quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

história 188: é no balanço do busão

cada singelo dia, desde que eu cheguei em Curitiba, é um dia incrivelmente diferente do outro – essa frase fica mais dramática em inglês – mesmo nas atividades corriqueiras do dia a dia. entre essas atividades está pegar o inter 2. aos que nunca estiveram em Curitiba alguma vez, ou se esteve, mas não experimentou da excêntrica experiência e entrar num inter 2, eu explico: o inter 2 é uma das linhas de ônibus, ele é um ônibus prateado que cruza diversos bairros, ou seja, é o mais cheio, mais disputado, mais um monte de outras coisas que não vale a pena descrever aqui, não vale a pena porque não é coisa legal, garanto. e adivinha? eu tenho que pegá-lo para chegar à faculdade, então é assim, todas as manhãs eu disputo um espaço com outra centena de estudantes e trabalhadores.


aquela era uma manhã normal, ao menos, os primeiros sinais indicavam que seria. eis que surgi o inter 2, poucas pessoas no ponto, o que era algo estranho. o "falcão prateado" parou, muita gente saiu, o que é algo mais estranho, o inter 2 estava ligeiramente vazio às 7:45 da amanhã, o que era algo realmente muito estranho. algo iria acontecer, eu tinha certeza disso. sabe como é, quando a esmola é demais, o santo desconfia. pois bem, entrei, não consegui um lugar pra sentar, o que é normal, sentar no inter 2 é pedir demais. me afastei da porta, penetrei entre os outros passageiros e me pus próximo a uma das barras de ferro, um homem estava à minha frente. ele estava de camiseta branca, calça jeans básica e tênis, olhou pra trás e percebeu minha presença às suas costas. ele era bem mais baixo do que eu, essa é uma parte ruim. era bem mais velho do que eu, isso não era tão ruim assim. era mais feio do que eu, essa era a parte realmente muito ruim. eu presumo que dentro de uma lata de azeitona ninguém se preocupa com quem está por cima ou quem esta por baixo, quem estava atrás ou à frente, afinal de contas, tá todo mundo está fodido, preso dentro de um pote e prestes a ser levado pra casa de um qualquer e depois ser comido. o inter 2 é basicamente assim, logo, ninguém reclama já que tá tudo mundo apertado.

é fato que motoristas de ônibus não se preocupam muito com sua carga, e nesse caso, a carga era eu. e no balanço do busão, se com intenção ou não, não saberia dizer, só sei que o tal cara veio mais pra trás, encostou em meu celular que estava no bolso da calça, gostou do que sentiu, voltou outra vez. eu me mantive no mesmo lugar, quer esfregar em meu celular pode esfregar, tô de boa. era muito cedo pra eu distribuir minha antipatia gratuita, mas ele mirou certo em eu pênis e veio faceiro, esfregou de leve, soube no que estava esfregando e continuou. se eu disser que não gostei, eu estaria mentindo, mas não devo negar que me incomodou a situação, basicamente porque estávamos circulados de várias pessoas. e pra piorar, quem tem um pênis pode confirmar, que pênis tem vontade própria, e com o meu não poderia ser diferente. sim, ficou duro! o que deixou o cara bem mais animado do que ele já estava. não me condenem, o cara tava lá, faceiro esfregando a bunda dele no meu pau, diante da situação não teve jeito, era uma bunda assim fácil, fácil ali se esfregando em mim, claro que o dito cujo ficou duro. e a cada balanço, a cada freada, a cada curva o cara roçava mais e mais em mim. e assim seguiram os próximos 20 minutos até o inter 2 chegar a plataforma de desembarque no terminal que eu ira descer pra fazer uma conexão para chegar na faculdade. na descida, eu de pinto duro, ao perceber que ele desceria no mesmo terminal, tentei sair na direção oposta a do cara, mas ele fez um malabarismo que eu não conseguiria explicar e ficou na minha frente de novo, na confusão da fila pra se livrar logo do ônibus ele esfregou mais em mim. ditados populares fazem total sentido agora, é por isso que eu dizem: "amor que fica, é amor de pica" vou te contar...

