domingo, 28 de junho de 2009

história 181: confiei nos emos, quase morri

era mais um domingo nublado em curitiba. eu estava de folga, isso significava que eu poderia ir no museu oscar niemeyer, me jogar no gramado a tarde inteira, mas ninguém queria ou podia ir comigo e eis que eu descobri o que a palavra "solidão" significava. e mesmo sozinho decidi ir para o tal museu, me jogar no tal gramado.

se tem uma coisa no mundo que eu odeio é semáforo, pior ainda quando é semáforo de cruzamento e mais ainda do que qualquer outro semáforo no meu mundo conhecido, o que eu mais odeio com o fundo de minha alma, são os semáforos que ficam em frente ao shopping müller, lá centro. eu fico todo confuso, porque o sinal fica vermelho, tudo mundo atravessa, fica verde o povo pra, fica verde de novo o povo vai, gente vem, vermelho para, gente vai, verde pra ou vem... é um inferno! e nesse domingo nublado, lá vou eu atravessar a porcaria do semáforo do shopping müller, estava vermelho, parei. três emos ao meu lado [dois meninos e uma menina] e o sinal fechado, olho para um lado da rua nenhum carro, olho pra os que tinham estavam parados... os emos resolveram atravessar a rua, eu caio na besteira de confiar nas criaturas e vou junto, os carros começa a se mover em nossa direção, os emos correram para alcançar a calçada e não. eu olhei para a direita, meus olhos ofuscaram o farol do carro que estava por vim, pensei: "fodeu! vou morrer agora..." movido por uma força do além dei dois passos para trás e o carro passou ao meu lado, por poucos centímetros eu não morri. ufa!

e de hoje em diante eu digo: gente, não confie nos emos muito menos em semáforos. oh, racinhas traiçoeira, vou te contar...

eu olho para meu celular,

desejo fortemente que ele toque, vibre e que tenha aquele número conhecido no display, mas ele permanece cruelmente silencioso e imóvel.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

em curitiba...

... falar sobre o tempo, nunca vai ser um assunto descarado para tentar puxar conversa com o gatinho sentado ao seu lado na sala de espera. aqui as pessoas realmente falam sobre o tempo e pior, se orgulham de sua inconstância, fato que me irrita constantemente.

sábado, 20 de junho de 2009

história 180: o pit bull blasé

uma das coisas que eu mais gosto de fazer em curitiba é me jogar no gramado do museu oscar niemeyer e ficar a tarde inteira só observando as pessoas e suas vidas de comercial de margarina.

mas nessa tarde particular eu estava acompanhado de uma galera muito legal. tinhamos acabado com dois litros de tequila e algumas [muitas] cervejas. já era noite. may e eu estava sentados bem juntos, loucos do edi, conversando, detalhe, em inglês, observando todos os outros mais loucos do que nós. eis que ouvimos um som de passos, muitos passos vindo ao nosso encontro. eu me aproximei de may mais ainda, ele grudou em meu braço, olhamos para trás e nada mais, nada menos do que um pit bull enfurecido vinha em nossa direção, correndo feito louco. "morri", foi a única coisa que consegui pensar.

may começou a gritar, eu entrei no embalo e gritei também, mesmo sabendo que isso não ia resultar em nada. e as outras pessoas? nem perceberam o que estava havendo conosco.
nós loucos por causa da cachaça, o pit bull correndo loucamente para nos matar, may gritando louca, eu gritando mais louco ainda, gente louca desmaiada no chão, gente conversando alto feito loucos, o pit bull correndo [muito louco], nós gritando mais ainda. sim, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo - uma loucura.

de repente, quando estavamos certos que o bicho estava próximo e que as mordidas iam começar a qualquer minutos, nada aconteceu. é, nada aconteceu. frustrante, não é?! tipo, você espera altas mordidas, arranhões, mais mordidas - não estou bem certo se cachorros podem fazer mais do que morder e arranhar -, mas nada acontece, frustante, para dizer o mínimo.

eu olhei pra trás e vi o pit bull parado, nos olhando, com uma inacreditável cara blasé, depois, como se nada tivesse acontecido, o que não deixa de ser uma verdade, já que que ele não nos atacou, o cachorro filho da puta, com a maior calma do mundo, virou as costas e foi embora.

- o que aconteceu? - may, perguntou.
- ele foi embora... - eu respondi, frustrado.
- ele quem? o que era aquilo mesmo?

como assim? ela ia morrer e nem sabia do que seria. ôh, pessoa privilegiada, vou te contar...

sábado, 13 de junho de 2009

carta

olá,

tudo bem com você, senhora? espero que sim. por que você já sabe como eu estou. logo, não preciso explicar muita coisa, não é?!
não sei bem o sentimento que me move para escrever o que escrevo agora. na verdade, nem sei se existe um sentimento por trás, mas em todo caso vamos afirmar que sim.
a senhora sabe que estou em curitiba agora, não sabe? ah, claro que sabe! você me acompanha a todo instante. você, eu acho, deve ser a responsável por tudo que me acontece... e a você sabe que as coisas não estão boas, né?! é, eu sei que você poderia dizer que ninguém disse que seria fácil também. por isso, antes de qualquer coisa, eu vou te agradecer, caso tenha sido a senhora a responsável por eu estar aqui, é bom que fique claro que eu não esqueço tudo que você me fez, tem me feito, e talvez, fará, mas isso não lhe dá o direito de complicar as coisas, não mesmo!

