...]
- oi, meu amor, tudo bem?
[...]
- tudo bem, sim... não, voltando da faculdade agora, a professora faltou.
[...]
- a verdade é que estou sem planos.
[...]
- adorei a ideia... já que você vai em casa, vou fazer um bolo pra você dai.
[...]
- tá, de chocolate... dai a gente fica namorandinho a tarde inteira, estou com saudades.
[...]
[risos]
- te amo, sabia?!
[...]
- tá, leva coca zero dai, é minha preferida... tá?
[...]
- te esperando lá... também te amo, beijos amor.

ela guardou o celular no bolso, olhou pra mim, um sorriso singelo trocado. ela ficou com a bochecha mais rosada. não falamos nada, dois tubos depois ela desceu. eu continuei no ônibus, continuei a mirar o horizonte de predios do centro. agradeci por escutado aquele dialogo. "sim, ainda existi amor" pensei, e desejei viver isso um dia. vou te contar... nem tudo no mundo é bizarro e essa é das coisas que eu escuto!

segunda-feira, 9 de março de 2009

i got the challenge...

selinho do mike. selo esse, que me agradou muito, pois é um selo para os blogs que fazem sorrir.

bem, a regra, graça a deus, é dizer sete coisas que te faz rir... mas a viada não satisfeita me colocou num outro desafio, dizer 7 coisas sobre mim, 7 desejos e um criar um acrostico. e lá vamos nós...



7 coisas que me fazem rir:

1. os seres humanos em geral.
2. sarah silverman.
3. black bitch personality.
4. marcelo adnet.
5. evandro dos santos.
6. vídeos do youtube.
7. terça-insana.

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Desafio 1
7 coisas sobre mim:

1. tenho humor ácido e negro, por muito confundido por preconceito.
2. não gosto de chocolate.
3. acho que batata é uma das melhores coisas que existe pra comer.
4. cerveja é minha bebida preferida.
5. cueca é minha peça de roupa preferida.
6. eu calço 39/40 mesmo tento 1,86m de altura.
7. eu amo frio.


Desafio 2
7 desejos:

1. ver e abraçar minha mãe.
2. um bom emprego.
3. namorar.
4. aprender a desenhar.
5. a jaqueta amarela que uma thurma usa no filme kill bill.
6. tênis nike dunk high sb branco e verde.
7. 150 cuecas calvin clein e aussiebum.


... e o acrostico?

Macho, mesmo debaixo de outro macho.
Inteligente, claro, você já leu o blog dele?!
Kkkk, não sei mesmo, o que dizer com 'k'.
Estilo não lhe falta, baby.

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... e eu passo a bola para:

1. a casa das sete 'micheles'
2. râzi.
3. sam.
4. fast love.
5. à espera de um busão.
6. loserbaby!
7. confissões a esmo


that's it, people!

sábado, 7 de março de 2009

história 174: a pantera idosa

era mais uma tarde que eu tinha que chegar da faculdade, trocar de roupa, engolir meu almoço e sair correndo para o caldeirão do inferno, que eu chamava de trabalho. eu sai correndo em direção ao tubo da wenceslau bras. caminhei as quatro quadras necessárias e cheguei na tal avenida.

de cada lado do jardim que corta a avenida ao meio, um tubo.

|pause|

eu sei, falar de tubo, biarticulado e todos os afins do sistema de transporte publico de curitiba pra quem nunca esteve ou esteve e não entende, é complicado. vamos para um breve explicação: tubo são mini estações onde você paga R$ 2,20 [um roubo] para entrar, nessa mini estação você pode pegar ônibus que te levará a terminais para fazer outras conexões ou para outras mini estações, tudo isso pagando uma única passagem, eis a vantagem! ah, é bom lembrar que quando há um tubo num sentido, geralmente a outro tubo em frente no sentido contrario [mão e contra mão]

|play|

atravessei a rua, um senhor me observava enquanto eu me direcionava para o tubo. uma breve descrição desse senhor: velho, meio careca - daqueles só tem cabelo dos lados, tipo palhaço, barriga de chopp, calça quase no peito e nariz grande.

