quarta-feira, 14 de maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

[história 126: boca do capeta!]

a uns três anos atrás, meu amigo trabalhava numa rua de ladeira e passava quase que a tarde inteira sem fazer quase nada, eu sempre ia pra lá para conversar com ele – eu não trabalhava à tarde na época. no mesmo lugar trabalhavam mais outros dois rapazes, chaníssimos – diga-se passagem –, mas esse não é o ponto principal da história. numa dessas tardes estávamos sentados meu amigo, o dos colegas de trabalho dele e eu na escada à porta. crianças brincavam na rua, correndo pra cima e para baixo da ladeira. era uma daquelas ladeiras que quando você chega no sopé, olha para o topo e se cansa só de pensar na subida e se pergunta onde está o seu equipamento de escalada.

entre as crianças que brincavam uma menina de mais ou menos 4 anos de idade chamou minha atenção, branquinho, bem bonitinha, até parecia perdida em meio às outra crianças grandes. num determinado momento eu olhei pra ela – coitada! – ela estava descendo a ladeira disparada, corria tanto que seus pés batiam na bunda, dava para ver o desespero na cara da coitada por não conseguir desacelerar na corria ladeira a baixo.

– ela vai cair! – eu disse, admito com pouca emoção na voz.

cinco segundo depois a menina veio ao chão num baque seco, poeira subiu, choro, pais correndo, sangue e alguns ralados no joelho e braço da menina. olhei para meu amigo e para o colega dele, ambos olhavam para mim horrorizados.

– o quê? – eu perguntei, sem saber o porquê daquelas caras.
– como você sabia que ela ia cair? – perguntou o colega de trabalho de meu amigo.
– sei lá, era obvio, não?! – respondi.
– obvio? não mesmo...
– boca do capeta! nunca olhe pra minha filha e diga que ela vai cair – disse o colega de trabalho.
– fracamente gente, até parece que eu praguejei a menina.

seguiu uma discussão sobre a possibilidade de eu ter conjurado uma maldição para a criança cair e sobre pessoas terem o chamado "mal olhado" ou "boca ruim". é certo que nós não chegamos a um consenso mesmo eu tendo explicado tudo cientificamente. no fim eu fiquei proibido de olhar pra a filha do rapaz e dizer que ela ia cair, ele fez o favor de contar o fato acontecido para algumas pessoas e eu fiquei por um tempo conhecido na cidade com boca do capeta. coitado de mim, um garoto puro, inocente e tímido; admito que até tentei olhar para outras pessoas e dizer que elas iam cair, mas não funcionou. queria eu poder olhar para meus desafetos nessa cidade e conjurar quedas, mas Deus sabe o que faz. vou te contar...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

[história 125: falar a verdade. sempre?]

ela veio a mim perguntar o que eu achava dela ser apaixonada pelo o maior canalha da cidade – e nem bonito ele é. eu classificando-a como uma amiga disse o que realmente pensava, disse o quanto eu o achava ruim partido para ela e o quanto ela era "boa" para ele. disse a verdade porque penso que amigos servem exatamente para isso, se fosse para mentir, eu mentiria numa boa e não me sentiria nenhum pouco culpado (6)². no fim ela disse que não aceitava minha opinião – absoluto direito dela – e combinamos que não tocaríamos mais no assunto dali pra frente – final feliz.

na manhã seguinte, cruzei com ela na rua, cumprimente-a, mas em resposta o silêncio e olhos virados para o chão. não entendi, realmente não entendi, mas não fui questionar. eu tinha total certeza de que não havia feito nada para ofendê-la, nada mesmo. os dias foram passando e ela continuava me ignorando, como se numa fossemos amigos, como se fossemos desconhecidos numa cidade grande que se cruzam por acaso. só que ela não contou com o grau que meu orgulho pode atingir, não mesmo. se ela estava me ignorando, pois eu quem ia fazer o mesmo, e fiz. semanas depois vieram me falar que ela estava chateada pelo o que eu tinha dito para ela. não me dei o trabalho de explicar, não me dei o trabalho de ser a real vitima da história, apenas disse que não tinha dito mentiras, disse o que eu achava que deveria dizer e se ela não gostou o problema era dela, por que tinha sido ela quem tinha vindo me procurar, eu não tinha batido à porta de ninguém para dizer algo.

mais semanas se passaram, e eu tinha algo na cabeça: "não importa a situação mantenha sua classe que seu lugar ao topo estará garantido". outra vez amigas dela vieram até mim, dessa vez perguntar se volteria a falar com ela; sorri por dentro, eu sabia que aquilo ia acontecer, por isso aguardei em silêncio. fiz cara de blasé [jackson jr. devo admitir, eu tenho carão, eu sou "carudo"] e respondi que sim seco, sem emoção e com uma cara de nojo. a amiga deixou-me com uma cara feliz. possivelmente não entendeu, mas enfim...

