sexta-feira, 26 de setembro de 2008

história 151: o chevette...

meu vizinho agora inventou de comprar um chevette. olhe, não é preconceito nem nada, mas chevett, de tão feio que é, nunca deveria ter sido considerado um carro, uma pessoa que tem coragem de comprar um chevette deveria apanhar em praça publica.

pois bem, não bastasse o modelo ridículo do carro, a coisa é verde, num tom meio musgo, sei lá. não é um carro velho, sabe?! mas também não é novo. e eu não sei explicar muito bem porque, meu vizinho, que tem garagem, mesmo assim não coloca o tal chevette lá dentro, coisa de doido. dai o carro passa a noite inteira lá na rua. o detalhe maior da história é que os vidros ficam aberto. acho que o povo despreza tanto o tal chevette que ninguém dá importância nem para roubar o coitado do carro.

... vai fazer um mês que eu estou trabalhando, três vezes por semana, à noite, num povoado da zona rural daqui. e chego em casa cerca de 23:00 até 23:30 [...] minha rua para variar, nesse horário está menos movimentada que o deserto do saara. lá vou eu caminhando devagar, cabeça baixa. eu tinha aplicado prova e recolhido uns trabalhos, ou seja, as minhas mãos estava cheias de papel. quando eu estava na mesma direção do carro que estava lá parado, silencioso e quieto na porta de meu vizinho. olho para o chevett, xingo-o mentalmente, arrepio de raiva daquele carro horrível. quando de repente uma cabeça saí de uma das janelas do banco traseiro, era um homem visivelmente bêbado, ele disse:
"quantas horas aí?!" eu, automaticamente, dei um super grito, seguindo de triplo mortal carpado para trás jogando no ar tudo quando era prova e trabalho que estava na minha mão.

via-se um jarbas com a mão no coração, a respiração ofegante, as pernas tremendo, meu coração era uma escola de samba na sapucaí, eu olhei para o chão, aquele monte de papel ao meu redor, eu senti na calçada e comecei a chorar. sim, chorar feito uma criança, acho que o stress de um dia inteiro de trabalho mais o susto e os papeis no chão me deixaram vulnerável. depois de uns cinco minutos de choro como bêbedo me velando calado. eu comecei a catar os papel ainda soluçando baixo. de repente o bêbado fala:
"e as horas moço, vai falar ou não?!" minha raiva era tanta, que eu olhei para o bêbado com o meu melhor olhar de bette davis e disse: "vai perguntar a hora para o capeta não pra mim!" ele diz em respota: "vixe, tá stressadinho... nem vou mexer, se não me bate, mas não chora não viu?!"

eu nem disse nada em resposta, terminei de catar meus papeis fungando de raiva, deixei o bêbado sozinho e entrei em casa. quando eu já estava deitado em minha cama, fui parar para pensar na situação e comecei a rir sozinho por um logo tempo, foi inevitável pensar no quanto a situação foi surreal e engraçada. cada coisa que me acontece, né?! como diria uma amigo: "a gente se fode, mas se diverte" vou te contar...

p.s: foto meramente ilustrativa, o carro de meu vizinho é pior que esse aí.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

eu adoro falar aracy balabanian...

... mas às vezes eu erro. Aracy Banabalian, Banabanian, Banananian, Balabalian, Banbanalian, Banbabalian, Banbalanian, Banbanilan, Banananliou, Balablabian, Bala de Morango, Banalinaãn, Banana com aveia.


comunidade no orkut

terça-feira, 23 de setembro de 2008

antropofagia da tribo [ou] os gays que me envergonham

eu sempre achei que gays, por serem gays, deveriam ser pessoas livres de qualquer tipo de preconceito, partindo do pré-suposto, obvio, de que gays fazem parte de uma minoria massacrada pelo preconceito a centenas de anos. enfim, nem eu mesmo sabia o quanto eu estava enganado. vejam a situação: estávamos sentados de frente ao trailler de lanches, éramos cinco, três mulheres e dois homens, ambos gays. eis que veio caminhando um rapaz negro, que até então eu nunca tinha visto na cidade.

- gente, olha que rapaz bonito - eu disse.

as meninas concordaram comigo. eis que, automaticamente, meu amigo diz:

- deus me livre! gente, ele é preto!

houve um segundo de silêncio. ninguém disse nada, se é que alguém conseguia pensar em alguma coisa realmente inteligente depois de uma frase tão preconceituosa. eu tomei da palavra primeiro.

- e qual o problema dele ser negro? - perguntei.
- nenhum, sei lá, não gosto, tenho nojo - ele respondeu, totalmente desconcertado, talvez tenha percebido o nível de preconceito da frase anterior.

meu discurso foi longo... as meninas caíram em cima falando também. o que mais me assustou foi o quão automática que a frase saiu da boca dele. é triste, antes de qualquer, ver uma pessoa que sofre preconceitos todos os santos dias, como meu amigo, porque ele é afeminado, ter preconceito, com um semelhante.

são esses os gays que me dão vergonha. pior de tudo é saber que essa atitude de meu amigo é característica de vários gays ao redor do mundo. existe uma antropofagia de nossa tribo que me assusta. as monettes fashion que odeiam as bichas pão-com-ovo, que por sua vez odeiam os travestis, que odeiam as barbies, que odeiam os bears e assim segui-se todos mastigando todos vivos, sem lembrar que somos todos farinha do mesmo saco.

