sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

não sou chegado em filosofias, mas...

...não tenho tido muito o que fazer aqui em curitiba, e para falar a verdade não tenho me movido muito para mudar isso. c'est la vie. ainda continuou procurando emprego "janeiro é morto assim mesmo, logo você encontra algo" - ela disse, enquanto limpava os dentes de uma paciente. fico aqui aguardando o inicio das aulas dia 09 de fevereiro. sem vontade de ir na rua, e pensando muito em meus amigos. fazer determinadas coisas sozinho, é realmente muito chato. e por falar em companhia, ontem fez trinta dias que não faço sexo. ai, que coisa! não que eu seja um sequelado com isso de ter que fazer ou que eu tivesse uma vida [muito] sexualmente ativa na bahia, mas sabe como é, sexo é bom! e desde que eu cheguei aqui tenho tido um mania de contar o tempo... tantos dias sem isso, tantos dias sem aquilo, tantos dias fazendo tal coisa. ui, coisa de doido.

olha ao redor do quarto, o novo quarto, não ouso chamar de meu. essas paredes amarelas e brancas, essa janela de vibro, a cortina azul que não tampa nada do sol e me deixa profundamente irritado de manhã. minha malas pretas ali, em pé, me velando, posso ouvir o grito sufocado das roupas pedindo por um guardarroupas [com dois erres agora, não é?!]. e se abro minha janela, vejo outra janela, um telhado sujo lá na "nós deveríamos pintar essas telhas, amor" aqui eles pintam as telhas, que coisa estranha! mais estranho do que chamar salsicha de vina e estojo de penal - coisas de curitibanos. vejo também as antenas, a de tv e a de internet. bendita internet que me salva e me abre as portas para o mundo "sabia que me incomoda ver quanto tempo você que fica on-line?!". oh, nada mudou e eu, mais do que nunca, continuo tendo mais vida social aqui do que fora daqui. em pensar que eu culpava aquele pedaço de terra perdido no interior da caatinga, por meu... isolamento. se é que posso chamar isso de isolamento! enfim...

e as esperanças são depositadas na tal da faculdade, enchem a boca para me falar que tudo vai mudar quando eu estiver lá. por precaução eu não aposto todas as minhas fichas nisso, não, não. matei os meus heróis, por que eles falharam comigo. e não estou afim de repetir o[s] mesmo[s] erro[s]. não que eu não esteja livre de errar, ninguém nunca está, nem nunca estará; graças a Deus. só não quero uma vida metódica, calculada e previsível, muito menos gente que seja assim ao meu redor. agora eu sou "hominho" assumir esse papel de adulto responsável por [todos] meus atos está sendo interessante, ninguém disse que séria fácil, por isso não reclamo. e tudo gira em torno de você, que no fim, olha para trás e vê, que a peleja maior é você contra você mesmo. querem saber de uma coisa? eu estou precisando me masturbar.


photo: High by xmateusx on deviantart.com

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

história 167: portas automáticas.

tá, vocês podem fazer a linha chaves e dizer: "que burro, dá um zero nele!" quando terminarem de ler essa história que foi o ponto alto da semana. aconteceu mais ou menos assim:

nós saímos para ir ao centro e na volta para casa eles resolveram parar num rede de farmácias famosa daqui. eu estava entretido com o um mapa da cidade de curitiba, olhando as ruas e lugares que eu já tinha ido. a palavra farmácia passou vagamente por minha cabeça e de súbito eu lembrei-me que estava precisando de uma escova de dentes. sai do carro apressado, diante de mim uma porta de vidro e nenhum adesivo de "puxe", "empurre" ou qualquer outra qualidade de aviso. lá fui eu caminhando com os braços esticado, a fim de abrir a porta, não e que as malditas abriram-se automaticamente e eu tropecei no ferrinho que fica no chão fazendo o maior barulho com o tropeço.

tente imaginar o escândalo, né?! porque eu, desse tamanho, tropeçando não é nada discreto, devo admitir. os clientes e balconistas, todos pararam para olhar na minha cara e eu lá, uma estátua com os braços esticados. sabe aquela hora que você deseja que o chão se abra e você caia dentro? pois é, foi assim que eu me senti, mas linda e fina, voltei-me à posição mais ereta possível, nariz tocando na estratosfera e fui de encontro aos meus parentes. sem comentários, sem alarde, sem nada. em casa, claro, eles tiram o maior sarro de minha cara. por vias de explicação, devo dizer que é aquela coisa, eu não imaginava que em farmácias tinham portas automáticas, eu pensava que era coisa só shopping e híper mercados, ai gente, minha cidade tinha quatro mil habitantes, não me condenem, é muita novidade para uma pessoa só. mas é assim, né?! "a gente se fode, paga mico, mas se diverte" vou te contar...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

[ex]-gay

- te contei que acabei meu relacionamento, jarbas?
- como assim, moço?
- é isso mesmo que você leu, acabou.
- porquê?
- Deus me disse para fazer isso.
- Deus?
- é, há muito tempo ele vêm e dizendo isso...
- espere um pouco, só para eu entender... você está me dizendo que Deus falou com você que ser gay é errado e agora você é um tipo de ex-gay e por isso acabou seu namoro?
- sim, mas não com essas palavras. Deus falou comigo, mas de uma forma linda.

