sexta-feira, 30 de novembro de 2007

[o homem e sua particularidade - part. 2]

[continuando]

- bom dia meu filho em que eu posso te ajudar? – perguntou mãe dalziza ao sentar na cadeira.
- eu tenho um problema no meu corpo minha mãe, vim vê se a senhora pode me ajudar. – respondeu Severino meio constrangido.
- vós-me-cê me diga então qual esse problema.
muito envergonhado Severino coçou a cabeça e disse:
- meu pinto tem 40 centímetros e eu não agüento mais isso.
- aaah, bem que eu tava te reconhecendo de algum lugar, você não é Severino do rolão?!
- sou eu mesmo mãe dalziza.
- mas o que lhe preocupa meu filho? tanto homi queria tanto ter esse picão.
- ninguém quer trepar comigo.
- já tentou Matias, viado gago?
- já.
- e ele não te quis?
- não
- vixe, seu problema é grande, deixa eu ver esse rolão.

Severino levantou-se, abaixou a calça, abaixou a cueca e mostrou para mãe-de-santo toda aquela fartura.
Mãe dalziza arregalou os olhos, arrepiou da cabeça aos pés e escancarou a boca.

- oxum misericórdia, - ela disse, ainda meio assustada – nem eu tinha coragem de enfrentar, guarda isso ai dentro meu filho, eu tenho medo só de olhar, seu problema é grande mesmo.

Severino mais desanimado do que antes colocou o pinto pra dentro e sentou-se novamente.

- tá vendo minha mãe, é disso que eu estou falando, ninguém tem coragem de ficar comigo, até de três pernas me chamam, se a senhora não tiver solução, vou fazer uma arte comigo, vou me matar.
- calma, calma meu filho, não precisa de tanto afobamento.

a mãe-de-santo pegou um saco de seda preta e abriu derramando conchas de búzios em cima de uma peneira de palha, pegou essas conchas mexeu pra cá, mexeu pra lá e jogou no tabuleiro. mãe dalziza olhou bem para os búzios na peneira, fez cara de raiva, sorriu, fez cara de desanimada e gritou:
- AXE!

Severino levou um susto – coitado.
- eu tenho a solução – disse mãe dalziza muito alegre.
Severino tava que não se agüentava na cadeira, pensava como aquelas conchas do mar podiam ter a solução do seu problema particular, talvez aquele foi um dos momentos mais felizes da vida de Severino, tirando é claro a única vez que ele transou, mesmo sendo num milharal, mesmo sendo com Adelaide, a anã, e mesmo ela ter ficado aleijada das duas pernas depois, enfim, gozar foi bom.

- pois então me diga mãe dalziza, eu tô que não me agüento.
- você vai fazer o seguinte – mãe dalziza começou – na próxima lua cheia à meia noite tome um banho com mandioca, pepino, cenoura e berinjela mais sal grosso, depois do banho cê veste uma roupa branca sem cueca e vá na lagoa barrenta nas terras de nhô Tião, aquela lagoa que ninguém bebe da água, fique nu, segure uma velha vermelha na mãe esquerda acesa e cante:

exu bebeu, exu sambou
exu bebeu, exu gloriou.
vem aqui sapo casamenteiro
exu te chamou.

- de dentro da lagoa vai sair um sapo verruguento e feio, cumprimente o sapo com o cumprimento assim: “ogum iê meu sapo, exu vem me ajudar” se o sapo abrir o olho esquerdo primeiro você pode prosseguir se abrir o direito, sai correndo sem olhar pra trás, você vai perguntar o sapo se ele quer casar com vós-me-cê toda as vezes que o sapo dizer não diminui 5 centímetros do seu rolão, mas tome cuidado o sapo não pode tá num dia bom.

Severino coçou a cabeça, repassou tudo mentalmente e fez cara que entendeu, e já ia se levantando. Mãe dalziza pigarreou e olhou para Severino com um sorriso amarelo, indicando para o rapaz que ele tinha esquecido alguma coisa.
- quanto foi a consulta mãe dalziza? – perguntou Severino, sem graça.
- 200 real. – respondeu mãe dalziza automática.