agora, sem hipocrisias, até porque eu já devo ter dito para vários leitores de meu blog no MSN que eu não me interesso [muito] sexualmente por negro, o que é um direito que eu tenho, todos nós temos preferências sexuais e isso nem discutível é. tenho diversos amigos de pele escura, não me relacionar sexualmente um um determinado tipo de humano, não me dá o direito de sair por aí dizendo que eu tenho nojo de quem quer que seja, até porque comigo não é assim. antes de qualquer coisa nós somos todos seres humanos, feitos da mesma matéria decompositora, totalmente semelhantes por dentro e por fora. e o que se vê por fora é apenas uma casca. tem que chegar logo o dia que as pessoas vão colocar em suas cabeças que cor, religião, sexualidade, não são fatores determinantes para definir o caráter das pessoas. para que mais lindo, loiro, branco de olhos azuis [e gay] do que adolf hitler, no entanto, matou milhões de pessoas sem causa nenhum, em contra ponto, temos zumbi dos palmares, que era negro, e salvou centenas, ou mais, de vidas.

eu disse para meu amigo: "olhe ao seu redor, olhe para essa cidade, o país que você vive, seus parentes, não há ser nativo no brasil que possa dizer que não é mestiço, que não tenha, mesmo que o mínimo, de sangue negro correndo nas veias. o brasil foi construído por mãos negras, nossas terras foram regadas com o suor desse povo. e no entanto, você, e eu também não reconhecemos isso. negros são superiores. é o povo que tem mais gana. que ri quando é de chorar! se eu fosse você eu me envergonharia desse tipo de atitude preconceituosa, porque isso é uma doença, liberte-se antes que seja tarde demais."

como consideração final, eu vos digo, mesmo que difícil, libertem-se desses tipos de atitudes preconceituosas, se você não as tem, meus sinceros parabéns. mas se você é preconceituoso, vou te contar... você é doente, e deveríamos todos ter, não nojo, mas pena de você.

domingo, 21 de setembro de 2008

eu preciso...

...de pessoas reais.
quero alguém diferente, por que eu sou diferente.
quero o melhor, porque eu sou melhor.

eu sei que esse alguém existe, está em algum lugar desse mundo...
rodeado dos homens errado, apenas me esperando.

...um dia a gente se encontra! [só espero que não demore muito]


[am I just a another dreamer?]


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

história 150: festa na roça, é pra lá de bom!

era pra ser uma noite qualquer, eu iria ficar dentro de casa, sem fazer nada, assistir alguma serie americana no notebook, comer alguma porcaria, ler, depois dormir. mas elas me ligaram me chamando para ir nunca festa na zona rural. olhei ao redor, pensei: "o que poderia dar errado?! eu vou..."

em menos de quinze minutos eu me arrumei e eles pararam o carro na porta de minha casa, magicamente seis pessoas dentro de um gol rumaram para a tal roça, cerca de dez quilômetros de distancia do centro. poeira era o que não falta e a velha sinusite adormecida voltou com força e foi espirro para todos os lados. eu só pensando: "senhor, porque eu faço isso?!"

[...]

depois de solavancos, buracos, quase uma batida, desvios de animais, nós [finalmente] chegamos ao lugar da tal festa. foram os dez quilômetros mais longos de minha vida. desci do carro. olhei ao redor e automaticamente senti vontade de voltar para o aconchego de minha casa.

via-se varias barracas de bebidas um carro com um fundo aberto improvisando um balcão de bar, uma churrasqueira do lado e carne chiando em cima da grelha. ao lado uma cobertura com um palco de madeira e caixas de som que pareciam que tinham enxames de abelhas tamanho era o zumbido. tinham as clássicas barracas de pasteis que dava medo só de olhar para quantidade de gordura que tinha cada um deles. gente feia era o que não faltava e todos os meus alunos pareciam estar lá. por onde eu andava tinha alguém falando meu nome.

"a solução é beber, né?!" pense. encostei perto de uma daquelas barracas e pedi uma cerveja. o povo que veio comigo se espalhou. e eu permaneci próximo à barraca das bebidas o prefeito encostou, pagou uma cerveja pra mim. o vice-prefeito encostou, pagou uma cerveja pra mim. o irmão do prefeito encostou, pagou uma cerveja pra mim. outras pessoas encostaram e pagaram cerveja pra mim. alcoolicamente falando foi umas das melhores festas de minha vida. fui e voltei com praticamente a mesma quantidade de dinheiro, mas beber cerveja é o diabo, porque toda hora a gente sente vontade de ir no banheiro.
"onde tem banheiro aqui?!" perguntei e uma chuva de risadas veio como resposta.

- aí, ué!
- aí, aonde?
- qualquer lugar escuro, qualquer uma dessas cercas, no meio do mato, escolhe...
- mas eu preciso ver um vaso sanitário para fazer xixi... [fazendo a bessha fresca]
- vixe, tem ali no prédio da escola, vai lá, mas acho que não é muito limpo não.

"mas acho que não é muito limpo não" essa parte da frase ressoou varias vezes dentro de minha cabeça enquanto eu caminhava em direção ao banheiro que ficava próximo à escola. Abri o portãozinho de ferro, algumas pessoas sentadas no muro baixo. fui caminhando pelo corredor lateral, virei à esquina, estava meio escuro, mas deu pra ver na minha frente dois homens se atracando! voltei dois passos, só podia estar bêbado, como assim?! lá no meio do nada também tinha viado?! soltei um pigarro. eles me olharam desconfiados, eu abaixei a cabeça, morrendo de vontade saber quem era, mas a escuridão e minha cegueira não permitiram reconhecer os sujeitos. o de blusa clara saiu primeiro, depois o outro. entrei no quartinho 2 por 2, o cheiro forte invadiu minhas narinas. onde estava o vaso sanitário? que vaso que nada, lá tinha era um buraco no chão. mijei lá mesmo.

voltei ao encontro de meus amigos, continuei bebendo e perdi meu bom-senso rápido, graças a deus. e nada mais me surpreendia. oh, coisa boa, esses programas de índio mudam minha vida. vou te contar...