mas sabe de uma coisa senhora, tenho percebido que a cada dia eu melhoro como ser humano, aprendo mais, entendo mais sobre todas essas coisas. mesmo nos mais desesperadores dos momentos, mesmo nas horas que a barriga roncou de fome, o corpo tremeu de frio, as pernas enfraqueceram de tanto trabalho, a cabeça doeu por causa das poucas horas dormidas, mesmo depois das lágrimas derramadas de saudade, dos momentos de total desamparo, depois de todos os surtos, da vontade de pegar as malas e simplesmente ir embora. eu queria avisá-la que a cada obstáculo que a senhora coloca na minha frente me faz maior, mais forte. eu vou vencê-la, não importa o quanto você tente me impedir, se é que você quer isso mesmo. eu vou levantar todas as vezes que você tentar me derrubar. eu sempre vou me superar.

e eu tenho certeza que você vai perceber o quanto eu estou disposto a melhorar. e se você for tão sabia quanto dizem que é, você vai me recompensar - ou não -, mas para lhe falar a verdade, eu estou num ponto, que devo lhe dizer, nada me surpreende mais. seja feita sua vontade, ou a minha, ou a de quem quer se seja. só queria lhe dizer: "eu vou vencer!" eu sei que eu tenho um futuro brilhante pela frente, eu sei que eu conseguir chegar onde eu quero e nada vai me impedir, não importa o quanto eu tenho que lutar. "pense, acredite, sonhe e atreva-se.", já disse waltdisney.

pense comigo, o que seria da terra média se frodo tivesse desistido no primeiro obstáculo? e mesmo não tendo o um anel com poderes mágicos, o que seria ótimo pra mim agora, eu vou continuar tentando, tentando e tentando. até você se cansar de me dar tudo que eu mereço. eu acredito na lei da compensação e sei que ela é sua amiga. mais cedo, ou mais tarde ela vai falar: "eii, olha aquele garoto, ele é bacana mesmo...".

então é isso, só queria lhe dizer que já me sinto um vencedor. sei que fiz nesses meus míseros 22 anos mais do que muita gente não teve coragem de fazer a vida inteira. eu sei que sou merecedor. então, querida vida... é melhor você afrouxar as cordas, porque quanto mais você aperta melhor eu fico. por que o que não vem para me destruir me fortalece. acho que é isso. você entendeu o recado.

eu amo odiá-la e amo amá-la.
obrigado por tudo. obrigado por existir.

beijos,

Jarbas Ribeiro Bahia

quarta-feira, 3 de junho de 2009

história 179: o anão

estava sendo uma tarde muito agradável, o sol no céu só para nos iluminar, frio nas ruas, pessoas agasalhadas, almoço no restaurante chinês, andressa e eu, caminhavamos despreocupados no centro de curitiba, curtindo nossa tarde de ócio, atrás de tecidos.
paramos diante do semáforo, do outro lado da calçada, acreditem vocês, havia um casal de anões, tentando arduamente, mas sem muito sucesso, na verdade, sem sucesso algum, animar as pessoas que passavam apressadas a entrar e comprar algo na farmácia, o mais engraçado é que eles, além de serem um casal de anões, o que não é algo que se vê todos os dias por aí, é que eles estavam vestidos com roupas típicas de festas juninas.

- amiga, olha o casal de anões - eu disse, já explodindo em risadas.
- ai, gente para! - exclamou andressa, tentando disfarçar o sorriso.
- cada coisa que a gente vê, não é, amiga?! - eu disse, seguido de mais risos.

o anão gritava no microfone para todos ouvirem as promoções da farmácia, a anã dançava feito um zumbi, com certeza tinha os pensamentos bem longe dali. o sinal abriu, atravessavamos a rua, eu tentava disfarçar o riso, o anão percebeu que eu ria, e o pior, que ria dele, na metade da travessia ele olhou pra mim e começou a dizer alto no microfone.

- eii, adorei seus óculos escuros, bem no estilo me-engana-que-eu-gosto.

a titulo de informação, eu usava um rayban vintade com a máscara vermelha e pernas pretas. andressa caiu na risada sem disfarçar, todas as pessoas que passavam na rua olharam pra mim, algumas riram. fulminei o anão com o olhar, mais à frente, longe dos olhos do meio metro, mesmo possesso, eu ri da situação. quem mais no mundo é gongado por um anão vestido de caipira, animando a entrada de uma farmácia no mundo?!
na volta eu ensaiei algumas frases para insultar o anão, no caso dele mexer comigo de novo, mas acabamos atravessando a rua e o anão nem me viu outra vez. a tarde terminou num café, andressa e eu celebrando as tardes sem ter o que fazer, a arte, a inteligencia, o orgulho hetero - se é que ele ainda existe, listas de aniversário, bolo e capuccino. eis mais uma tarde em curitiba, vou te contar...