Mostrando postagens com marcador cacura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cacura. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de março de 2009

história 174: a pantera idosa

era mais uma tarde que eu tinha que chegar da faculdade, trocar de roupa, engolir meu almoço e sair correndo para o caldeirão do inferno, que eu chamava de trabalho. eu sai correndo em direção ao tubo da wenceslau bras. caminhei as quatro quadras necessárias e cheguei na tal avenida.

de cada lado do jardim que corta a avenida ao meio, um tubo.

|pause|

eu sei, falar de tubo, biarticulado e todos os afins do sistema de transporte publico de curitiba pra quem nunca esteve ou esteve e não entende, é complicado. vamos para um breve explicação: tubo são mini estações onde você paga R$ 2,20 [um roubo] para entrar, nessa mini estação você pode pegar ônibus que te levará a terminais para fazer outras conexões ou para outras mini estações, tudo isso pagando uma única passagem, eis a vantagem! ah, é bom lembrar que quando há um tubo num sentido, geralmente a outro tubo em frente no sentido contrario [mão e contra mão]

|play|

atravessei a rua, um senhor me observava enquanto eu me direcionava para o tubo. uma breve descrição desse senhor: velho, meio careca - daqueles só tem cabelo dos lados, tipo palhaço, barriga de chopp, calça quase no peito e nariz grande.

esse velho não tirava os olhos de mim. entrei no tubo sentido hauer ele no tubo sentido portão. eu era o único dentro do tubo, lá dentro eu fui para o canto, guardei meu dinheiro na carteira e fui para a fila, melhor, comecei uma fila, por que em curitiba, para tudo se faz fila. não é que o velho de lá do outro lado do tubo olhou pra mim mostrou os dentes tipo uma pantera, colocou a língua para fora e ficou balançando para cima e para baixo. eu tive uns 10 segundos estagnação total, pensei: "parem o mundo, eu quero descer!". eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo. olhei para dentro do tubo, sim, eu estava sozinho. olhei para o cobrador, mas esse lia uma livro sobre adestramento de cães de médio porte. era, era comigo. olhei de novo para o senhor, e dessa vez ele pegava no saco, coçava exageradamente olhando pra mim... olhei pra o lado de novo, morrendo de vontade de rir. olhei de novo para o velho, eis que ele faz aquilo com a língua outra, não dava mais. fiz a egípcia e cai risada, por sorte em menos de dois minutos outras pessoas entraram no tubo e se dispuseram atrás do meu lado, o velho parou, meu ônibus chegou e eu fiz trabalhar imaginando transar com aquele criatura. pense, o pau de tão mole que nem dá pra chupar, tem que mascar feito um chiclete.

é, paquera na terceira idade é uma realidade, antes que caiam em cima de mim dizendo que eu tenho preconceito com velhos, vou logo dizendo, não, eu não tenho, mas também não tenho interesse nos mesmo; e assim e vida segue em curitiba, vou te contar...