domingo, 29 de novembro de 2009

história 187: made in japan

depois que eu cheguei da bahia, mais do que qualquer coisa, eu tinha que sair na noite curitibana, beber, rir, ver meus amigos e dançar, dançar e dançar. ficar com alguém era algo que não estava sendo, nem minimamente, cogitado por minha mim antes de sair de casa. pensei em balada, pensei em james, maldito [bendito?] vicio.

eu ia encontrar com umas amigos de meu antigo trabalho, quando eu estava na fila uma amiga da faculdade me ligou chamando pra sair, convenci-a de vim pra o james. menos de vinte minutos depois essa minha amiga chegou, acompanhada da namorada, duas meninas japonesas e um rapaz com cara de brasileiro, quer dizer, não tinha cara de oriental. enfim, eis que ela me apresenta as meninas e o rapaz, ambas eram do Japão, uma delas, a menos tímida já falava português e o menino era namorado dela, a outra, a mais tímida, era recém chegada no brasil, se não me engano a menos de 3 meses, coitadinha, não falava português ainda e só falava inglês, graças a deus, passar a noite inteira na mímica não iria dar certo.

nós ficamos na parte de baixo, eu, faltando dançar a sacucarachá vestido de mariati, tentei embriagar a japonesa com tequila, mas ela deu pra trás. de repente minha amiga vira pra o lado, eu seguia-a com os olhos, um outro japonês surgiu diante de nossos olhos, ela fez aquela cara que a gente faz quando acha que conhece alguém, não é que o filho da putinha do japonês era um conhecido da minha amiga mesmo.

- pause para um mini flash back -
em setembro, no dia da parada gay, no fim da parada, eu encontrei com essa amiga, ela veio louca do edi contar que tinha conhecido um japonês gay from japan de verdade, intercambista aqui no brasil e tal, e por mais que eu gostasse de japonês, naquele dia, eu olhei para o tal japa, mas nem dei muita atenção.
- pode continuar -

então, o tal japa da parada gay era o mesmo japa que estava no james. so what? tá, quem acompanha esse blog sabe que eu tenho uma verdadeira queda, ok, queda é coisa de primário, eu tenho uma tara psicótica por japoneses e até então eu nunca tinha ficado com nenhum exemplar da raça. eu tive um insight na hora, eu não podia desperdiçar a oportunidade de ter diante de mim um japinha, made in japan de verdade, amigo de amiga e não, ao menos, tentar ficar com ele. é, pra falar a verdade, ter aquele japonês diante de mim, assim, minimamente disponível foi um êxtase comprável a excitação da anunciação da volta de jesus cristo para um evangélico fanático, com o poder do exagero, claro.
- amiga, arruma o japinha pra mim - eu disse.
- serio que você quer, brother? - ela perguntou, não que tivesse duvidas, claro.
- não vou embora sem beijá-lo - eu outorguei.
houve uns minutos do qual os japoneses foram apresentados e eu me senti num matsuri com aquele povo falando em japonês. depois “se drogamos” com mais álcool, “se jogamos” na pista, “se vulgarizamos” descendo até o chão, “se prostituimos” esfregando nos corpos suados e “se suamos” muito, muito mesmo. só por causa do calor e do suor, que resolvemos sair para o corredor tentar tomar um ar. o japinha veio junto, ficamos conversando. essa minha amiga resolve ir embora com a namorada e a amigas japonesas. fiquei com outras amigas da faculdade e o rapaz oriental. eu sabia que aquele era o melhor momento pra cair matando em cima do mocinho, mas cadê a coragem? aí, eu percebi que sou tímido, até demais. eu travei, juro, você pode ate achar que sou um idiota, o que eu não nego que fui - até certo ponto -, mas eu simplesmente não sabia o que falar, não sabia como agir, não sabia o que fazer diante do japonês. minha amiga me ajudou e disse pra ela que eu estava envergonhado, mas queria beijá-lo, em seu português arrastado ele falou que queria me beijar também. escorado na parede eu fiquei diante dele, olhei nos olhos e fui encostando devagar minha boca na boca dele. beijei-o, não com tanto vontade quando eu o beijaria se estivéssemos num quarto sozinho, mas eu pude ouvir os fogos de artifício imaginário explodindo no céu de curitiba. eu estava beijando meu primeiro oriental, as pessoas me observando, os não conhecidos poderia pensar: “olha, dois caras de beijando”, os mais conhecidos poderiam estar pensando: “é, jarbas pegou o cara”, mas pra mim era uma multidão frenética comemorando meu objetivo alcançado. a gente ficou um tempo se beijando e não passou disso, ele era bem menos liberal com caricias com semelhantes em publico, o que não me incomoda. como comentário pessoal, eu digo que foi bom, e por mais que eu quisesse, devo dizer que com aquele japa foi mais um caso de just-one-night-of-kisses. a titulo de curiosidade, o nome dele lembra o som do kanji do numero cinco, aos mais curiosos, “google it”.se é ele, eu não sei. se é um oriental, eu também não sei. mas eu sei que quero algum alguém, algum amor. se for oriental, melhor ainda, vou te contar...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

i will be back!

