terça-feira, 15 de julho de 2008
sábado, 12 de julho de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
história 136: fazendo a vingativa! (6)
meu celular toca. aquele número conhecido. me espanto. muito tempo sem receber ao menos uma chamada desse velho número. desde dezembro? talvez... talvez. atendo o celular:
- oi?
- onde você está?
odeio isso, muito direto, como sempre.
- há muito tempo você não me liga.
hora de remexer no passado, quero ver como vai sair dessa.
- é, eu uns problemas aí, você sabe, né?!
pior que sei, mas finjo que não sei de nada.
- é, sei...
[silêncio]
você recomeça, você quem ligou!
- pois é você não disse onde você está.
de novo?
- por curiosidade, porque você quer saber?
delicado, não sou?
- é que eu queria lhe ver.
soco de direita na boca do estomago, me ferrei. hora de fazer a rancorosa.
- me ver? pra quê?
fala um monte de putaria, fala um monte de putaria.
- só digo o que eu quero, cara-a-cara.
merda! ele sempre tem uma saída, mas eu tenho uma carta escondida na manda.
- lembra da ultima vez? você me deixou esperando. [vide história 084]
touchê! vai dizer o que agora, viado? quero só ver.
- mas isso foi em dezembro.
eu sei! mais detalhes? terça-feira, dia quatro.
- e sei disso. e daí? até hoje eu lembro o gosto de ter ficando te esperando lá. até porque o senhor numa mais me ligou depois daquele dia e sumiu da cidade.
memória de elefante. eu sonhava com esse momento.
- me perdoa?
merda dupla, ele tinha que dizer isso?
- pare! sem dramas, esse papel é meu.
maria la bario yo soy.
- quero te ver.
você já disse isso... mas continua repetindo até me convencer.
- hoje?
contatos imediatos de terceiro grau? hoje? nem fiz a tchuca.
- sim. hoje!
- mas está frio lá fora.
desculpa esfarrapada número um.
- bom para ficar agarradinho.
resposta calculadamente boa número um, ele é bom nisso.
- sei não, minha mãe vai reclamar de eu sair tão tarde.
desculpa esfarrapada número dois.
- inventa outra, eu sei que sua mãe é tranqüila.
conhecendo minha vida demais, gato. livrou-se de novo.
- e se você me deixar lá plantando de novo?
se humilha que eu gosto...
- não vai acontecer!
claro, tá doido pra enfiar isso aí em mim.
- você não presta, sabia?
pior que presta. pior que presta.
- eu sei disso, mas eu preciso lhe ver hoje, quero falar com você.
falar? meoamô, a última coisa que vamos fazer é falar, de você, só sexo.
- você tem uma influência sobre mim. sabia?
Ai que mentira, ninguém grita: falsaaa! tá?
[ele ri]
não ria não meu, amor. você não sabe o que lhe aguarda. pensamentos vingativos começam a passar por minha cabeça.
- iaê, vêm ou não?
uhm? tô pensando...
- acho que eu vou.
- acha?
tem que ser tudo nos mínimos detalhes? que saco!
- ta certo, eu vou...
sonha, darling.
- jura?
até por nossa senhora de parecida.
- eu não juro, porque quem jura mente.
eu deveria ter jurado.
- te espero no mesmo lugar?
saudades...
- está habitável lá? depois de dezembro, o mal fadado dezembro que você me deixou esperando eu não fui mais lá.
cutucando a ferida para não achar que eu vou dar sem remoer a magoa de caboclo.
- sim, eu fui lá.
que lindo, preparando o ninho do amor.
- dez minutos eu estou lá então.
dez longos minutos, eu diria.
- já estou aqui te esperando, vem logo, tá frio.
mas você está sentando, querido?
- já estou saindo de casa.
ele encera a ligação. eu abro a janela, lembro da ultima vez que isso aconteceu, lembro de ter ficando esperando. olho para minha cama que já está prontinha para eu deitar e dormir, uma lufada de ar gelado corta meu rosto. fecho a janela. caminho até a porta. desligo o celular, apago a luz, deito na cama e durmo tranqüilo.
estou vingado!
como diriam: “um dia é da caça o outro é do caçador”. deve estar lá me esperando até hoje. oh, coitado. chorei. [risadas] é a vida, não é?! aqui se faz aqui se paga. estou cheio dos provérbios populares. vou te contar...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
história 135: glu glu glu
o filho de minha vizinha vai ser casar e dona teve a excelente idéia de comprar um peru para alimentá-lo, engordá-lo depois matá-lo para servir assado para os convidados do casamento. o tempo todo nessa rua escuta-se o barulho do peru no quintal dela. o bicho até aprece que está prevendo o fim trágico, mas a vida é assim: uns comem, uns são comidos e outros matam, não verdade?o glu glu glu constante me fez lembrar de uma história de quando eu era criança e eu ia muito na fazenda de meu padrinho. numa das primeiras vezes que fui lá fiquei encantado com um ave que até então eu achava que era uma galinha grande de cabeça vermelha, daí me explicaram que aquele era um peru, diziam eles que era um parente da galinha.
os filhos do caseiro me achavam um idiota por eu não saber o que era um peru, e eu os acha idiotas por eles não saberem que era jiraya e os changemans, enfim, uma diferença básica da real roça e pseudo-cidade; os cangaceirinhos resolveram brincar comigo e me disseram que o peru era um bicho super manso e dócil e que seu encostasse ele não faria nada comigo, não é que eu na inocência de meus onze anos acreditei, e fui brincar com o tal peru enquanto meu padrinho conversava com o caseiro. eu desci a escadinha da área e fui para o quintal de terra vermelha, fui encostando perto do peru, ao que parece era uma perua, não é que a bicha nem se mexeu quando eu cheguei perto, os meninos tinha dito a verdade? eu me sentia o máximo alisando o peru, passando a mão na cabeça, brincando e rindo à toa, só por estar perto do bicho.
de repente eu ouço algo cortando o ar, olhei na direção do som e eis que estava o peru macho voado e gritando para cima de mim. sai correndo aos tropeços e a ave louca do edi no meu encalço, beliscando a minha perna, cai, dentro da casa os meninos caíram e tanto rir e eu desesperado correndo gritando e o peru correndo a trás de mim sem dó, nem piedade; a mulher do caseiro saiu da cozinha quando ouviu o minha gritaria, pegou uma vassoura e espantou o peru assassino me salvado da morte. meu pradinho e o caseiro correm para ver o que acontecia. encontrou um Jarbas em estado de choque e ofegante, suado, todo sujo de terra vermelha. não houve que não risse de mim, como sempre eu fui o gongado da história. explicaram depois que o peru macho tem ciúmes da perua, a fêmea que eu estava brincando, por isso ele me atacou, os meninos já sabiam desse comportamento do peru macho, por isso me mandaram mexer na fêmea que por sinal era muito mansa. eu tomei um trauma de peru, é certo que esse trauma curou-se [cof.cof.cof.] e os perus que eu mexo hoje em dia não são tão agressivos. ufa. vou te contar...