Severino chegou fechar o olho ao ouvir o preço salgado, lá ia embora 15 dias de capinagem na roça, tirou a carteira surrada do bolso e pagou, foi embora tão animado que nem conseguia esconder a excitação.


Dez dias se passaram e veio a lua cheia.


[continua...]

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

enquanto isso numa loja do futuro...

- ...então senhora, além de tudo lhe consola nas horas de depressão, e nós dividimos no cartão em 12 vezes.

- uhm... embala dois pra mim.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

[o homem e sua particularidade - part. 1]

lá nos confins do sertão, havia uma cidade, nessa cidade existia um homem e uma particularidade no seu corpo, esse homem se chamava Severino e era um homem infeliz – coitado.
vivia cabisbaixo pelos cantos, alguns até diziam já o ter visto chorando, mas cabra macho que era nunca admitiu tal calunia. tudo isso por causa da sua particularidade de seu corpo.
quando passava na rua as pessoas comentavam sobre Severino, às vezes riam e isso o incomodava demais.
o que para muitos era de falta, para Severino era de sobra [tinha para dar e vender] o que para muitos seria uma benção, para Severino era uma maldição, e é esse exatamente o motivo de tanta depressão.
sem mais enrola, porque eu sei que vocês estão curiosos, vou direto ao ponto; Severino tinha 40 centímetro de pênis [sim tudo isso] e era conhecido na cidade como Severino do rolão – coitado!

é por causa dessa fartura toda que nenhuma mulher, nem viado queria transar com Severino – eis o motivo de toda a sua depressão. nem mesmo a Leidiane, filha do Sr. Julu, aquela que tem fama de ser puta e “dadeira” não quis ficar com Severino, dizem por ai que escondeu dentro de casa quase um mês e nem para as festas queria ir mais. nem Matias, o viado gago que tinha o apelido de aspirador [chupava tudo a sua volta] quis o pintão de Severino enfrentar.

"de de deus me livre da da daquele ca ca cavalo"

num ato de desespero Severino foi num centro de macumba, queria saber se seu caso tinha algo haver com espiritual, quem sabe algum santo compadecido com tanto sofrimento poderia lhe fazer um milagre.

no terreiro de mãe Dalziza, Severino entrou, foi conduzido para um sala mau iluminada, humida, abafada e cheirando a incenso. não demorou muito mãe Dalziza entrou, era negra e gorda, vestida de brando com turbante na cabeça e brincos grandes na orelha.
a mãe-de-santo sentou-se à frente de Severino, entre eles uma mesa, cheia de coisas.

– bom dia meu filho em que eu posso te ajuda?


[continua...]

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

[história 083: mas lá tem... ?]

[tá chovendo na bahia. obaaa!]

eu sou tão gongado por morar na bahia que eu nem sei contar quantas vezes, pior ainda é por morar numa cidade do interior do interior; eu nem me importo às vezes eu acho até engraçado e tiro sarro comigo mesmo.
olha essa história que aconteceu comigo no dia que eu fui tirar meu passaporte.

entrega-se os documentos para o policial gordo e barbudo, ele confere e te dá uma senha, você espera, chamam seu número e você entra numa sala, as cenas seguintes é dentro dessa sala na hora de entregar meus documentos para o agente feio de dentes amarelos e bafo de cigarro.

- você mora na cidade x?
- sim.
- fica quantas horas daqui?
- mais ou menos 10 horas.
- longe.
- bastante.
- lá é cidade ou distrito de outra cidade?
- cidade.
- tem prefeito?
- sim.
- e com dez vereadores?
- sim.
- e pega celular?
- sim.
- tem internet?
- sim.
- e tem ...?

[eu não suportei mais e antes mesmo dele terminar a próxima pergunta esdrúxula eu disse]

- tem água encanada, luz elétrica e vendem botijões de gás, ah, e ninguém anda nu com macaco nos ombros.