por que, nem tudo que está esquecido, está morto... e tudo que adormece, um dia, acorda.

sábado, 17 de outubro de 2009

história 186: cara de passiva

eu cai na besteira de comentar em meu trabalho que tinha vários dias que eu não tinha um intercurso sexual com alguém. uma de minha colegas, a de cabelo vermelho, tentou ser caridosa comigo e comentou que tinha um certo amigo, legal, bonito, "e da sua altura" - como ela disse -, pra mim apresentar. ela pediu meu celular, com uma certa relutância eu dei meu numero - já cai na besteira de dar numero de celular pra uma outra amiga achando que ia me dar bem, mas no fim não me dar tão bem assim.

quase trinta dias se passaram e nada do tal amigo da ruiva se manifestar, detalhe que eu só dei meu numero e nem se quer me preocupei em perguntar o nome o seja lá o que fosse sobre o menino. estava eu numa sexta feira qualquer no james quando uma mensagem chegou em meu celular, um numero desconhecido uma mensagem meio intima demais assinada por alguém que eu não sabia quem era. alguém aqui acha realmente que eu dei atenção àquela mensagem, estando no james, alcoolizada, semi-prostituída e outras coisas que não vem ao caso agora? não, claro que não. no outro dia, ao chegar no trabalho, tive um insight quando vi a menina e fui perguntar se o nome do amigo dela era o mesmo nome que tinha assinado a mensagem. exatamente o mesmo. ligou para a pessoa, nos falamos rápido - e não deveria ter passado disso. ele disse que passaria no meu trabalho, comeriamos algo no shopping e conversariamos.

dito, feito. ele me ligou, avisando que ia me esperar na frente da livraria. tirei o uniforme, segurei na mão de deus e fui. quando eu vi aquela pessoa parada à frente da livraria curitiba, pedi instantâneamente jesus para me arrebatar. mas ele não o fez e eu segurei na mão de deus e fui. conclusão ele não era tão legal assim, não era tão inteligente assim e não era nem um pouco da minha altura - bem mais baixo, acreditem. voltei de meu intervalo pensando o quando eu me ferro por gosto.

mas a desgraça quando ela vem, ela acompanhada, ah, sim... tudo pode piorar. no MSN ele veio falar comigo.

ele: você é ativo ou passivo?
eu: não gostaria de falar sobre isso com você, sou o que o tesão mandar na hora.
ele: eu olhei suas fotos no orkut, analisei suas feições, seu rosto, você tem cara de passivo.
eu: ué, não sabia que pra ser passivo tinha que ter cara... mas é vivendo e aprendendo.

[bloqueio]

eu mereço? digam pra mim, eu mereço? "cara de passivo" era o que realmente me faltava, não que ser passivo seja realmente um problema, o que não é mesmo, mas me questionei muito sobre esse essa tal "cara de passivo". será que existe isso mesmo? cada coisa vou te contar...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

é sem sentido sentir

quero ver freiras promíscuas, ser uma prostituta cheia de pudores.
quero beber o mais ácidos dos venenos e me benzer com coca-cola.
quero correr pelado na avenida mais movimentada da maior das capitais e me cobrir de pele de animais no mais quente dos desertos.

quem liga se eu for e o plástico ficar?

quero toda hipocrisia do mundo, sorrir da desgraça do mendigo
bajular os nobres, secar de desejo e proteger o inimigo.
já vi matar, já matei, já vi morrer...

quero tudo com intensidade. rasgar a pele com lápis de cor recém apontado.
furar o peito de odio e explodir em purpurina colorida.
nada mais eu temo, nada mais me consola... nada mais me surpreende.

eu só quero... só quero sentir.