agora eu estou aguardando ela vim falar comigo – possivelmente vai pedir desculpas – não pensem vocês que eu não vou falar nada, por que eu vou! ela ficou com raiva de mim injustamente, ela veio a meu encontro pedir minha opinião, não menti, se ela prefere pessoas falsas ao redor dela que fique, eu prefiro ouvir coisas que eu sei que eu não quero ouvir do que ouvir falso apoio; mexer com gente apaixonada é phoda. vou te contar...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

[história 124: grota ou gruta?]

ontem eu sai na rua sem muita esperança de encontrar alguém por lá. acabei encontrando minha prima e as amigas dela; sentamos ali no banco perto do trailler de lanches e conversamos bastante.

adoro conversa com gente mais nova fico me sentindo a experiência em pessoa. num determinado momento da conversa eu percebi que uma delas não estava com o namorado próximo – com as outras estavam. perguntei:

- cadê seu namorado, fulana?
- está na grota.

- pausa -
grota é o nome dos povoados da zona rural daqui.
- fim da pausa -

continuei: - ah, por falar nisso, você sabe a diferença entre grota e gruta?
ela respondeu: - grota tem a letra 'o' e gruta a letra 'u'.

[silêncio]

alguns segundos depois eu comecei a rir sozinho e tudo mundo ficou sem entender. obvio que essa não é a diferença, não a diferença a qual eu me referia, mas enfim, ri porque isso me fez perceber que nem todos tem tudo tão cientifico na cabeça, e muitas das vezes as coisas são tão simples e somos nós quem complicamos tudo. é claro que cheguei a conclusão de que nem tudo mundo assiste tv escola. vou te contar...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

[história 123: ai jesus, isso é bom demais]

era mais uma madrugada como qualquer outra madrugada de minha vida. lá estava eu indo para minha casa. como de habitual eu estava sozinho. a rua completamente vazia de gente, apenas e os grilos e eu – e um cachorro magro que passou longe.
o silêncio sepulcral, até parecia uma daquelas cenas clichês de filmes de terror, só faltou alguém sair das sombras com uma faca enorme na mão e me matar.

tantas foram as vezes que eu passei próximo àquela janela, foram tantas que eu poderia descrevê-la perfeitamente apenas com as imagens que tenho na mente, de tantas vezes nada nunca realmente surpreendente aconteceu. olhei para a velha janela com um certo desprezo, mas minha cabeça estava ocupada com pensamentos bem malucos. de repente imaginei ter ouvido um barulho, pare por um instante. até pensei: "opa! ouvi um barulho" mas como nada nunca acontecia por ali segui meu caminho, mas antes que eu desse um segundo passo eu ouvi novamente o barulho, algo que se assemelhava a um gemido. voltei o único passo adiantado e parei de frente à janela. o barulho ficou mais constante, eu fui aproximando minha orelha cada vez mais. que barulho era aquele? era uma mistura de barulho de bicho com gente amordaçada.

- ai jesus, ai jesus, ai jesus – gritaram dentro do quarto.

eu tomei um susto, estaria alguém brigando? mas não parecia uma briga – não mesmo – lá dentro uma mulher continuou a gritar.

- isso é bom demais deus, isso é bom demais deus.
- você gosta putinha? você gosta? então toma, toma, toma [segui vários "tomas"] – disse um homem em resposta.
- ai jesus, ai jesus, isso é bom demais, ai jesus, ai je...

eles estavam transando! sim, tinha um casal transando dentro do quarto, estavam tão despreocupados que falavam alto e narravam coisas que prefiro não redigir aqui. fiquei chocado, mas não arredei um único pé de lá. pura curiosidade mórbida.
a coisa toda durou cerca de 10 minutos ou menos [acho que eu cheguei do meio em diante] no ápice da coisa a mulher gritou:

- ai jesus, ai jesus, continua, continua, se você parar eu te mato capeta, se você para eu te mato capeta, te mato ... capeta ... ai delicia, eu vou gozaaaaaaaaaaaar! [urros e gemidos]

sons de respirações ofegantes, depois veio o silêncio, tão mortal. morri de inveja, e devo admitir que não imagina que aquele determinado casal tinha vida sexual ativa, que os vê assim na rua parecem tão insossos, quem diria?! quem diria que a fulana tem o famoso gozo evangélico, só lembra de deus nessas horas.
[suspiros] pensando aqui, só eu quem não tenho vida sexual ativa; "ai jesus, ai jesus, me abençoa! manda um ocó pra mim. manda?" olha o desespero. é que comigo está tão difícil que só apelando para o divino. vou te contar...