esse velho não tirava os olhos de mim. entrei no tubo sentido hauer ele no tubo sentido portão. eu era o único dentro do tubo, lá dentro eu fui para o canto, guardei meu dinheiro na carteira e fui para a fila, melhor, comecei uma fila, por que em curitiba, para tudo se faz fila. não é que o velho de lá do outro lado do tubo olhou pra mim mostrou os dentes tipo uma pantera, colocou a língua para fora e ficou balançando para cima e para baixo. eu tive uns 10 segundos estagnação total, pensei: "parem o mundo, eu quero descer!". eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. olhei para dentro do tubo, sim, eu estava sozinho. olhei para o cobrador, mas esse lia uma livro sobre adestramento de cães de médio porte. era, era comigo. olhei de novo para o senhor, e dessa vez ele pegava no saco, coçava exageradamente olhando pra mim... olhei pra o lado de novo, morrendo de vontade de rir. olhei de novo para o velho, eis que ele faz aquilo com a língua outra, não dava mais. fiz a egípcia e cai risada, por sorte em menos de dois minutos outras pessoas entraram no tubo e se dispuseram atrás do meu lado, o velho parou, meu ônibus chegou e eu fiz trabalhar imaginando transar com aquele criatura. pense, o pau de tão mole que nem dá pra chupar, tem que mascar feito um chiclete.

é, paquera na terceira idade é uma realidade, antes que caiam em cima de mim dizendo que eu tenho preconceito com velhos, vou logo dizendo, não, eu não tenho, mas também não tenho interesse nos mesmo; e assim e vida segue em curitiba, vou te contar...

terça-feira, 3 de março de 2009

[sem título]

antigamente eu era uma pessoa feliz que frequentava supermercados e me perguntava porque os operadores de caixa eram pessoas tão carrancudas e desiludidas. na ultima semana eu olhava para as pessoas felizes que frequentam supermercados e me lembrava de quando eu era uma delas. hoje, eu estou livre. pedi demissão do inferno. capeta, adeus esqueça meu endereço e telefone!

... e se me perguntarem:
"...e agora, josé?"
eu simplesmente vou levantar as mãos, abrir mais os olhos, enrugar a testa e entortar a boca, ou seja, não sei.

sem explicações de "por quês" não tô com paicência para assuntos chatos. o sentimento é contraditório, admito. fiz o que senti vontade de fazer, mas não sei se fiz o certo. dizem que seguir o coração sempre dá certo. será?

preciso de dinheiro - fato! e não tenho tempo para imaginações e fantasias. tenho o rumo e vou segui-lo. outras coisas me incomoda, mas não valem a pena serem citadas e por favor, não me digam:
"você está no começo, menino!" eu já sei disso, mas o boleto bancário da mensalidade da faculdade, não.

para esse texto não ficar mais chato do que já está, eu termino agora.
kisses
callme

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

amendoim japonês

ela sentou-se robótica no ônibus vermelho. sentou-se próximo à porta número três, a porta pela qual as pessoas entram. gostava de observar as pessoas que entrava no ônibus vermelho. um velho senta-se ao seu lado, o cheiro forte de naftalina devia sua atenção, a mãe com a criança reclamando, a venha magra, a moça gorda, o senhor de terno e grava. ela sente vontade de espirar, mas a vontade passa. "que raiva, odeio perder espirro!"

dez anos desde a morte do pai, dez anos que vive apenas com a mãe, dez anos que seu dinheiro é contado, sua vida é regrada e nada pode ser esbanjado. dez anos que ela sonha. afinal, sonhar não paga imposto. dez anos que ela tem vontade.

ele entra, barba por fazer, mochila preta nas costas, casaco folgado, na mão um saco de amendoim japonês. os preferidos dela, os que há meses ela não come. a boca enche d'água ela deseja, ao menos, um amendoim, mas nunca teria coragem de pedir. olha fixamente para cada uma bolinha disoforme, marrom, texturizada. lembra do gosto do salgado à boca, lembra do som da casca grossa estrourando na boca. lembra... remexe no bolso, alguma moedas contadas. sente vontade de descer do ônibus e comprar um saco igual. odeia a vida que leva, odeia as limitações que vivi, odeia esse sentimento e querer e não poder, a vontade de comer e não poder. as vontades...

para sua perdição ele abre o pacote, o cheio intenso invade sua narinas, um oceano se forma na boca, o cheiro salgado a envolve. o som dos amendoins estourando na boca dele, tudo mais intenso do que deveria. ela fecha os olhos se vê num campo, céu claro sem nuvens, campo verde, em sua mão um saco de amendoin japonês, ela senta na grama macia e come despreocupadamente, um por um. o ronco do motor e ela é arrancada de seu devaneio. abri os olhos e mira ele mais uma vez, mastigando feliz, o saco cheio. ela promete a si mesma, um dia teria uma um casa, e nessa casa haveria uma banheira e um dia encheria essa banheira e tomaria banho de amendoim japonês.