[ele soltou um sorriso amarelo percebendo minha impaciência pegou meus documento e conferiu, mas ele não deixou barato, quis [tentou] se vingar do menino da roça ]

- cadê sua passagem?
- o quê?
- sua passagem de avião para comprovar que você vai viajar.
- eu estou indo para os EUA, sem passaporte eu não tiro o visto, sem visto eu não compro passagem.

[silêncio]

penso que ele pensou: "droga é da roça, mas não é besta"

- pode aguardar lá fora.

[20 minutos depois eu estava embora feliz com eu passaporte na mão]

dois meses depois meu visto foi negado ["você é um imigrante em potencial"] opa. é a vida né?! até deus me passa gongada, vou te contar...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

[ porque elogios são sempre bem-vindos ]

hoje eu vou postar um comentario que eu recebi do Jamal do blog Báu do Jamal.
foi uma das coisas mais bonitas que alguém já me disse... é meio estranho falar de elogios, por que por mais que a gente tente não puxar o saco da pessoa, nós acabamos puxando [sem duplo sentido por favor] mas enfim, vou tentar não o fazer, mesmo porque o blog o Jamal é ma.ra.vi.lho.so [opa! fiz.]

alguns podem até achar estranho postar um elogio, mas eu explico porque pra mim é meio novidade, aqui poucas pessoas não me dão valor ou acham que o que eu escrevo não presta para alguma coisa. não estou dizendo isso para que fiquem com pena do menininho do caatinga, mesmo que porque quem quiser se manter vivo não sinta penta de mim, mas é a pura verdade.

quando o Jamal diz no texto abaixo: "pq sabemos que vc é um peixe fora d'água nessa caatinga em que vive" me deu um nó na garganta, é exatemente assim que eu me sinto, mas não reclamo, uma vida de de reclamações é chata, é por isso que eu escrevo um blog de humor.

pensem, é melhor ser alegre do que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe.
meu muito obrigado ao Jamal e a todos os seus amigos que leram meu blog . com esse comentario vocês firam mais um dia muito feliz na minha vida, muito obrigado mesmo.

mas antes de terminar, tenho que dizer que me arrepiei quando o jamal disse: "livres de preconceitos, epirituosos e crentes que o mundo tem jeito." e é com essas palavras que eu termino. [segui abaixo o comentario completo].

ah, antes que eu me esqueça vou te contar... estou particapando de uma disputa sexy de blogs . apartir do dia 26/11/2007 fotos semi-nu e sexy minha vão estampar esse blog . quem viver verá e contará. [ui delicia]


Jarbas...

Sabe que seu blog tem sido motivo de comentários entre meus amigos. Outro dia comentei sobre seu post do culto evangélico e muitos buscaram ler. Virou unanimidade em nossas conversas, pq sabemos que vc é um peixe fora d'água nessa caatinga em que vive. É superior em tantos aspéctos que dificil acreditar que seja tão jovem. O bom é saber que ainda tem tanto para buscar, que em breve o mundo vai ser pequeno pra vc.

É incrivel seu poder de estar antenado a tudo que se passa em sua volta, aí e no mundo.

Admiramos sua capacidade de extrair o que há de bom numa cidade de 4000 hab., e fazer de sua vida uma obra prima de Frederico Fellini.

Há poesia em suas histórias. Há uma criatividade ingênua. Você descreve as situações com certa inocência, típica de moradores de cidades interioranas, mas com uma capacidade de absorção do que se passa no mundo, absurda. Sua narrativa é profissional.

Seu senso de humor é muito peculiar. Encontramos esses insights geralmente em roteiristas de humor, de teatro. Pode-se de dizer que certas histórias que vc conta, poderiam muito bem serem encenadas em seriados como "os normais".

Parabéns por seu desprendimento, por sua inteligencia, por ser jovem, com esperanças e ideiais. Por acreditar que não é o meio em que vivemos que traça nossa personalidade e carater

Pena que as pessoas em geral observam os blogs como um passa tempo banal. Deveriam olha-los como um espelho da juventude que vem por aí. Livres de preconceitos, epirituosos e crentes que o mundo tem jeito.

Somos seus fãs.

abraço.