[...]

- não consigo entender e perdoe-me o silêncio, não consigo pensar em nada para lhe dizer que não seja, no mínimo, ofensivo.
- por enquanto é incompreesivel mesmo.
- você não poderia ter dado um adjetivo melhor.

[...]

eis uma parte de uma conversa que tive com um amigo no MSN. não quero dar opiniões, até porque, ainda estou meio tonto para expressar o que penso. ex-gay, não, eu não acredito que exista, e muito menos acreditava que alguém que esteve em meu convivio social, um dia poderia despertar tal atitude. tenho orgulho de quem sou, ou do que sou, como preferirem. pena, é o que me resta sentir. peço que não sejam grosseiros em seus comentários, obrigado.

finalizo o texto com duas frases de Friedrich Nietzsche:

"Há homens que já nascem póstumos."

"Torna-te quem tu és!"


se um dia ler esse texto, amigo. saberá porque eu escrevi essas duas frases.



foto ilustrativa tirada da "Tomb of Niankhkhnum and Khnumhotep", gays do Égito Antigo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

debaixo dos lençóis

definitivamente, eu cheguei a conclusão que eu não sei usar cobertores. sim, é isso mesmo que você está lendo. lá na bahia eu nem sabia o que era uma coberta felpuda que mais parece um urso de pelúcia. lá eu usava no máximo um edredon fino para as noites "frias". agora que estou em curitiba, em pleno "verão" brasileiro, tenho passado por temperaturas, principalmente à noite, de 13°c a 17°c graus. gente, não é fácil não.

eu adoro frio, não posso negar, mas dormir sentindo frio é muito chato. exatamente por isso, até meu corpo se habituar ao novo clima sulino, eu tenho tido que usar duas ou três cobertas. não riam pessoas, a coisa é séria! o pior de tudo é quando eu acordo e tem cobertores para todos os lados embolados por toda a cama e fica tudo parecendo um ninho de ratos.

como eu sou paranóico, fiquei pensando se teria a possibilidade de uma dessas cobertas enrolarem em meu pescoço e me matar sufocado, sei lá. será que isso é possível? isso que dá mexer demais encima da cama, em pensar que ainda estamos no verão, coitado de mim quando o inverno chegar, vou te contar...


foto: hardly existing by shanaarielle on
deviantart.com

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

história 166: Cats Night Club

entramos na cats night club pouco depois da 00:30. subi a pequena escada e percebi que não havia mudado muita coisas desde minha ultima visita há quase três anos atrás. aquelas drags belíssimas, gogo boys e homens descamisados, é, realmente, nada tinha mudado. dance music, gente conversando, publico diversificado, gente bonita, conversas e uma latinha de kaiser que me custou R$ 5,00 [um roubo!] bom que é forte e me deixa bêbado mais rápido.

horas depois, três latas de cerveja, dança e muito suor, a fila do banheiro foi inevitavél. lá perto do espelho em forma de losangulo, num canto meio escuro, ele me puxou e me beijou. beijo bom, admito. pau duro e a vontade de fazer xixi foi-se para longe. o beijo fica mais intenso e as mãos começam a ter vida própria.

"vai com calma, você está na fila do banheiro!" gritou a minha consciência. fui acalmando os meus ânimos e fiz mensão de sair. ele parmanceu parado, olhando pra mim.

- não vai subir?
- não posso...
- não?
- meu namorado está lá em cima.
- namorado?

[...]

alguém tem um objeto de natureza cortante, por favor? sorri, linda e fina... subi as escadas, a raiva pulsando na veia do pescoço, mas na pista de dança a energia foi liberada. me senti culpado, aquela velha coisa: "não faça com os outros o que você não gostaria que fizesse com você!" [...] mas um amigo anjo me disse: "as pessoas não usam crachá, jarbas. relaxa" isso diminuiu a minha culpa, admito. começar beijando homem comprometido é começar com o pé esquerdo, não é?! pior que isso, foi ter deixando aquele asiático ter escapado por entre meus dedos. vou te contar...